Antes disso, assumamos, nem todos fomos feitos para falar em público. De todo. Há quem fale durante horas com capacidade para manter o público atento, interessado, envolvido. É verdade. Mas também há quem vá perdendo, logo desde o início da sua intervenção, o público. Porque não se preparou, porque fala do que não sabe ou fala sem paixão. Há outros erros que vão acontecendo pelo meio, como observações dirigidas ao público incorrectas ou desadequadas... Já vi e ouvi tanta coisa... Enfim. Mas ainda por cima, cereja em cima do bolo, não respeitam o tempo.
E depois o público começa a ficar impaciente. Remexe-se na cadeira, olha para o lado, mexe no telemóvel. Viva o Wi-Fi que nos liberta a mente para outras coisas que não o que se passa a nossa frente. Em mau, muito mau. Ora bem, pessoas fofinhas: quando vocês não respeitam o tempo, as pessoas depois não fazem perguntas. Querem com todas as suas forças o coffee break, querem levantar-se, falar com quem está ao seu lado sem ser baixinho. Portanto vão bater palmas durante meio minuto - falsas, meus amigos, falsas, não tenham ilusões, são palmas de alívio - e debandar da sala. Assim mesmo, em debandada. Sem quererem saber de esclarecer dúvidas, fazer perguntas ou o que seja. E a vossa comunicação foi assim estéril. Totalmente. O conhecimento nasce da partilha e da discussão. Não da declamação. Declamar não é comunicar. Poupem-se: a voz e o tempo. Cumpram o tempo. E o universo do conhecimento anda para a frente.
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