quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Aqui vamos nós 2016


A passagem do ano foi um momento que nunca me agradou muito. Esta "imposição" de ter de estar contente e animada e ter um programa para lá de espectacular, organizado logo em outubro, que garantisse diversão para lá de sobrenatural, que metesse os nossos amigos todos e nos fizesse estar de ressaca até dia 3 de janeiro nunca foi a minha onda. Aliás, ficava logo de mau humor quando se falava da passagem de ano. 
Tudo passa e agora já vivemos bem uma com a outra. Apesar de nunca manter fascinado o momento da passagem do ano, fascina-me a ideia de termos todo um novo ano de possibilidades e oportunidades. 365 dias de novas tentativas para melhores resultados. A possibilidade de viver. Não há nada que me fascine mais: tentar, fazer novo e diferente. Adoro.

Por isso, a todos, mesmo todos, que 2016 nos abra as portas e nos mostre quem podemos ser melhor do que fomos antes e nos traga as oportunidades de sucesso que desejamos. 

Mais que tudo, façam por ser felizes. Todos estes 365 dias. Sejam felizes. E mostrem à vida que a sabem viver.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Isto também é um post de Natal

Já fez dois anos que aderi ao PROVE. É um sistema através do qual, por uma quantia bastante simpática, tenho quinzenalmente um cabaz de verduras e frutas, tudo biológico. Gosto de encontrar as lagartas e os caracóis quando lavo os verdes. E de sacudir a terra das raízes. Sinto que estou a comer coisas a sério.

Vou buscar o cabaz ao CSP de SJB. À frente, um nível abaixo, estão as capelas mortuárias da igreja. Fui buscar o caba para o Natal: as couves, as batatas e as cenouras que competem ao bacalhau. Vinha carregada ao sair, satisfeita por saber que ia lavar couves com caracóis ou lagartas. E depois olhei para baixo. E à porta da capela mortuária estava um conjunto, não muito pequeno, de pessoas. Dia 23.

Não me mete medo a morte. Nem morrer. Hei de o fazer, espero e peço que tranquilamente. Mas esse estado de tranquilidade que peço não é só para mim. Peço-o também para quem fica. Mais até para quem fica do que para mim, que tenho algumas convicções sobre o que vou encontrar, convicções essas que me deixam relativamente tranquila. Pelo menos agora. A esta distância da morte (penso que ainda é alguma).

Morrer no Natal. É matar involuntariamente todos os Natais que hão de vir para os que cá ficaram. Se não todos, pelo menos muitos do Natais dos que cá ficam. O Natal é a família e morrer nesta altura é o corolário da expressão "só Deus tem os que mais ama". O Natal é a família e morrer no Natal é por à prova a família, a sua força e a capacidade de continuar a festejar o que o Natal é: a família. Que foi partida no momento da sua própria festa. Morrer no Natal é desafiar a força da união que existe entre os que ficam e o que vai, para que se continue a acreditar que esse laço continua a existir e por isso a família não partiu, só se distanciou, continua a ser quem é, quem sempre foi e há de ser.

Feliz Natal.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Antes que me esqueça

Há uns anos atrás, em estado ovo Kinder, jantei numa noite de Santo António na Esplanada da Mouraria. Sardinhas no pão, como se quer aos 13 de Junho.
Estava demasiado grávida já, e demasiado pesada. Ao lado da esplanada há umas escadas. Procurem-na no Google Maps, vão perceber onde é, e onde vão dar as benditas escadas. Estava demasiado grávida já, e demasiado pesada. Mas galguei as benditas escadas e mais o resto tudo que me faltou até às portas do castelo. Viva o Santo António. Estava demasiado grávida já, e demasiado gorda. Estava de saltos e na calçada portuguesa. Saltos de cunha, mas saltos à mesma. Cantaram-me o "quem será o pai da criança" às portas do castelo na noite de Santo António. 
Vivam os santos populares em Lisboa, que no meio da multidão bêbeda foi de certeza o santo António que me amparou na subida. E na descida, que foi muito pior que a subida. Nisso e no desgosto de saber que ia parir mais um para andar aos caídos nos santos, daqui a uns anos. Já não hão de faltar muitos, que isto é tudo a correr e em passo muito acelerado.
Dez dias depois pari. 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Boa condutora? Se não for Dezembro e não te chamares João...

