quarta-feira, 18 de maio de 2016

Embalada agora não travo

Ora bem..... Pegando e continuando com o tema do post anterior, que isto é material para render mais dois posts, com sorte e com jeitinho, raistaparta também devia ser uma palavra. Porque raistaparta (ou raistapartissem) não é a mesma coisa que raios te partam. Não é. Não é a mesma ideia, conceito, sentimento. Quando se ouve um raistaparta pensam-se outras coisas do que quando ouvimos um raios te partam. Inventam tanta coisa, podiam deixar-nos acrescentar o dicionário. Mas como não estou a pedir cortes, só aumentos, não me devem atender.

Em período de acrescentos, acrescentaria também o célebre (para os alunos de psicologia do meu ano) fascisnada - não me perguntem, é uma homenagem. Mas será uma mistura entre fascinada e excitada imagino eu. Acho que a pessoa que o disse também não sabia muito bem o que queria dizer. Não sabia nunca nem naquele momento. Brilhantismos de uma longa carreira académica.

Os meus actuais alunos teriam imensas palavras para acrescentar: méquié ( que também não é a mesma coisa que como é que é), soa (com um pequeno estalido de língua no início da palavra, diminutivo óbvio de pessoa), entre muitas outras. Na realidade, se calhar era preciso um dicionário só para eles, para suportar uma língua só deles. Porque não lhes chega sequer o dicionário de calão já existente. É todo um outro potencial linguístico, acreditem. Não nos metamos nisso, portanto. Já nos basta um português a ser corrigido por um acordo que claramente não reúne consenso, para ainda nos termos a braços com um outro tipo de português. Que escreve "tar" e "precisa mos" e "esperiência". Sem dó nem piedade nem remorso. Bola para a frente que agora há corretores automáticos em tudo o que se usa, que ninguém lê textos muitos extensos (dez linhas são a nova definição de livro), e que escrever enquanto se anda, estuda, come ou qualquer outra coisa não permite grande elaboração artística. 

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