Hoje em dia trabalhar é um desafio. O mercado de trabalho é cada vez mais internacional, sem fronteiras e, consequentemente, sem horários.
O desafio é grande e muitas vezes recompensador: desafiamo-nos constantemente e em comparação com os melhores. E quando atingimos mais um sucesso, o sentimento de satisfação é grande. Pusemo-nos à prova e ganhámos, ultrapassámo-nos, e a eles também. Estamos orgulhosos.
Sabemos que somos bons: fazemos muito e cada vez mais, num ritmo estonteante de trabalho e de aumento de exigências. Trabalhamos em empresas cada vez maiores, à escala global, e sentimos que fazemos parte de algo grande, tão grande que nem o conseguimos entender na sua totalidade.
Este sentimento alimenta-nos, torna-nos dependente dele. Ficamos adictos a este frenesim constante. Estamos constantemente em multitasking e já não sabemos trabalhar ou estar de outra forma e olhamos de lado para quem não o faz, ou leva as coisas com mais calma. Somos fortes, somos melhores, somos tão bons.
Como todo e qualquer comportamento aditivo. a coisa só corre de feição durante algum tempo. às vezes mais, às vezes menos. Mas há sempre o momento da quebra. Em que, por alguma razão, o sentido vai-se perdendo, e o gozo que retirámos daquela vida sempre a abrir se perdeu algures. Procuramos e não o encontramos. Na eventualidade de conseguirmos fazer as alterações necessárias para o voltarmos a sentir, os momentos são curtos e sempre com menor intensidade. E cada vez menos frequentes. Começamos a fazer perguntas e a analisar mais criticamente o que nos rodeia. Queremos estabelecer novas metas mas, mais do que tudo, limites. Queremos saber que existimos para além do trabalho. E que somos devidamente recompensados por tudo o que fazemos infinitamente melhor do que os outros - não somos nós que o dizemos, são todas as coisas que fizemos infinitamente melhor do que os outros, e que foram reconhecidas por todos os que nos rodeiam, e chefiam, no momento em que as fizemos.
Mas a realidade é que não o reconheceram. Deram-nos palmadinhas nas costas e mais trabalho. Habituaram-nos e tornaram-nos dependentes. A chantagem emocional levada ao limite possível dentro do contexto empresarial: "se és assim tão bom deves conseguir fazer isto, não?". E nós fazemos uma e outra vez. Porque não queremos nem nos queremos desiludir. Até ao momento da quebra. Em que entramos em luta interna sobre o que somos e o que deveríamos ser. E as mazelas da chantagem emocional fazem-se sentir: a nossa auto-estima, batida que foi durante horas intermináveis, não nos deixa acreditar no que a nossa análise nos diz. Que fomos e estamos a ser chupadinhos até ao tutano, sem dó nem piedade. Que fazemos mais do que é humanamente possível para ser feito com qualidade, e mesmo assim, fazemo-lo com qualidade, que não estamos a exigir o mundo nem a construir castelos de nuvens sobre as nossas competências. Só a olhar para a realidade como ela é, como nós a fizemos e construímos.
O mundo profissional é e deve ser exigente. Mas os profissionais também. E as pessoas ainda mais.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
I´m a sucker for happy endings
Não sou a melhor pessoa do mundo. Não sou, nem sequer me dou muito a esse trabalho. Tento melhorar umas coisas, mas também gosto de ter os meus ressentimentos, os meus sentimentos negativos, as minhas pessoas odiadas. Às vezes sem motivos, só porque sim. Porque sou humana e não me cheira que me ponham, em versão figurino de cerâmica, em cima de um altar quando eu morrer. Não me cheira nem quero, que esta coisa da santidade dá trabalho mesmo post mortem... e eu quando morrer quero descansar.
Bem, sem outras divagações: não sou a melhor pessoa do mundo mas adoro finais felizes. Gosto de ver pessoas felizes. Não só no fim, mas também no meio e no início. Fico feliz por saber que as coisas correm bem, que as minhas amigas e amigos, ou até completos estranhos, atingem os seus objectivos. Gosto. Gosto de saber que tudo corre bem e fico contente quando isso acontece. Até nos filmes gosto de finais felizes.
Fico assim com um sorriso tontinho a ouvir, a sentir a felicidade dos outros. Felicidade dá energia. Dá coisas boas cá dentro. Mesmo quando a felicidade não me diz respeito directo a mim, sinto que me toca, que me abraça. Sinto a felicidade dos outros não como se fosse a minha, sinto-a apenas como ela é. Quente, dourada e redonda.
Habituei-me que a vida faz o que quer, porque o que controlamos é infinitamente menor do que o que não controlamos. Nessa hábito, habituei-me a esperar a que os momentos se desenrolem, que as coisas acontecem. A agir sempre que necessário, mas só quando necessário. Sinto que as pessoas felizes são assim, tomam a decisão certa no momento certo, e por vezes nem precisam de andar a correr atrás das coisas: são capazes de as apanhar no momento certo em que elas passam. Admiro a felicidade porque parte muitas vezes de decisões certas, às vezes arriscadas, às vezes inesperadas. Decisões que são baseadas em certezas, às vezes não palpáveis, certezas que temos cá dentro, certeza de que aquele é o nosso momento, a nossa pessoa, o nosso lugar.
