a nossa vida muda porque o mundo está sempre a mudar. são-nos permitidas coisas actualmente impensáveis há um par de décadas, e à medida que a globalização nos torna num planeta cada vez mais pequeno também os nossos limites se vão esfumando. Transforma-mo-nos todos os dias em indivíduos mais capazes de atingir objectivos, também porque as possibilidades e os meios são mais e maiores e mais eficazes.
Gosto desta ideia. De o facto de sonhar e trabalhar nos poder levar efectivamente mais perto do que sonhámos e planeámos. Mas como tudo o que acontece, há uma parte menos boa, eu acho, de tudo isto. Como somos capazes de mais e melhor, é isso que queremos, sempre, e às vezes temo, a qualquer custo.
As relações humanas não são perfeitas, são cheias de coisas más, difíceis, que facilmente causam dor. No outro dia um jornal português publicou um artigo em que expunha uma nova categoria de solteiros, os que o era porque não queriam a monotonia, queriam o máximo das emoções sempre, todos os dias. Como? Não me quero apresentar velha do Restelo, porque não vejo qualquer interesse nos casamentos do antigamente, em que os anos passavam e se já desde quase o início havia pouco em comum, no final o casal era apenas duas pessoas juntas por comodismo, quando não existiam os mais que conhecidos casos de abuso, adultério, mentiras e outras situações que tal. Mas uma relação é uma construção. À vista, sem planos ou engenharia, sujeita a todos os tipo de intempérie, influenciada pelos ventos, temperaturas e movimentos alheios. Mas é possível. Não é sempre uma obra bonita, nenhuma obra é bonita sempre, mas é possível ver a sua beleza, nem que seja na capacidade de a construirmos. A quatro mãos sempre que possível, às vezes a duas, porque nem sempre as coisas nos correm de feição.
Há tempos ouvi a frase que deu título a este post. E percebi como me assusta esta sociedade de consumo imediato, em que a pasta de dentes pode ser causa para uma separação. Não sei se a minha relação vai durar para sempre, não sei o que é o sempre, sei também que não tolerarei tudo e que não a manterei a qualquer custo (que exemplo daria eu então às crianças). Sei que me quero esforçar para que resulte, com todos os maus momentos que dela resultam e que a acompanham, com todas as coisas boas que às vezes são só pequenos apontamentos. Como um sorriso ou uma festa no cabelo. Não é fácil, não somos todos os dias muito felizes, às vezes nem felizes somos. Mas podemos ser. E para isso há que trabalhar. Noutro sítio escrevi que a palavra relação em inglês explica muita coisa: relationship = relation + ship = um navio que é preciso levar a bom porto.
A companhia na idade adulta é tão precisa, o poder acreditar que se vive bem sozinho certas e determinadas fases da vida é uma ilusão que o meu trabalho me roubou há muito. A morte quando se anuncia, é tão mais fácil de receber se estivermos bem acompanhados. E esta é uma verdade inegável, sem rodeios e frontal. Somos animais sociais, mas nos maus momentos, o quente que o amor nos traz é insubstituível. E esse quente não vem porque a outra pessoa é a perfeita para nós. Será quem se melhor se adequa ao nosso lado, mas é também a que ficou, a que viveu connosco os altos e baixos e soube nos baixos lembrar-se dos altos e ajudar a relação a perdurar. Foi perfeita porque trabalhámos para isso, porque vimos objectivos comuns (às vezes, não sempre) e não desanimámos em demasia. Um não faz o que dois não querem, mas dois podem fazer o que se quer feito. Com maior ou menor dificuldade.
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