quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Uns chamam-lhe maluquice

E eu estou inclinada para lhe chamar filhadeputice. Assim, tudo pegadinho, para se dizer depressa e ter o efeito desejado. Há merdas que são mais do que maldade, são atitudes filhas de putice, que se fazem para ofender, humilhar, magoar os outros. E o caralho para quem as sofre, que são mesmo para não serem esquecidas, são criadas mesmo para fazerem mossa, deixarem marca, roubar o sono. São feitas para matar de sofrimento.
E matam. Matam tanta coisa à sua volta... E não só dentro do alvo. À sua volta também. E quem morre das filhas de putice morre lentamente, a olhar para os outros e a pensar que raio tem a raça humana dentro do coração e da cabeça. E depois morre assim, em vida, morre-lhe o coração para as coisas boas e a cabeça para a sanidade. 

Pinto mais uma marca dentro de mim. 

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Aos solavancos é que vamos

Rabujo no meu melhor o extremo. Estou extremamente cansada, física, psicológica e emocionalmente, e o cansaço fica e perdura e não se afasta de mim. Sinto que sou cansada, mais feitio do que defeito, sou cansada porque sim, porque de tão cansada me falta a forca para o deixar de ser. Nem que fosse para passar apenas ao estar.
Falta-me o tempo. Que mentira, como me pode faltar algo que todos temos por igual, na maior distribuição igualitária do mundo. Todos temos direito a 24h. Todos. Condiciona-nos então apenas a pergunta do "o quê?". O que temos nós de fazer nas 24h, o quê? E aí tudo muda, de mim para mim, de mim para ti, de ti para o outro. Somos muito do que queremos fazer nestas 24h, e cabe-nos a nós o domínio da frustração fácil face ao que não vai ser feito. Sem ilusões: muitos milhares de coisas não são feitas nos 365 dias de cada ano. E já nem falo das maravilhosas e sempre pouco frutíferas decisões de ano novo. Propomo-nos sempre a mais, sempre fora de pé, porque achamos sempre que mais é melhor, esquecendo pelo caminho que na sua eterna sabedoria o Criador só nos deu duas mãos, já a alertar para a diminuta capacidade de gestão. Em equipa fazemos muito e melhor e em menos tempo. Com duas mãos, para fazer bem, há que fazer pouco. Porquê então? Qual a resposta para esta perseguição do impossível, do dificilmente alcançável? Para quê então passarmos por esta frustração auto-infligida do "muito é que é bom"?
Faço listas para me organizar, que perco ou que são interrompidas por assuntos sempre cada vez mais urgentes do que o anterior, que se arrastará para o dia a seguir ao seguinte, porque o seguinte também há de ser de apagar fogos, de cumprir e resolver imprevistos que evitam a resolução do proposto. Viva viva a improvisação que me acaba com os planos e me mergulha na ausência de controlo do meu quotidiano. Odeio-te.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Os deuses testam-nos mas não nos detestam

A brincar se diz o título. Até com piada. Eu por acaso gostei muito. Foi um trabalho a duas mãos. Ele disse o início e eu o fim. Porque pensei que o tempo me tinha dado a capacidade de não chorar, de persistir sem medos, sem medo de fraquejar, sem dúvidas porque com o coração ao alto tudo se decide sempre pelo melhor. Porque tenho de acreditar ainda hoje e mais uma vez que tudo o que está é passageiro, que é mais uma das tantas tempestades que durante a vida vivemos. Só mais uma, das tantas outras que ainda faltam vir.

Estamos no número 3. O da trindade, o da conta certa, o da perfeição divina. Estamos no três com um pé já no quatro e em todos os outros que se seguirão. Quero estar depois como estou hoje, uns dias melhor outros pior, outros ainda muito bem, como se não existisse melhor sítio do mundo onde estar.

E não há. Aqui há o que eu construí e se não o quero assim, é também aqui que o tenho de mudar. Aqui há o nosso amor, os nossos desamores, os nossos filhos e nós, os teimosos, a teimar sempre com a presença e a ausência do outro. Um mais um a serem um muito grande, igual a dois, melhor que quatro, a pensar se calhar no cinco.

O amor é assim. Real, sem pinturas, com chatices, beijos, nódoas, noites mal dormidas e muitas gargalhadas. Mais que ser assim o amor é aqui, na vida, no corpo e nas mãos, e por isso não é outra coisa que não a vida como ela é. O amor é isto, o amor és tu.

Com o meu amor eu sinto menos as lágrimas, vejo mais a tormenta como passageira, acredito mais que tudo vem e no mesmo caminho, ou noutro, há de ir. E nós havemos de continuar, não no mesmo sítio mas para sítios melhores. Agora que já entrámos nos 3 a contar que os dedos não nos chegarão para chegar ao fim.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Aos quinze meses

Amanhã são os 15. E já se corre, já se manifesta a frustração e a vontade de formas bastante expressivas - manda-se para o chão, é o que o palavreado bonito quer dizer. Há sempre sempre um sorriso, e já me viras as costas sem chorar quando chegas ao colégio. Começaste há 15 dias, às vezes odeio egoisticamente esta tua facilidade de estar e de te ambientares ao mundo que te rodeia. Ciúmes de mãe. Não falas nada, apontas muito. Ainda tomas AeroOm, por genética do teu pai. 
A tua irmã está a sentir agora que és uma pessoa e não um Nenuco, e também mostra a sua frustração e os seus ciúmes. Ciúmes de mana, que não sabe verbalizar e que não te dirige a ti, mas a nós. Está crescida e gosta de borboletas, brilhos, cor de rosa e não que lhe mexas nos brinquedos. Mas quer que vais dormir no quarto dela na casa nova, porque ela "deixa". Também se manda para o chão e agora faz uma marreca quando é contrariada. Isso ou porta-se mesmo mal, com direito a raspanete que já compreende quando é bem aplicado. Está uma crescida.
Amo-vos aos dois mais do que ontem e menos que amanhã. Todos os dias da minha vida.

Do amor

Este blog podia escolher mais temas para abordar. Coisas diferentes, casualidades, banalidades, actualidades. Raramente escolhe. Ou seja, raramente escrevo sobre outras coisas que não o amor ou o desamor. 
Tudo poderá ser resumido ao amor, se bem analisado, tudo na nossa vida gira em volta do amor. Que temos ou não temos pelas coisas que nos rodeiam. Que nos mora ou não no peito, que trazemos todos os dias junto a nós. Este blog não sabe falar de outra coisa, e só quer falar do que fala. E falamos do amor.
Hoje vi uma tristeza infinda nos olhos de alguém que não conheço. Fui eu quem a fui buscar para a ver. Fui buscá-la sem saber que a iria encontrar, guiada apenas por um instinto subtil, sorrateiro, que se me tinha posto cá dentro sem aviso. E quando lhe falei ao ouvido, ou directa ao coração, essa tristeza mostrou-se-me, e à pessoa que dela é dona, e soubemos naquele momento que foi aquela tristeza nunca antes nomeada que nos tinha juntado. Estamos juntas pelo desamor, e compete-nos encontrar o seu contrário. Compete-nos matar esta falta, ocupá-la com o amor, com ou sem objecto, mas o amor, pela sua beleza, o seu impacto, a sua presença. Pela sua força motriz, pela sua energia infindável, que move montanhas dentro dos peitos e das cabeças, dá caminho aos pés e trabalho às mãos.
Hoje descobri que me compete ajudar a preencher esta falha num peito que não é meu. E hoje este blog fala mais uma vez do que fala sempre e recorda uma frase sua: nada mais há no mundo que o amor.