Felicidade é também saber o que ser, onde estar e com quem estar. Felicidade é poder saber escolher, mesmo quando as escolhas são limitadas ou inexistentes, porque também podemos escolher como olhar para a vida e felicidade também é saber quando é preciso dar um passo para trás ou para o lado para, depois, quando for o momento certo, podermos andar em frente. Porque nos desviámos de um obstáculo intransponível. Felicidade é saber quem somos sem vergonhas ou mentiras. Não somos felizes sempre. Mas quando somos, fico feliz.
Gosto da luz nos olhos e nos sorrisos. E na voz. Gosto de ouvir pessoas felizes.
Bem, sem outras divagações: não sou a melhor pessoa do mundo mas adoro finais felizes. Gosto de ver pessoas felizes. Não só no fim, mas também no meio e no início. Fico feliz por saber que as coisas correm bem, que as minhas amigas e amigos, ou até completos estranhos, atingem os seus objectivos. Gosto. Gosto de saber que tudo corre bem e fico contente quando isso acontece. Até nos filmes gosto de finais felizes.
Fico assim com um sorriso tontinho a ouvir, a sentir a felicidade dos outros. Felicidade dá energia. Dá coisas boas cá dentro. Mesmo quando a felicidade não me diz respeito directo a mim, sinto que me toca, que me abraça. Sinto a felicidade dos outros não como se fosse a minha, sinto-a apenas como ela é. Quente, dourada e redonda.
Habituei-me que a vida faz o que quer, porque o que controlamos é infinitamente menor do que o que não controlamos. Nessa hábito, habituei-me a esperar a que os momentos se desenrolem, que as coisas acontecem. A agir sempre que necessário, mas só quando necessário. Sinto que as pessoas felizes são assim, tomam a decisão certa no momento certo, e por vezes nem precisam de andar a correr atrás das coisas: são capazes de as apanhar no momento certo em que elas passam. Admiro a felicidade porque parte muitas vezes de decisões certas, às vezes arriscadas, às vezes inesperadas. Decisões que são baseadas em certezas, às vezes não palpáveis, certezas que temos cá dentro, certeza de que aquele é o nosso momento, a nossa pessoa, o nosso lugar.
Felicidade é também saber o que ser, onde estar e com quem estar. Felicidade é poder saber escolher, mesmo quando as escolhas são limitadas ou inexistentes, porque também podemos escolher como olhar para a vida e felicidade também é saber quando é preciso dar um passo para trás ou para o lado para, depois, quando for o momento certo, podermos andar em frente. Porque nos desviámos de um obstáculo intransponível. Felicidade é saber quem somos sem vergonhas ou mentiras. Não somos felizes sempre. Mas quando somos, fico feliz.
Gosto da luz nos olhos e nos sorrisos. E na voz. Gosto de ouvir pessoas felizes.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
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YYYYYYYEEEEEEEEEEEEEEEEEEIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
Ando a "papar" "Fringe" como se não houvesse amanhã
O Fringe é uma série menos boa, de 2008, que eu sempre quis ver e que nunca consegui. Agora ando a vê-la. Inclui episódios onde pessoas infectadas com modificações de sífilis se têm de alimentar de medula óssea para sobreviver.
Ahhhh pois é. Bom como só eu sei escolher. Bem, pelo meio há toda uma teoria da conspiração que envolve a existência de universos paralelos que irão colidir. Só melhora não é? Mas, lá pelo meio também, falam de algo que pode passar facilmente despercebido, face ao tamanho dos outros non sense todos que por lá aparecem: do poder enorme que reservamos hoje para a tecnologia e de como cada vez mais é possível que, através dela, a Humanidade venha a sofrer consequências irreparáveis, até para a sua continuidade neste planeta.
Balelas. Mais do mesmo. Filosofia para burgueses (li isto no outro dia no Facebook e gostei). É verdade. Mas quando, no dia 26 de Dezembro, fico a saber por uma informação transmitida pelo meu telemóvel que outra pessoa, que não vejo há anos, recebeu um Iphone pelo Natal....
Venham lá os outros episódios do Fringe (são 5 temporadas e eu ainda vou na primeira. Não me sigam o exemplo, por favor).
Ahhhh pois é. Bom como só eu sei escolher. Bem, pelo meio há toda uma teoria da conspiração que envolve a existência de universos paralelos que irão colidir. Só melhora não é? Mas, lá pelo meio também, falam de algo que pode passar facilmente despercebido, face ao tamanho dos outros non sense todos que por lá aparecem: do poder enorme que reservamos hoje para a tecnologia e de como cada vez mais é possível que, através dela, a Humanidade venha a sofrer consequências irreparáveis, até para a sua continuidade neste planeta.
