sexta-feira, 25 de julho de 2014

Da insanidade mental que nos rodeia

Ora tenhamos em conta que "de são e de louco, todos temos um pouco". Verdade universal, como todos os provérbios portugueses.

Posto isto, há que reconhecer que as percentagens de são e de louco não são iguais para toda a gente. E em certos casos a balança apresenta um desequilíbrio notório. Para o lado menos positivo, entenda-se. E não estou a falar dos casos diagnosticados, mesmo que não acompanhados. Nem dos casos que, mesmo não diagnosticados são relativamente óbvios para todos. Está lá, à vista, mesmo que não tenha nome.

Os casos preocupantes são outros. São aqueles em que só os que convivem mais de perto com a pessoa percebem verdadeiramente a dimensão da insanidade. E de como lavra impune naquela vida e, de forma mais importante, na vida de quem rodeia aquela pessoa.

Tenho conhecido alguns. Se calhar alguns dizem o mesmo de mim. Mas eu às vezes também o digo de mim própria, e já pus em causa várias vezes a minha saúde mental. Ou a presença de doença.

Isto tudo para perguntar: o q c@#@/&* têm certas pessoas na cabeça? Como é que me dou/dei com pessoas assim?? Dass..

terça-feira, 22 de julho de 2014

Daydesigner

Sou desorganizada. Desmotivo-me facilmente porque de entre as mil coisas que quero fazer, só me organizo para iniciar 200 e acabo muito poucas, normalmente sob stress. Por causa da desorganização. Sei que conseguia fazer mais. Que ficava mais feliz e realizada se o fizesse.
Pedinchei um daydesigber ao meu cunhado. Que mo trouxe. A ver vamos se me ajuda. O objectivo agora é, até 31 de Julho, organizar mail e pc.
Desejem-me sorte (quero mesmo fazer isto).

Daydesigner

Sou desorganizada. Desmotivo-me facilmente porque de entre as mil coisas que quero fazer, só me organizo para iniciar 200 e acabo muito poucas, normalmente sob stress. Por causa da desorganização. Sei que conseguia fazer mais. Que ficava mais feliz e realizada se o fizesse.
Pedinchei um daydesigber ao meu cunhado. Que mo trouxe. A ver vamos se me ajuda. O objectivo agora é, até 31 de Julho, organizar mail e pc.
Desejem-me sorte (quero mesmo fazer isto).

segunda-feira, 14 de julho de 2014

tê-los no sítio quando não os temos

no ritmo louco do dia a dia é fácil esquecer-mo-nos do que realmente importa. de quem realmente importa. o conforto e o comodismo e o receio podem toldar-nos esse raciocínio. há uma colega minha que vai deixar a profissão dela. assim, sem outro sítio para onde ir. vai para perto do marido, assumindo o que para ela é importante. é claro que ela o pode fazer e é claro que o pôde fazer porque a vida deles reúne uma quantidade de condições que outras não reunirão. é verdade. mas mesmo assim não lhe retiro o valor. num mundo de competição, e ainda muito marcado pelas ideias e pela luta das mulheres que há poucas décadas atrás quiseram ganhar autonomia e sair da forçosa alçada dos homens, nem sempre é fácil sermos compreendidas num conjunto de decisões. que nada têm a ver com ideais feministas ou subjugação ao mundo masculino. são só valores próprios, ideias próprias, desejos e prioridades individuais.

faz hoje um mês que aqui estive pela última vez

quando andava na primária tinha uma colega chamada Inês. Lembro-me que era muito alta, tinha o cabelo muito encaracolado curtinho e costumava usar fitas no cabelo. vermelhas. é engraçado o que nos lembramos das pessoas. a Inês foi minha colega até ao 6º ano. não faço ideia do que lhe aconteceu, provavelmente passaria por ela sem a reconhecer. provavelmente já o fiz. lembro-me vagamente de onde fica a casa dela, porque lá fui uma vez, só não me lembro porquê nem como (não me lembro de ter autorização para sair da escola...).
a Inês vivia com a mãe e com o paizão. mas também tinha o pai dela. porque o paizão era o padrasto. que a Inês adorava profundamente, daí o nome: paizão. um pai muito grande ou um pai muito maior. lembro-me de contar isto em casa e de me terem alertado para as origens do amor: o coração e não o sangue. lembro-me bem disso, e agradeço que mo tenham mostrado, porque também foi por mo terem mostrado dessa forma que agora, tantos anos depois, a minha família aceitou e acolheu a minha Inês.
e agora sou madrasta. e agora percebo o peso deste papel, onde só há deveres reconhecidos, mas muito poucos direitos oficiais, só aqueles que com o coração conquistamos junto das crianças que ajudamos a criar. primeiro é o peso da outra pessoa. da ideia sempre presente que o nosso marido teve um passado e que ele é palpável: anda, fala, e de vez em quando faz birras de nos tirar do sério. depois é o peso dos olhos: somos observadas ao milímetro, sempre na suspeita constante que podemos tratar a criança de maneira diferente, menos calorosa, amorosa, sempre no receio de que possamos tratar a criança mal. é isto, sem rodeios. somos observadas ao milímetro sempre na expectativa que possamos tratar mal a criança. e quando surge outra criança, os olhos são ainda mais atentos. mantém a compostura, não resvales. afinal, és mesmo mais que mãe: não podes nunca falhar, estar cansada ou tomar más decisões - é sempre possível que vejam isso de outra forma. se falhares com os teus, tudo bem. mas não está tudo bem se falhares com os dos outros. que por acaso, mas só por acaso, são também um bocadinho teus, porque também lhes trocas as fraldas, limpas o vomitado, aturas as birras e acordas a desoras quando têm pesadelos. isso não interessa. escolher este papel significa escolher uma tonelada com mais de mil quilos de deveres. e sem qualquer tipo de garantias quanto a direitos. se te divorciares (bate na madeira muitas vezes), mesmo que tenhas a melhor relação do mundo com a criança, esquece possibilidade de visitas. a tua relação morreu naquele momento. se o teu casamento continuar, esquece estar presente em acontecimentos marcantes, ou ter um papel de relevo nos mesmos: mãe é mãe, e tu não és. és a madrasta.
na história das novas famílias, há muita gente a ter de morder a maçã envenenada da história da madrasta...