Tenho um mar salgado e imenso dentro de mim. Feito das lágrimas não choradas, engolidas e caladas. É um mar, que afoga e que se formou por vontade de afogar tristezas. Umas tão profundas quanto o mar sabe ser, tão devastadoras como ele pode ser. O meu mar ocupa em mim o mesmo espaço que o mar ocupa na Terra. O meu mar sabe ser mar. Tem muitas tempestades, mas sabe ser mar e mantê-las ao largo, onde as vagas não conseguem atingir terra e onde a vida que há em mim não se apaga nem é ameaçada por elas. O meu mar aprendeu a ser mar porque se foi o mar que deu berço à vida na terra também o meu a sabe alimentar. O meu mar não tem medo nem vergonha de existir. Se foi formado do que magoa sabe transformar-se e ser energia do que é bom. O mar é força, é abismo, é movimento e maré. É capricho, é onda e vida. Em si, por si e para quem dele precisa. O meu mar é feito de tristezas lavadas e despidas, agora mais puras do que já foram, tristezas que sabem que o que são é demasiado importante para se deixarem cair no esquecimento. O meu mar inunda e lava, o meu mar purifica. O meu mar no seu poder violento protege e absorve o impacto de tudo o que dentro de mim acontece, desvanece a energia nos seus círculos concêntricos, cada vez mais largos e suaves. E sempre que é preciso engole o que é preciso que desapareça da vista. Sem lhe perder o rasto, sem esquecer onde se afundou aquele pedaço de vida. Que não morre e que pode dar mais vida à vida que dentro do meu mar vive. O meu mar é estrada para destinos nunca antes vistos, basta que o queira navegar. Basta perder o medo de enfrentar tormentas e posso chegar onde não me conheço, com todas as riquezas que lá posso encontrar. Basta querer e o meu mundo é meu. Basta arriscar. O meu mar de tristezas feito pode ou não ser fronteira intransponível. Basta eu querer.
quinta-feira, 16 de junho de 2016
terça-feira, 14 de junho de 2016
as coisas que o silêncio endireita cá dentro
quando a vida é turbilhão, o silêncio interior é um bálsamo. quando o interior é turbilhão, o silêncio para fora ajuda a endireitar o que está torto por dentro. muitos silêncios escondem mais palavras do que o discurso. muitos silêncios gritam, muitos silêncios choram. muitos silêncios impedem atitudes impulsivas, das que sabemos que nos vamos arrepender. ou atitudes que sabemos que terão demasiadas consequências para lidarmos com elas inconsequentemente. o silêncio ajuda a arrumar porque nos concentramos cá dentro, não desperdiçamos energia lá fora.
quando o silêncio me chega não sei se penso. acho que não. não me lembro dos pensamentos que tenho. não me lembro sequer de os ter. quando o silêncio me chega tudo se silencia. o meu cérebro desliga-se, protege-se da dor. os meus silêncios nunca são por coisas boas, nem por maior agitação. os meus silêncios são sofridos, dolorosos. acho que é o meu corpo a proteger-se de si próprio: do que sabe, do que sente, do que pensa. recolhe-se e ganha energias, não se esconde. sabe que tudo estará lá quando voltar, à minha espera, no mesmo sítio onde deixei tudo. e que tudo estará à espera de mudança, de movimento, de alteração. para que esse silêncio não se volte a repetir. os meus silêncios podem ser muito críticos: procuro primeiro em mim e depois nos outros o que falhou para o silêncio estar. dizem que o silêncio das mulheres é mau. sei que o dos homens é pior. "words create worlds. reality is silent". acho que este é o meu silêncio. quando a realidade se apresenta tal como é e eu a aceito, naquele momento, que não a posso contar de outra forma, pintar de outra cor. continuar a construir mundos com palavras que se desvanecem com o vento. o silêncio entra por mim quando olho para a realidade e sei que não me minto mais. que não há mais para dizer. só para fazer. e fazer não é simples. é preciso saber, ter certeza. organizar. e depois lidar com as consequências. a realidade quer-nos as mãos e o coração, não só a boca e a cabeça. a realidade quer-nos calados para não mentirmos, para não a enrolarmos, para não lhe perdermos tempo. a realidade quer-nos sem palavras e com acção. quando me chega o silêncio sei tudo isto e tenho medo.
sábado, 11 de junho de 2016
Um dia celebro o milhão de visitas
Hoje celebro as 5000!!!!!!!!!!!!!!! Yeiiiii!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
It's a kind of magic
Na suposição da beleza natural, humana ou não, surge-me sempre o conceito de magia. Há coisas que, de tão belas que são, são mágicas. Também há momentos mágicos, novamente pela sua beleza. Quando estamos com as pessoas certas, quando estamos a ouvir as coisas certas, quando o vento sopra de uma determinada maneira na praia e nos traz aquele cheiro a maresia misturado com um calor bom, quando o sol já se está a por. A magia sente-se nesses momentos, em que sorrimos bonito, aqueles sorrisos honestos, para ninguém, nem para nós. Sorrimos inevitavelmente, porque a magia nos obriga, porque é impossível não sorrir.
