quarta-feira, 28 de março de 2018

depois de ter feito mais uma coisa que suporia impossível

às vezes acho que tenho dificuldade com frases feitas. mas é só às vezes. há muitos provérbios e ditados populares que uso. e há uma frase feita que me diz muito. mas que me diz muito na minha adaptação.

a vida é o que é. esta frase está escrita no presente, e não tem referências ao passado nem ao futuro. por isso, a vida é o que é hoje. mas pode ser outra coisa amanhã. não se sabe, a frase não diz. há outra frase, que já escrevi aqui, que diz que a realidade não tem palavras. acho que estas duas frases se complementam. ao dizer a vida é o que é não lhe pomos adjetivos, nem coloridos falsos, nem sombras inventadas. a vida é assim. e se não a queremos assim, é mudá-la. afinal, quem está mal, muda-se.

o verbo ser também pode ser um verbo transitório. eu já fui de uma maneira, agora sou de outra, hei de morrer de outra completamente diferente. escrevo muito sobre mudança. já se viu. se calhar porque a minha realidade me força a olhar para o que é imperioso mudar. sem palavras. vivo presa nesta ideia de que há que mover, criar, mudar, fazer diferente. não diferente dos outros, mas diferente do que já fizemos, quando correu mal, é claro. se correu bem, é deixar estar. a vida aí é o que é em bom. e em equipa que ganha não se mexe.

não sei quando nasceu esta inquietação em mim. que às vezes é uma exigência interior demasiado pesada, sem tempo para colos ou lamúrias. não sei quando pensei que podemos ser todos melhor do que somos, sempre, todos os dias. a fazer o que idealizámos ou a fazer-nos o mais ideais que consigamos. melhores. vamos ser melhores, sem medos, sem limites.

a deixar cair preconceitos, a aceitar as nossas próprias limitações e defeitos, a olhar para os problemas que se resolvem como desafios e para os que não se resolvem como pedras que teremos de contornar. ou escalar. para ficarmos melhores, mais altos, com a vista mais desimpedida. o cansaço que isto dá. as lágrimas, o choro e o desespero. tantas vezes as pedras são lisas e escorregadias, tantas vezes temos mesmo os apoios para as escalar mesmo à nossa frente e não os vemos. tantas vezes somos o princípio, o meio e o fim de tudo o que gostávamos que não existisse.

olha, vê e faz. conquista-te. aos poucos.

Sem comentários:

Enviar um comentário