sábado, 14 de junho de 2014

O mar cá dentro

Tenho um mar dentro de mim. Feito de todas as lágrimas caladas, engolidas e escondidas, a afogar tristezas, muitas delas imensas como o mar.
Este meu mar profundo, feito de tudo o que não chorei, de tudo o que não deixei de mim sair, afoga. Criou-se do que quis afogar, mas agora, quando quer, pode por si afogar. Quando é intenso na sua calmaria torna-me navio à vela sem forma de navegar, parada na sua imobilidade, a ver o horizonte e sem o poder alcançar. Assola-me com a presença do seu silêncio imenso, faz-me ilha deserta sem sombra de paraíso. Quando é intenso nas suas tempestades, rebentam as suas ondas nos meus pilares, ressoando nos meus ouvidos, a lembrar-me o poder que ajudei a criar e agora não posso controlar. É mais que eu, maior que eu, sou eu na minha tristeza triste, sou eu quando me quedo muda sem chorar, impávida no sofrimento, temendo sempre as lágrimas por temer morrer afogada no que vou chorar.
O meu mar está cá dentro, por mim adentro, e  esta semana fui bote a remos na sua tormenta. Esta semana o meu mar profundo relembrou-me como me controla e como o posso controlar.
Chora mulher. Chora.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

If ice can burn

Mostro poucas vezes os dentes. Sou contida nas emoções. Quando gosto, tento mostrar com coisas feitas, com compreensão e maior tolerância a certas e determinadas atitudes. Ou seja, calo-me ainda mais. Atitude pouco sensata.

Tu fala mulher, fala, que calada ninguém te ouve e se já querem saber pouco do que pensas ou sentes, concentrados que estão no seu umbigo, ainda maior é a desculpa para te ignorarem.

Porra que a falta de auto monitorização do comportamento me irrita. E diria mais umas quantas asneiras pensando no provérbio "que bem prega Frei Tomás..."

Do concerto do Justino

Coisas boas: que emoção, que boa voz, bons movimentos e jasus que sedutor.

Coisas más: já não tenho idade para certas coisas... como estar de pé 5h seguidas, lembrar-me que estou 15 anos mais velha do que a média de idades das pessoas que me rodearam e ainda estão para montes de curvas, chegar a casa contente às 3h da manhã por ter feito um programa não mamã e acordar 4 vezes nas 4 horas que se dormiram porque ele tem o nariz entupido...

Quando o que nos magoava nos faz sorrir

Mesmo que seja um sorriso triste, a vida alcançou um ponto de viragem. Porque nós conseguimos dar a volta, desvalorizar o que nos magoava e quem, fazendo o que fazia, nos magoava. Passámos à frente, abanámos a cabeça e encolhemos os ombros. Com custo. Muito custo. Porque custa mais não chorar do que chorar. Porque isso quer dizer que cortámos uns fios da corda que nos ligava àquela pessoa e estamos um bocadinho mais longe de alguém que foi importante na nossa vida.

Não sei se somos mais fortes assim. Acho que não. Acho que somos mais tristes. Mas mais realistas. Porque a minha dor também existe e não é de agora, só a aprendi a calar há muito tempo, tanto que já faz mais parte de mim do que eu gostaria. Porque me marcaram para sempre e se esqueceram que para sempre é a minha vida toda. Sem me esquecer.