terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Tentativas frustradas de mudar o presente

Ora bem, estamos um bocadinho fartos do frio e da chuva, mas temos a consciência de que ainda estamos só em fevereiro e que ainda falta um bocadinho para o sol e o calorzinho da Primavera. Temos de esperar ou então pressionar (chantagear) emocionalmente o São Pedro (ou viver em ilusão do controlo sobre a natureza). Como? Vestir uma das tshirts mais veraneantes da gaveta (com casaco de inverno por cima) e esperar por dias melhores...

Adivinhação

A vida é sempre difícil. Não me julguem mal, não me estou a queixar (muito) da minha vida. Sei perfeitamente que a vida me corre muito melhor que a muitos. E que existem vidas que são para lá de terríveis. Com histórias que de tão rocambolescas parecem mentira, obra de ficção fruto de uma qualquer mente perturbada.
A minha não é assim. Nem a de muitos que conheço, ou se calhar mesmo da maior parte das pessoas. Mas efectivamente a vida é difícil. Difícil porque os meandros dela são cada vez mais retorcidos pelas qualidades do quotidiano. Corremos por tudo e para tudo, porque queremos muito e ainda bem que não nos contentamos com menos.  Vemos o futuro e o presente e pensamos no passado, às vezes demais, queremos ter e dar os melhor de nós e dos outros, queremos sorrisos e aventura e felicidades mais ou menos duradouras. Queremos e muitas vezes trabalhamos para isso. Com mais ou menos empenho, com mais ou menos consciência do trabalho necessário e das consequências imediatas ou a longo prazo.
E é por isto que a vida é sempre difícil. Porque é muito para pensar e muito para sentir e muito para gerir. Connosco e com os que nos rodeiam. Com os nossos desejos, as necessidades alheias, os objectivos comuns.
A minha vida é difícil pelo tempo. Pela minha incapacidade de fazer o tempo esticar. Para fazer o que faço, o que queria fazer, para por planos em prática, para ser mulher, mãe e amiga com mais qualidade. Para não me por exigências por querer estar sempre em mais do que um sítio em simultâneo.

Isto tudo para dizer que, tal como previsto, o blog há de estar parado semana sim semana não.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Se queres que não te diga

Muitas e muitas palavras têm sido escritas sobre o silêncio. O que o termina, contradizendo-o. Falar sobre o silêncio, que poucas vezes o é, porque haverá sempre pelo menos o ruído do pensamento. E estas são mais algumas linhas sobre esse espaço. O do silêncio.

Se as relações entre as pessoas se fazem de palavras, mantêm-se muitas vezes dos silêncios. Não sei se te diga o que queria porque não quero magoar-nos. Porque os meus sentimentos e os teus e os nossos e os cansaços e as ambições e as expectativas são todos palavras e pensamentos que nem sempre se encontram.

Então não tos digo para não os ouvir, porque também sei que não me queres dizer o que penso que podes ter pensado. E o silêncio vem e nele ficamos à espera de se tornar conforto. No espaço das palavras tantas vezes pensadas e poucas vezes ouvidas. Setas que se podem espetar facilmente onde caírem, sem compaixão. E eu não as quero ver nem sentir, e por isso não as digo. Nem as ouço. E não as calo, engulo-as, para desaparecerem. No meio das minhas e tuas e nossas, dos anos tantos e das horas poucas.

Em silêncio.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

E porque não o dia de São Valentim?

Eu percebo que é só mais um dia, que as relações devem ser mantidas diariamente e não apenas em datas festivas, que faz pouco sentido andar sempre à turra e à maça e depois gastar rios de dinheiro numa prenda XPTO e num jantar no sítio mais in e por isso mais esgotado deste dia. Especialmente este ano, que calhou numa sexta-feira.
A sério que percebo. Mas o Natal também é quando um Homem quiser e nós temos um dia para o festejar. E nesse dia passamos mais tempo com a família, dedicando essas horas a (supostamente) demonstrar como gostamos daquelas pessoas que são as mais importantes das nossas vidas. Porque é que não podemos passar este dia a pensar no porque é que esta pessoa que temos ao nosso lado é o nosso amor ou simplesmente com um sorriso tolo nos lábios por sabermos que gostamos e somos gostados? Que coisa é esta do "ai eu nunca dei importância", "ai para quê um dia dos namorados", "ai não preciso nada de uma prenda"?
O ano passado saímos. Jantámos fora, eu de vestido preto a esconder a barriga que se mostrou subtilmente na minha escolha da bebida: água. Este ano ficámos em casa. Óptimo jantar, óptimo vinho, óptima companhia. Já de aliança no dedo, mas ainda com direito ao São Valentim.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

