Aos treze meses o João anda, trepa e tropeça. Tudo muitas vezes. Na praia anda pelo mar adentro até ter água pela cintura, que é quando se lembra que está fria e volta para para trás. Anda muitas vezes em círculos, e em dois dias passou a andar melhor em plano inclinado, que é como quem diz fazer o declive da areia até ao mar. Também gosta de piscina e de bóias, ri-se muito com tudo e com toda a gente.
Come bem e dorme pouco, mas se não dormir não come. Come de tudo e sofre com o calor, apesar de ter nascido no píncaro do calor no ano passado: bebe litros de água. Aprendeu a segurar o biberão mas ainda não percebe a inclinação necessária para beber.
Não fala nada de português, só o seu próprio dialecto que ninguém percebe. É teimoso, muito. Persistente e com boa memória.
Tem uma irmã. Que aos quase quatro anos me dá volta ao juízo. Tira qualquer santo do sério, apetece esganar. E no momento a seguir dá beijinhos e abraços e nós lá ganhamos ânimo para mais uns momentos. Adoram-se e espero que assim seja. Disseram-me no outro dia que provavelmente foi mesmo minha filha noutra vida. Se calhar.
Esta fala tudo e até demasiado. Quer ser princesa cor de rosa com poderes na barriga, que a fazem dar 30 beijinhos e depois os poderes podem acabar. Quer ter um cavalo bebé e um crocodilo bebé e tudo o que lhe pudermos dar. Faz birras insanas de menina mimada e tem pouca tolerância à frustração. Isso irrita-me muito, é o que mais me irrita.
Penso que para o ano as férias vão ser mais fáceis, porque eles serão maiores e mais autónomos. Estou a enganar-me deliberadamente. Tudo bem.