Que queriam que fôssemos nós, os de Novembro? Que queriam, digam lá, nós que somos de um mês que começa com a noite das bruxas, que abre o dia de todos os santos, ao que se segue o dia das almas? Que queriam, digam lá vocês, que queriam de nós quando somos de um mês que levanta os mortos todos para lhe abrir a porta: os maus, os bons e os outros todos? Que queriam de nós que somos de um mês de Inverno que quase a meio se abre para o sol, num verão fingido, mas a mostrar-se outra vez no seu contrário? Que queriam de nós que somos de um mês que prepara a morte do mundo, porque é antes do inverno, que depois há de morrer para chegar à Primavera? Que queriam de nós que somos quase todos regidos pelo signo que todos olham de lado, porque traz consigo e dentro de si o veneno? Que queriam que nós, sendo quase todos do bicho venenoso, fôssemos? Debaixo da couraça e da negritude e do ferrão?
Somos feios fortes e maus. Viemos para resistir e sempre que necessário ganhar. Viemos para fascinar e para estar escondidos à vista, sem querer liderar e a saber que não temos alternativa. Somos feios fortes e maus, energia em bruto pronta a explodir, para o melhor é para o pior. A ser centro de turbilhões que não nos agitam nem um fio do cabelo quando aprendemos a olhar para eles como eles são: consequências do que nos fizeram quando nos fizeram de Novembro.