Balelas. Mais do mesmo. Filosofia para burgueses (li isto no outro dia no Facebook e gostei). É verdade. Mas quando, no dia 26 de Dezembro, fico a saber por uma informação transmitida pelo meu telemóvel que outra pessoa, que não vejo há anos, recebeu um Iphone pelo Natal....
Venham lá os outros episódios do Fringe (são 5 temporadas e eu ainda vou na primeira. Não me sigam o exemplo, por favor).
Estão sempre a dizer-nos para não deixarmos a nossa criança interior morrer
Porque é bom rir e brincar, porque é bom sonhar e sorrir. Por essas coisas todas que as crianças fazem milhares de vezes melhor do que os adultos. Para mim, não deixar a nossa criança interior morrer é particularmente importante pela simplicidade de raciocínio.
Na cabeça das crianças tudo é simples e linear. Demasiado linear, obviamente. Mas nem tanto ao mar nem tanto à terra: na cabeça dos adultos as coisas tendem a ser demasiado curvilíneas e circulares. Tanto que muitas vezes nos perdemos dentro dos nossos próprios raciocínios altamente complexos e intrincados e tão, mas tão... burros. A distância que separa dois pontos não tem de ser sempre igual à distância que separa a Terra da Lua. Às vezes podemos desenhar só uma recta. E já está. Será assim tão complicado? Adoramos as meias palavras, as meias frases e os segundos sentidos. Evitamos os momentos de confronto directo e de verdade. Não somos definitivamente como as crianças que se zangam diariamente com os seus melhores amigos, lhes batem e chamam nomes e os odeiam de morte até ao dia seguinte, altura em que tranquilamente voltam a ser os seus melhores amigos. Que simpatia seria se alguns dos sentimentos dos adultos pudessem ser abordados dessa forma. Mas na realidade... até podem.
Às vezes as palavras só querem mesmo dizer o que dizem, nada mais e nada menos. E às vezes fazemos as coisas só porque sim, porque "porque sim" e "porque não" são respostas tão válidas como outras quaisquer. Porque são. às vezes são as coisas só porque sim. Porque nos apeteceu ou apetece. Ou porque não faz sentido, e se não faz sentido porque é que havemos de o fazer? Porquê? Porque é que criamos tantas expectativas sobre o comportamento alheio, quando na maior parte das vezes os efeitos desse mesmo comportamento são pouco mais do que irrelevantes para a nossa via e inclusivamente para a nossa convivência?
Tudo isto me surgiu na cabeça ao quarto dia em que, depois de levar o meu filho à escola no carrinho dele, encontrei a mesma criança que, do alto dos seus 3 anos (mais coisa menos coisa) perguntou (como nos outros três dias anteriores) porque vinha uma senhora a empurrar rua abaixo um carrinho de bebé sem bebé. Porquê, meu Deus, porquê vem esta alminha a empurrar um carrinho de bebé sem bebé lá dentro? Que sentido tem isto?
Na cabeça das crianças tudo é simples e linear. Demasiado linear, obviamente. Mas nem tanto ao mar nem tanto à terra: na cabeça dos adultos as coisas tendem a ser demasiado curvilíneas e circulares. Tanto que muitas vezes nos perdemos dentro dos nossos próprios raciocínios altamente complexos e intrincados e tão, mas tão... burros. A distância que separa dois pontos não tem de ser sempre igual à distância que separa a Terra da Lua. Às vezes podemos desenhar só uma recta. E já está. Será assim tão complicado? Adoramos as meias palavras, as meias frases e os segundos sentidos. Evitamos os momentos de confronto directo e de verdade. Não somos definitivamente como as crianças que se zangam diariamente com os seus melhores amigos, lhes batem e chamam nomes e os odeiam de morte até ao dia seguinte, altura em que tranquilamente voltam a ser os seus melhores amigos. Que simpatia seria se alguns dos sentimentos dos adultos pudessem ser abordados dessa forma. Mas na realidade... até podem.
Às vezes as palavras só querem mesmo dizer o que dizem, nada mais e nada menos. E às vezes fazemos as coisas só porque sim, porque "porque sim" e "porque não" são respostas tão válidas como outras quaisquer. Porque são. às vezes são as coisas só porque sim. Porque nos apeteceu ou apetece. Ou porque não faz sentido, e se não faz sentido porque é que havemos de o fazer? Porquê? Porque é que criamos tantas expectativas sobre o comportamento alheio, quando na maior parte das vezes os efeitos desse mesmo comportamento são pouco mais do que irrelevantes para a nossa via e inclusivamente para a nossa convivência?
Tudo isto me surgiu na cabeça ao quarto dia em que, depois de levar o meu filho à escola no carrinho dele, encontrei a mesma criança que, do alto dos seus 3 anos (mais coisa menos coisa) perguntou (como nos outros três dias anteriores) porque vinha uma senhora a empurrar rua abaixo um carrinho de bebé sem bebé. Porquê, meu Deus, porquê vem esta alminha a empurrar um carrinho de bebé sem bebé lá dentro? Que sentido tem isto?
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