Dezembro é mês de bater com o carro. É isso que acontece. Na minha vida de condutora, em Dezembro bate-se com o carro. Às vezes de forma assustadoramente realista e a ver a vidinha a andar para trás ou, se quiserem, rapidamente para a frente em direção ao seu fim. Outras vezes são só chatices, que desarranjam os dias e chateiam pela estupidez de onde nasceram.
Não é Dezembro que é o ponto comum. Ou melhor, não é só Dezembro. O outro fator comum é o condutor chamar-se João. Chamam-se todos João. Sempre.
Logo, se for Dezembro e te chamares João, foge. Este Dezembro já não precisas fugir. Já bati num João. 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Em dias que são horas que são anos


Há momentos em que recordar é reviver. Mesmo. Há horas em que a memória nos subtrai à nossa realidade e nos leva a um sítio do contínuo espaço/tempo que não existe a não ser na nossa cabeça e naquele momento. E voltamos a estar num sítio que já não existe, como se estivéssemos com o fantasma do passado do conto do Dickens. Mas no presente.

Tudo na vida tem um sentido. Mesmo que só tenha sentido naquele momento - momento em que normalmente não nos faz assim tanto sentido quanto isso. Pareço confusa mas não estou. Pensem num momento da vossa vida que foi estranho, mau e bom ao mesmo tempo. Encontram-no de certeza. De certeza que também se lembram que foi um momento difícil, que muitas vezes vos desesperou e que muitas vezes vos fez pedir que não estivessem ali. Só agora, tempo passado, conseguem recordar com um sorriso nos lábios o que passou. Mas não querem lá voltar, já não faz sentido. Só fez quando aconteceu e quando estava a acontecer não fazia assim tanto sentido. 

Há tempos tive um momento desses. Foi bom. Desses tempos guardo comigo memórias tão intensas e boas como guardo pessoas boas - essas mais do que memórias, trouxe-as comigo. Por tudo o que foi vivido nesse passado, marcámo-nos umas às outras. Somos só mulheres. Caímos ali, e para não cairmos lá de todo, agarrámo-nos umas às outras. Unhas e dentes, para não arrancarmos os nossos próprios cabelos. Não sei se chorámos muito, mas lembro-me que desesperámos muito.

Mas o que nós rimos. O que ainda conseguimos rir hoje, a lembrar de tudo o que era mau e ao mesmo tempo bom. Era só mau na altura, mas como as relações que ficaram são boas, de repente as memórias são só boas. Já não interessam as noites não dormidas, os insultos e insinuações estúpidas, a incompetência e as virilhas totais. Já passou. Agora é só riso. E as memórias que nos trazem um sorriso aos lábios. Mesmo aquelas das quais temos alguma vergonha. 

Há momentos da vida que só fazem sentido uma vez. Mas ainda bem que podem ser vividos. 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

tenho aqui dois posts inacabados que hão de seguir para o "forno" ainda hoje. espero.

coincidences are God's work, not man's

A vida tem sempre o condão de me surpreender. Sempre. Muitas vezes de forma pequena, nos pormenores. Mas é nos pormenores que um plano razoável passa a ser um plano brilhante, ou ao contrário. São os pormenores que nos diferenciam uns dos outros, umas vidas das outras. Uns dias dos outros. São os pormenores que fazem a excelência do que quer que seja.
Num só dia conjugaram-se tantos acontecimentos que tenho para mim que esse será um dia que terei de guardar na memória, para me recordar de como Deus se pode expressar tanto na nossa vida de uma só vez, sem que tenha de fazer quase nada. Na verdade não foi apenas num dia, foram em dois. Mas isto da intervenção divina tem o que se lhe diga e como foi muita informação junta, ainda bem que foi dividida por 48h, e não veio toda concentrada em 24h.
Certo é que acabei as 48h de sorriso ténue nos lábios. Sussurram-me um nome ao ouvido. Fui à procura dele. Encontrei-o, depois outro e mais um. Primeiro franzi o sobrolho e quase que uma pergunta se formou na minha cabeça. Mas foi só quase. Porque alguns anos de desprendimento trazem-nos algum conforto. Sacudi a cabeça, deitei aquele início de pergunta borda fora, para não pesar. Aquele momento passou. Já não é meu. Olhei em volta e mais uma vez percebi que o sítio onde estou é onde quero estar.

nas mesmas 24h nasceu uma, morreu outra, fizeram-me uma oferta, renovei os votos duma amizade que já tem mais de uma década. nas outras percebi que os fins também são inícios, que os funerais nunca me disseram nada e cada vez menos, que os microfones nas igrejas aumentam o potencial de riso e que por muitas voltas que a vida dê, quem importa nunca deixara de importar, porque as desculpas são sempre possíveis e os perdões também.