quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Se queres que não te diga

Muitas e muitas palavras têm sido escritas sobre o silêncio. O que o termina, contradizendo-o. Falar sobre o silêncio, que poucas vezes o é, porque haverá sempre pelo menos o ruído do pensamento. E estas são mais algumas linhas sobre esse espaço. O do silêncio.

Se as relações entre as pessoas se fazem de palavras, mantêm-se muitas vezes dos silêncios. Não sei se te diga o que queria porque não quero magoar-nos. Porque os meus sentimentos e os teus e os nossos e os cansaços e as ambições e as expectativas são todos palavras e pensamentos que nem sempre se encontram.

Então não tos digo para não os ouvir, porque também sei que não me queres dizer o que penso que podes ter pensado. E o silêncio vem e nele ficamos à espera de se tornar conforto. No espaço das palavras tantas vezes pensadas e poucas vezes ouvidas. Setas que se podem espetar facilmente onde caírem, sem compaixão. E eu não as quero ver nem sentir, e por isso não as digo. Nem as ouço. E não as calo, engulo-as, para desaparecerem. No meio das minhas e tuas e nossas, dos anos tantos e das horas poucas.

Em silêncio.

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