sábado, 6 de agosto de 2016

Às vezes a subir, às vezes a descer

Mas sempre para a frente. A vida é um caminho que até se pode enrolar sobre si próprio, mas que nunca nos deixa andar para trás. Andamos sempre em frente. Sempre. Também não interessa se subimos a custo, se descemos desenfreados ou se flutuamos lenta e alegremente a direito. O inevitável é que seja para a frente. Direita, esquerda, curva apertada ou lomba discreta. Nada de nada. Tudo em frente.

Não me custa esta ideia do passado ser passado. Até gosto. A olhar para o meu rebento, que já se "tenta" empinar do alto dos seus 3 anos, penso que gostei de todas as fases que a vida dele me fez viver até agora e que não tenho saudades, daquelas saudades que nos fazem desejar que o tempo volte atrás, de quando ele era pequeno (ainda mais pequeno, claro). Foram coisas boas que se viveram, novas e maravilhosas, mas apesar de as ter amado intensamente, não consigo dizer que as queria outra vez, porque agora também são coisas boas, novas e maravilhosas as que se vivem. E assim serão sempre. 

Mas não sinto isto só com este aspecto particular do passar do tempo. Tudo tem o seu tempo, e poucas as vezes as coisas podem ser deslocadas no tempo. Não dá para fazer buffet da vida, em que enchemos o prato só com o que queremos comer. Se estou aqui sei que ganhei e perdi coisas, boas e más, que não trouxe comigo para a frente ou só as tenho por ter aqui chegado. É-me confortável a ideia do presente, desta prenda diária que tantas vezes me desespera e faz chorar. Quase no mesmo número de vezes em que rio e sorrio e amo. Aqui e não noutro momento, que já é outra vida, outra história, que já não sou esta eu e que, portanto, já não saberia estar com aquele momento como estive. Há muita coisa que penso que faria diferente, mas não senti até agora que gostaria muito de ter a possibilidade de voltar atrás. Com tudo o que aconteceu, com tudo o que ficou, com tudo o que se perdeu. O meu momento é agora. Como será amanhã e foi ontem. Agora. Tudo se faz agora, tudo se resolve agora. Nada se pode fazer ontem ou amanhã, que já foram agora e já tiveram o seu momento ou ainda nem chegaram e portanto nunca saberemos como serão agora, no seu momento. 

Este é o ritmo da vida. Para a frente, na sua cadência, que não nos respeita desejos ou impulsos. Que exige respeito e encolhe os ombros às nossas vontades de velocidade, rápida ou retrógrada. Este é o ritmo que é o nosso, mesmo que não o queiramos, que o quero. Porque em todos os meus momentos que já foram agora, tomei as decisões para estar aqui. E aqui énmaos à frente do que já foi. Posso ter voltado atrás, estar a repetir caminho, ou ter tomado um atalho. Mas estou sempre mais à frente agora do que já estive. Noutros agoras. Aqui é bom. E se for mau, mas der para mudar agora, podemos mudar. Se não esperamos que o agora da mudança chegue. Que há de chegar. À frente, no seu agora correcto.

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