Mas, como tudo na vida, nem tanto ao mar nem tanto à terra. Cingir-nos exclusivamente ao plano fará com que não tenhamos capacidade de improviso. Jogo de cintura. E na verdade, a adaptação de um plano às contrariedades da realidade que encontra poderá, com toda a certeza, criar uma solução mais adequada e resistente do que a que foi inicialmente antecipada.
Logo, começar e acabar uma coisa deve ter um início simples, que é o do conhecimento sincero e extenso sobre as nossas forças, facilidades e dificuldades. Sabermos exactamente do que somos capazes e do que não somos, reconhecer onde com toda a probabilidade vamos falhar e onde teremos sucesso será o início do melhor plano. Sem vergonha, sem o idealismo do politicamente correcto, sem a ideia absurda do absolutismo em qualquer das suas formas. A olhar para dentro e para fora, para o reflexo dos nossos olhos no espelho e saber honestamente o que lá está. Sem precisarmos de elaborar ou pintar de outra forma o que é. Reconhecendo-lhe as arestas e as falhas, mas também todo o seu potencial de crescimento. Somos a matéria prima de todos os nossos planos, porque nós somos efectivamente a única variável do plano que teremos a certeza que vamos controlar. Não vale a pena fingir. É na nossa natureza que reside o nosso futuro, a direcção para onde o nosso caminho se aponta. Se a matéria prima é uma, não podemos contar que o caminho se incline para o seu lado contrário.
E isto não quer dizer que estamos determinados inexoravelmente a um dado percurso, porque a mudança existe e somos bem capazes dela. Mas também esta capacidade de ouvir, sentir e fazer a mudança tem de ser da nossa natureza. Têm de estar em nós a coragem, a humildade e a inteligência necessária à mudança.
Fazer planos para caminhar face a um objectivo é também, assim, mudar. Planeamos para deixar de estar onde e como estamos, planeamos quase sempre para melhor (ou então para evitar o pior).
Planeiem olhando não só para fora, em tentativas inúteis de controlar o incontrolável. Planeiem olhando para dentro, criando úmeros de qualidades, capacidades e mais-valias internas. Planeiem olhando para a vossa tolerância à frustração, pensando e sentindo onde boa vais ajudar e vos vai falhar. Planeiem pensando onde irão buscar mais forças para continuar, quando as variáveis incontroláveis tomarem conta do vosso plano e, tantas vezes, do vosso mundo. Planeiem sem receio de falhar, porque é tão provável que isso aconteça..., planeiem sem receio de falhar porque ao conhecerem as vossas forças, capacidades e recursos, torna-se difícil que o vosso plano falhe. Mesmo que acabe por ser um plano completamente diferente do original, mesmo que o ponto da meta real diste quilómetros do ponto da meta pensado.
Planeiem-se e façam-senão caminho. Porque o plano somos só nós.
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