terça-feira, 19 de abril de 2016

Mais um capítulo (in)feliz do livro “as maravilhas da maternidade”


Hoje os miúdos não “atiram o pau ao gato” porque o gato não morre, vá-se lá pensar em gatos que morram. Coisa que os gatos nunca fizeram, gastar nenhuma das suas 7 vidas. As velhas também já não “matam gatos” porque não lhes batem com as pontas do sapato. Percebo agora uma certa perseguição, pelas canções infantis, da vida felina em geral. Mas não se cantam estas coisas porque as crianças não podem conviver com violência ou com a morte. Não vá dar-se o caso de traumatizar as crianças. Vêem desenhos animados que não contam histórias, que tentam impingir valores artificiais com manobras que muitos ainda não percebem. Dão-lhes soluções imediatas e impensáveis, que nunca encontrarão na vida real e que os fazem supor uma vida sem dificuldades, perigos ou ameaças. Crianças que ao mesmo tempo vêm outras crianças mortas na praia, nos escombros de uma guerra qualquer, ou têm acesso a jogos em que zombies explodem depois de metralhados, com pingos de sangue, miolos e restos de corpos pelo ecrã. Tudo normal.
Outra coisa que me irrita e incomoda é que não há diferenciação. Ganham todos, nunca ninguém chega em último, somos todos vitoriosos e nunca há erros. Os bons alunos são bons e os maus também, poucos são os que chumbam (Deus nos livre de tal acontecer) e castigos, punições ou que tais não devem acontecer. Não vá dar-se o caso de traumatizarmos as crianças. Se não conseguirem fazer as coisas, os professores têm de tentar de outra forma, ou diminuir a dificuldade do exercício.  Não me entendam mal,
Não me lembro de ter perseguido gatos porque cantei que a velha os matava com a ponta do sapato. Nunca me deu para isso. Nem aos meus outros colegas. Cantávamos as músicas e era só. Nem os meus pais se preocuparam se eu ia seguir pela rua fora a atirar paus ou aos pontapés aos bichanos. Não se preocupavam porque se preocupavam em ensinar diferenças entre o bem e o mal, o certo e o errado. Mal ou bem aceitavam que teríamos de aprender estas diferenças por nós, aceitavam que nós íamos cair e fazer mal, para depois podermos fazer bem.
Na minha altura havia bons alunos. E maus, os que chumbavam e passavam mal nas mãos dos professores. Não havia desculpas nem segundas tentativas, no máximo construíam-se planos de recuperação para os alunos que tinham muitas negativas conseguirem passar com notas a razar a positiva. Mas os planos não resultavam sempre e muitos repetiam anos intermináveis. Porque se aceitava que a escola não era para todos, porque nem todos podiam nem deviam nem queriam ser doutores. O mundo profissional era mais amplo, porque as licenciaturas não eram para todos. Se o queríamos tínhamos de tentar, uma e outra vez. Até conseguir. Ensinavam-nos a tolerância à frustração, não se curvavam caminhos rectos porque os caminhos eram para ser feitos pelas pessoas, e não para as pessoas. Aprendíamos a crescer, com as contrariedades que a vida tinha e nos apresentava.
Lembro-me de estar num intervalo e um colega ter perguntado a uma colega, que sempre tinha tido más notas: “que vais fazer depois do 12º ano?”. A resposta foi “tirar Medicina Dentária”. A resposta dele foi brilhante: riu-se na cara dela, na boa forma como os adolescentes conseguem ser maus uns para os outros. Riu-se e disse-lhe: “tu não tens notas para acabar o secundário, vais fazer com que os teus pais gastem quanto para acabares um curso de 6 anos?”. Foi mau? Sim. Mas foi realista. Ela não conseguiu entrar para medicina dentária. Nem na privada, é claro, porque na pública era completamente impossível. Foi mau? Se calhar não. Se calhar há alturas em que temos de saber efectivamente a verdade, a realidade. Acho que os miúdos devem ter contacto com os nãos e com as frustrações no seio familiar, onde há espaço para caírem amparados, onde por muito que doam, os nãos são ditos com amor e com compreensão. Porque vão ouvi-los inevitavelmente, de pessoas que não querem saber deles, que não se vão impressionar com as suas tristezas, e deverão nessa altura estar já preparados para os enfrentar.
Na escola das mães que não existe ninguém nos diz que dói dizer que não, que temos de os ouvir chorar e continuar a dizer que não, esperando que o carácter se forme em frente à contrariedade, percebendo que existem limites que não se podem contrariar ou ultrapassar.

e para terminar com uma canção infantil altamente traumatizante, aqui fica a letra do "there was an old lady"

There was an old woman who swallowed a fly,
I don't know why she swallowed a fly,Perhaps she'll die.

There was an old woman who swallowed a fly,
That wriggled and jiggled and tickled inside her,
She swallowed the spider to catch the fly,
I don't know why she swallowed the fly,
Perhaps she'll die.

There was an old woman who swallowed a bird,
How absurd! to swallow a bird,
She swallowed the bird to catch the spider,
That wriggled and jiggled and tickled inside her,
She swallowed the spider to catch the fly,
I don't know why she swallowed the fly,
Perhaps she'll die.


There was an old woman who swallowed a cat,
Imagine that! to swallow a cat,
She swallowed the cat to catch the bird,
She swallowed the bird to catch the spider,
That wriggled and jiggled and tickled inside her,
She swallowed the spider to catch the fly,
I don't know why she swallowed the fly,
Perhaps she'll die.


There was an old woman who swallowed a dog,
What a hog! to swallow a dog,
She swallowed the dog to catch the cat,
She swallowed the cat to catch the bird,
She swallowed the bird to catch the spider,
That wriggled and jiggled and tickled inside her,
She swallowed the spider to catch the fly,
I don't know why she swallowed the fly,
Perhaps she'll die.


There was an old woman who swallowed a goat,
Just opened her throat! to swallow a goat,
She swallowed the goat to catch the dog,
She swallowed the dog to catch the cat,
She swallowed the cat to catch the bird,
She swallowed the bird to catch the spider,
That wriggled and jiggled and tickled inside her,
She swallowed the spider to catch the fly,
I don't know why she swallowed the fly,
Perhaps she'll die.


There was an old woman who swallowed a cow,
I don't know how she swallowed a cow!
She swallowed the cow to catch the goat,
She swallowed the goat to catch the dog,
She swallowed the dog to catch the cat,
She swallowed the cat to catch the bird,
She swallowed the bird to catch the spider,
That wriggled and jiggled and tickled inside her,
She swallowed the spider to catch the fly,
I don't know why she swallowed the fly,
Perhaps she'll die.


There was an old woman who swallowed a horse,


She's dead—of course!

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