Agora falemos do que também importa, do que este jogo nos mostra das piores qualidades humanas, dos que pequeninos não conseguem explicar os seus fracassos e empurram a responsabilidade para o sucesso dos outros. Desvalorizando-o, atribuindo-o à sorte, ridicularizando um brilho óbvio e tentando, sempre que possível, extingui-lo. O que isto me incomoda. Não fazem ideia. A pequenez humana nesta vertente é odiosa, vergonhosa, assassina. De que vale não saber dizer "ele é melhor do que eu a fazer isto"? Ou sequer dizer que "ele é tão bom como eu a fazer isto". Que ganho eu com isso, a não ser um inimigo? Como ajudo eu o mundo a avançar se ponho o avanço para trás das minhas costas, escondendo com a minha figura o sucesso de outra pessoa? O que a França fez, em conjunto com tantos outros jornalistas de diferentes nacionalidades, foi não saber lidar com a sua frustração, com a sua incapacidade de lidar com uma equipa coesa de futebol, como se viu, em que os jogadores entenderam finalmente que o conjunto é sempre maior do que a soma das partes, e que o espírito de equipa tem uma força mais do que extraordinária, sobre-humana. A maledicência foi só a reacção pequenina de quem não tem os ditos no sítio para dizer que foi pior do que o outro. Que não lhe chegou aos calcanhares. Aliás... Parece-me que pequenino e feio foi o futebol de Payet, jogada encomendada para matar o que eles sabiam que não iam conseguir contornar. Do que tinham medo. Depois a pisadela ao Quaresma e as jogadas sobre o Nani. Isso é ser pequenino é feio. Como sabemos que tantas pessoas fazem, comentários pelas costas a denegrir outras, a minar trabalho e relações, a assumir louros de coisas que não foram as suas mãos que fizeram. O que isto me incomoda. Não fazem ideia. Depois é difícil controlar o orgulho desmensurado de termos ultrapassado o campo de minas, de termos chegado ao fim vitoriosos, de podermos olhar para trás e fazer-lhes o manguito de lágrimas nos olhos. Filhos da puta que não nos viram como o que realmente somos: bons. Capazes. Esforçados e envolvidos. Filhos da puta que nos quiseram matar os sonhos com palavras e sem acções. Porque se sabam incapazes de nos parar. Filhos da puta.
A França foi espelho da arrogância que mascara o medo. E se eles me passarem à frente? O que faço eu? Como me mantenho capaz de prosseguir o meu caminho, sem me deixar morrer por causa de uma frustração, uma só? Ou mais que uma, como sabemos do Éder? As vidas difíceis não deviam ser demonstração que o sucesso é possível sempre? Mesmo que não como o imaginámos, mesmo que abrindo mão das nossas primeiras expectativas. Caralho para a pequenez humana. Que não sabe beber da felicidade alheia e procurá-la para si, sem querer a que é dos outros. Viram os islandeses? Quando perderam? Aquilo é ser grande em todos os momentos. Aceitar que ganhar implica perder. Sempre. Para sermos melhores, aprendermos sobre as nossas falhas e crescermos. Aprendam a humildade que vos atirará para a riqueza de espírito. Os islandeses vão continuar a trabalhar para atingir os seus objectivos. Aquilo foi um sonho, sim. Mas são estes sonhos que abrem a porta para a realidade do que é possível.
Muitas vezes não estamos em equipa. Muitas vezes não estamos muitos contra o mundo, muitas vezes somos só nós.tambem não contra o mundo, mas contra uma alminha pequenina e desprezível que nos quer mal, que nos quer arrasar do seu caminho, porque já percebeu que não sabe como nos ultrapassar. Sem sequer considerar que muito mais ganharia se caminhasse connosco. Para onde fosse. Mas todos nós somos um mundo. Acreditem. E as palavras são vento. E poucos são os ventos que uma árvore não tolera. Acreditem.
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