As passadeiras em dias de chuva

Em Portugal chove no inverno. É algo que nos assiste. Todos os anos, mais ou menos, mas sem excepção. De há alguns anos para cá, chove muito no inverno. Agora até temos direito a tempestades com o nome de turista estrangeira, se calhar por ser chique. E sim, o anticiclone dos Açores parece que faleceu.
Ora bem, então esta chuva tem implicações em muita coisa. E tem implicações para quem anda a pé. E colocam-se duas perguntas: quem faz estradas em Portugal faz de propósito para que existam poças de água próximo de todas as passadeiras e paragens do autocarro? E a segunda pergunta é: os condutores portugueses nunca andaram a pé em dia de chuva? Ou não entendem a lei da física segundo a qual um pneu de automóvel a entrar dentro de uma poça de água pode causar o banho indesejado ao peão indefeso? É que já não bastam a chuva e o vento e os chapéus que se viram ou pingam para todo o lado, ainda há as esperas com pés dentro de poças para atravessar a rua e os chuveiros de água projectada que nos fazem desviar o chapéu de chuva da cabeça para os pés..

Tive de secar o rabo quando cheguei ao emprego. E escrevi este post na cabeça enquanto vinha de salta pocinhas.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

tenho patilhas

Tinha jurado a mim mesma que de hoje não passava. Tinha de ser. E pronto, aqui estou, sentada no sofá, a ver o Gravity e a escrever o meu primeiro post no quarto blog que tenho na vida. Dois só meus e um outro partilhado. De dizer que o segundo e o partilhado tiveram ambos uma vida curta e pouco famosa, enquanto que o primeiro viveu uns anos de boa saúde. Acho que vivia em mim uma pessoa que gostava de escrever. Como deixei de ter tempo para ela, ela mudou-se. Não sei se tinha jeito, mas davamo-nos bem. E eu gostava dela, mas as prioridades começaram a ser outras e ela foi-se embora. Tudo tranquilo, foi uma decisão inteligente da parte dela, pela pouca disponibilidade e atenção que lhe conseguia dar.

Enfim. Agora começa este outro, porque sim. Porque preciso de me organizar mentalmente e a escrita sempre me ajudou a fazê-lo. E porque tenho saudades. A boa vida do Are you crazy deixou sorrisos. Nunca foi um blogue da moda, nunca ganhei dinheiro nem fui a festas ou ganhei pares de sapatos. Com muita pena minha, que anseio neste momento da vida por uns momentos bons de dondoca estilosa. Mas ganhei comentários anónimos interessantes (que eu sabia de quem eram) e muitos posts que tenho guardados e que releio muitas vezes para me lembrar de mim. Como eu era e como me esqueço às vezes de como cheguei aqui.

Ora bem, agora a vida é diferente e o tempo não é como a vontade: é pouco. Portanto só acho pertinente comprometer-me a escrever semana sim semana não... e mesmo assim, já tenho dúvidas agora que o consiga (o que é terrível para o compromisso, mas tentaremos).

Postas todas as introduções necessárias, dei por mim, 7 meses depois de ser mãe, e um mês após o término de uma queda de cabelo assustadora (sublinhe-se o assustadora) com uma quantidade surpreendente de cabelo nova a crescer. Não corri propriamente o risco de ficar careca, Deus sabe que seria difícil que isso me acontecesse, mas que caiu caiu. E agora está a crescer e eu pareço o Elvis, porque o cabeço novo que está a nascer forma umas interessantes patilhas que são facilmente identificadas por qualquer pessoa na minha cara. Maravilhoso, é o que vos digo.

Escrevi este post várias vezes na minha cabeça. Lá tinha mais graça, havia mais piadas no meio do texto, eu estava mais solta e bem disposta. Mas pronto, uma estreia pode sempre dar buraco, e a maternidade teve o seu impacto sobre a minha capacidade de raciocínio, que vou lentamente recuperando (ou pelo menos é isso que me tento dizer).

O filme é bom. E irrita que o blogger não reconheça o início das frases e ponha automaticamente as maiúsculas onde é suposto que estejam.