Falta-me o tempo. Que mentira, como me pode faltar algo que todos temos por igual, na maior distribuição igualitária do mundo. Todos temos direito a 24h. Todos. Condiciona-nos então apenas a pergunta do "o quê?". O que temos nós de fazer nas 24h, o quê? E aí tudo muda, de mim para mim, de mim para ti, de ti para o outro. Somos muito do que queremos fazer nestas 24h, e cabe-nos a nós o domínio da frustração fácil face ao que não vai ser feito. Sem ilusões: muitos milhares de coisas não são feitas nos 365 dias de cada ano. E já nem falo das maravilhosas e sempre pouco frutíferas decisões de ano novo. Propomo-nos sempre a mais, sempre fora de pé, porque achamos sempre que mais é melhor, esquecendo pelo caminho que na sua eterna sabedoria o Criador só nos deu duas mãos, já a alertar para a diminuta capacidade de gestão. Em equipa fazemos muito e melhor e em menos tempo. Com duas mãos, para fazer bem, há que fazer pouco. Porquê então? Qual a resposta para esta perseguição do impossível, do dificilmente alcançável? Para quê então passarmos por esta frustração auto-infligida do "muito é que é bom"?
Faço listas para me organizar, que perco ou que são interrompidas por assuntos sempre cada vez mais urgentes do que o anterior, que se arrastará para o dia a seguir ao seguinte, porque o seguinte também há de ser de apagar fogos, de cumprir e resolver imprevistos que evitam a resolução do proposto. Viva viva a improvisação que me acaba com os planos e me mergulha na ausência de controlo do meu quotidiano. Odeio-te.
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