Há amores que não se explicam. Que estão em nós cá dentro, enraízados, e que não morrem.Também não sabemos como lá foram parar, nem como poderão ter ganho tanta força. Porque é que gostamos daquele clube e não de outro, mesmo quando o nosso perde há tanto tempo. Como se explica? Porque é que gostamos perdidamente de verde, e não de azul. Ou de ouvir a chuva. Como se explica? Explicações havê-las-á, até porque nós precisamos delas, portanto construímo-las à medida das necessidades. Mas porque é que lá está o amor?
Porque amamos este e não aquele? Porque ganhamos esta pessoa cá dentro e não a conseguimos nem queremos de cá tirar? Vem de onde este sentimento físico de propriedade e pertença? Está entranhado porquê?
Não sei se queria as respostas as estas perguntas. Gosto do amor assim, rodeado do que não sei sobre ele, encanta-me ainda mais o mistério. Do que não me explica.
Às vezes enche-se-me o peito de amor. Assim, subitamente. Da lembrança destes amores entranhados estranhos, que os quero tanto para mim como me quero deles. E nesses momentos só os queria poder apertar para os sentir ainda mais cá dentro, sempre perto do coração onde já moram e hão de morar. Eternamente, é o que espero poder dizer com certeza.
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