Porque é bom rir e brincar, porque é bom sonhar e sorrir. Por essas coisas todas que as crianças fazem milhares de vezes melhor do que os adultos. Para mim, não deixar a nossa criança interior morrer é particularmente importante pela simplicidade de raciocínio.
Na cabeça das crianças tudo é simples e linear. Demasiado linear, obviamente. Mas nem tanto ao mar nem tanto à terra: na cabeça dos adultos as coisas tendem a ser demasiado curvilíneas e circulares. Tanto que muitas vezes nos perdemos dentro dos nossos próprios raciocínios altamente complexos e intrincados e tão, mas tão... burros. A distância que separa dois pontos não tem de ser sempre igual à distância que separa a Terra da Lua. Às vezes podemos desenhar só uma recta. E já está. Será assim tão complicado? Adoramos as meias palavras, as meias frases e os segundos sentidos. Evitamos os momentos de confronto directo e de verdade. Não somos definitivamente como as crianças que se zangam diariamente com os seus melhores amigos, lhes batem e chamam nomes e os odeiam de morte até ao dia seguinte, altura em que tranquilamente voltam a ser os seus melhores amigos. Que simpatia seria se alguns dos sentimentos dos adultos pudessem ser abordados dessa forma. Mas na realidade... até podem.
Às vezes as palavras só querem mesmo dizer o que dizem, nada mais e nada menos. E às vezes fazemos as coisas só porque sim, porque "porque sim" e "porque não" são respostas tão válidas como outras quaisquer. Porque são. às vezes são as coisas só porque sim. Porque nos apeteceu ou apetece. Ou porque não faz sentido, e se não faz sentido porque é que havemos de o fazer? Porquê? Porque é que criamos tantas expectativas sobre o comportamento alheio, quando na maior parte das vezes os efeitos desse mesmo comportamento são pouco mais do que irrelevantes para a nossa via e inclusivamente para a nossa convivência?
Tudo isto me surgiu na cabeça ao quarto dia em que, depois de levar o meu filho à escola no carrinho dele, encontrei a mesma criança que, do alto dos seus 3 anos (mais coisa menos coisa) perguntou (como nos outros três dias anteriores) porque vinha uma senhora a empurrar rua abaixo um carrinho de bebé sem bebé. Porquê, meu Deus, porquê vem esta alminha a empurrar um carrinho de bebé sem bebé lá dentro? Que sentido tem isto?
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