Tenho um mar dentro de mim. Feito de todas as lágrimas caladas, engolidas e escondidas, a afogar tristezas, muitas delas imensas como o mar.
Este meu mar profundo, feito de tudo o que não chorei, de tudo o que não deixei de mim sair, afoga. Criou-se do que quis afogar, mas agora, quando quer, pode por si afogar. Quando é intenso na sua calmaria torna-me navio à vela sem forma de navegar, parada na sua imobilidade, a ver o horizonte e sem o poder alcançar. Assola-me com a presença do seu silêncio imenso, faz-me ilha deserta sem sombra de paraíso. Quando é intenso nas suas tempestades, rebentam as suas ondas nos meus pilares, ressoando nos meus ouvidos, a lembrar-me o poder que ajudei a criar e agora não posso controlar. É mais que eu, maior que eu, sou eu na minha tristeza triste, sou eu quando me quedo muda sem chorar, impávida no sofrimento, temendo sempre as lágrimas por temer morrer afogada no que vou chorar.
O meu mar está cá dentro, por mim adentro, e esta semana fui bote a remos na sua tormenta. Esta semana o meu mar profundo relembrou-me como me controla e como o posso controlar.
Chora mulher. Chora.
sábado, 14 de junho de 2014
O mar cá dentro
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