A magia vem sorrateira, testar-nos, saber se estamos para ela preparados. Os momentos mágicos perdem-se se não estivermos despertos e atentos para a sua existência. A magia existe mas só se nela acreditarmos. Se não, passa por nós e não se detém, tem mais por onde viver, mais onde tocar, não se desperdiça, sabe a sua importância e não se dá sem saber que vai ser recebida. A magia vive-se num momento, e depois segue o seu caminho. Foge-nos depois de nos emocionar, depois de nos encher o coração e os sentidos. Depois de nos mostrar como a magia é fantástica ela própria corre para longe de nós. Para nos fazer ansiar por mais, para nos mostrar como é mais do que nós, para nos fazer ver que sem magia a vida é só um passar de tempo inconsequente. Porque o coração não bate e o sorriso não aparece.
A vida tem magia escondida. Tem mesmo.
A magia vem sorrateira, testar-nos, saber se estamos para ela preparados. Os momentos mágicos perdem-se se não estivermos despertos e atentos para a sua existência. A magia existe mas só se nela acreditarmos. Se não, passa por nós e não se detém, tem mais por onde viver, mais onde tocar, não se desperdiça, sabe a sua importância e não se dá sem saber que vai ser recebida. A magia vive-se num momento, e depois segue o seu caminho. Foge-nos depois de nos emocionar, depois de nos encher o coração e os sentidos. Depois de nos mostrar como a magia é fantástica ela própria corre para longe de nós. Para nos fazer ansiar por mais, para nos mostrar como é mais do que nós, para nos fazer ver que sem magia a vida é só um passar de tempo inconsequente. Porque o coração não bate e o sorriso não aparece.
A vida tem magia escondida. Tem mesmo.
segunda-feira, 6 de junho de 2016
A filha da puta de vida de cá e a filha da putice da vida lá fora
Ora bem, este post é um manifesto pessoal (como todos os outros, já que sou eu que os escrevo, mas pronto). E é um manifesto em que me vou manifestar ambivalente acerca de várias coisas, não só apenas entre dois pontos.
Os primeiros dois são a felicidade e a tristeza acerca da vida de alguns amigos meus. A filha da puta de vida que se leva neste país interessa a muito pouca gente. Muito menos a pessoas que se empenharam na sua formação e no desenvolvimento das suas capacidades profissionais. Que se vêem a braços com chefias paradas no tempo intimidadas com as novas formas de pensar e de fazer as coisas. Acomodadas há tanto tempo nos seus locais de poder temem perdê-lo e boicotam activamente tudo o que de novo se tenta fazer. Ou então não suportam o sucesso dos seus colaboradores subalternos. Portugal vive destes ódiozinhos desprezíveis que nos agarram a uma fraca evolução enquanto comunidade, enquanto país, enquanto local onde vale a pena investir. Muitos amigos meus estavam e estão nesta situação. Com elevado potencial profissional, com ambição e empenho e sem grande futuro à vista, por tudo o que já escrevi. Pode pensar-se: desistir é fácil, fazer diferente que é bom 'tá quieto! Sim, é verdade. Isto não é apenas uma coisa que possa ir ao fundo, se todos abandonarmos o barco. Isto é um país, terra de gente real, terra feita de pessoas para elas próprias, por isso convém não desistir assim facilmente. Concordo. Concordo tanto que estou por cá (agora é por cá que estarei) e estando por cá não desisto, tento fazer o que está nas minhas mãos para que a coisa avance, para que a coisa evolua, para que a coisa melhor. Mas cansa. E às vezes desespera. Por isso, quando se fala na possibilidade de ir, eu sou sempre das primeiras a incentivar. Mea culpa. E até incentivo os meus amigos. E eles até vão. E porra, têm ido à séria. A filha da puta da vida lá fora ganha à filha da putice da vida que anda cá dentro e eles tomam as suas decisoes. Certas. São decisões certas, estas que eu aplaudo de pé. Mas fico sem amigos à mão! E agora os que cá estão vão odiar-me mas não odeiem. Eu sei que vocês estão cá, eu também estou, e somos amigos. Mas este último ano foi arrebatador, arrebanhador de amigos lá para fora. Nós ficamos cá, a tomar conta deste pedaço de terra, a tentar partir cabeças de pedra e tornar isto mais funcional, mais amigável à vida humana, mais capaz de nos retribuir o que lhe queremos dar. Para as vossas reformas, quando retornarem qual inglês na terceira idade à procura de um inverno gentil e um verão glorioso.
P.S.: quando vocês vierem vou para Bali. Só para ficar registado.
P.S.: quando vocês vierem vou para Bali. Só para ficar registado.
Subscrever:
Comentários (Atom)