segunda-feira, 27 de julho de 2015

Para além das provas científicas da vida depois da morte....

.... Tenho provas inequívocas da existência do superego. 

Ora bem.... Este mês é especial. Muito especial. Por muitas razões. Ando a mil. Mil milhões. 
Uma amiga mandou-me um sms "almoçamos?". Não podia responder no momento, ainda por cima ia dizer que não. Nunca mais me lembrei. Nunca mais. Até que este sábado, mais precisamente na noite de sábado para domingo, o meu superego lembrou-se de me lembrar. 
Sonhei que a minha mãe estava zangadíssima comigo, a insistir que enviasse um ramo de flores à minha amiga, para agradecer o almoço que ela nos tinha enviado às duas. E ligava-me insistentemente para me dizer que eu nunca fazia as coisas quando devia. 

Acordei e andei a arranjar forma de pedir desculpa. A minha colega tirou psicologia clínica, vertente dinâmica. Até aqui o destino me castiga. 

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Vida para além da morte? Já acreditava nesta hipótese, mas agora... Agora tenho provas científicas da sua existência!

Ora bem.... A minha vida de monótona não tem mesmo nada. E este post tem a colaboração não voluntária da V - que quando soube da história me mandou um sms que começava por "OMFG" tal como eu esperaria dela.

Há muitos anos, mesmo muitos, conheci uma pessoa. Podia escrever tive a infelicidade de conhecer uma pessoa, mas não precisamos de chegar aí. Conheci uma pessoa e quase que tive uma relação com ela. Quase. As coisas eram engraçadas, eu estava num período esquisito da vida e achei que aquilo me ia dar um empurrão para sair do buraco. E ele beijava bem. Saímos algumas vezes e uma vez tive de sair para ir salvar a minha amiga V de cometer um assassinato. Sem exageros. Ela estava mesmo capaz de matar a pessoa e eu achei melhor, apesar de tudo, por a amizade acima do que estava a acontecer. Deus não dorme e eu devia ter percebido que era Ele, através da minha muito agnóstica amiga V, que me estava a salvar dum precipício. Onde eu teimosamente vim a cair sozinha e voluntariamente. 
Na realidade, a minha expectativa daquela relação acabou por se concretizar, apenas duma forma muito diferente daquele que eu tinha antecipado. Tive o meu desejado empurrão e saí do sítio esquisito onde estava. Mas porque fugi, a bater com os calcanhares no rabo, do que me estava a acontecer.
A coisa acabou mal. Não a soube acabar bem mas também não me preocupei muito em acabá-la bem. Tudo tranquilo, fui explícita a fugir. Mesmo explícita. Algum tempo depois fui até má quando respondi a uma sms. Mesmo má. A tentar matar a cena. 
Agora, quase dez anos depois recebo um sms - mal de quem não muda de número de telemóvel - "olá miúda". Não fazia ideia de quem era o número. E depois soube. E depois começam as perguntas: A sério? Mas mesmo a sério? Miúda???? Respira fundo. Muito fundo. E bloqueia o número no Whatsapp.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

o silêncio, deixa-me ileso...

assusta-te o futuro? não. pratica o desapego. aceita o que vem, o que está, porque com tombos e resvalos, toda a vida acaba por se encaixar, fazer sentido, progredir. basta que a aceitemos como ela se apresenta.

bonitas frases, bonito de dizer, difícil de pensar, difícil de sentir, difícil de fazer. a raiva. sabe-me muitas vezes a boca às raivas que calo, que tenho de calar. para não partir para a estupidez. tenho muitos momentos de cartoon na minha cabeça: de repente sou um boneco em desenhos animados que estou, qual Homer Simpson, lançada à garganta da criatura a quem estou a fazer saltar os olhos das órbitas. tenho muitos momentos assim. é o que me ajuda a voltar a respirar, é o que me permite o pequeno escape onde posso "fazer" o que eu queria: revoltar-me, gritar, estas coisas todas que aprendi a calar cá fora, ditas e postas fora do peito. a zanga personificada naquele momento cartoon dentro da minha cabeça: sou o Homer Simpson e aperto o pescoço às merdas que me põem no caminho.

aceitar o que vem e o que está é bonito e fácil quando isso não implica ter de aceitar uma besta qualquer a dizer umas quaisquer bestialidades sobre coisas verdadeiramente importantes. esta é a parte mais difícil. cala-te minha besta. cala-te, por favor. o silêncio é um bem tão precioso, porque não te calas tu?! porque será que o silêncio perdeu valor? agora escrevemos mais do que falamos, mas escrever também é falar. e falamos e opinamos mas não nos damos ao trabalho de ouvir o que estamos a dizer, nem de ver o dano que causamos com as nossas palavras. ou se calhar não o queremos ver: uma das formas mais fáceis de atenuarmos o nosso sofrimento pode ser criar uma onda de sofrimento geral. deixamos de estar sozinhos e o sofrimento é mais tolerável.

por isso há muitas bestas por aí, a dizer bestialidades. a causar o caos que sentem nas suas vidas nas vidas alheias. muitas muitas muitas.

a importância dos dois dígitos

raismapartam se não seria mais fácil eu ser uma pessoa efusiva e que soubesse expressar siginficativamente melhor as emoções fisicamente. mas não sou. já o disse noutras alturas: não sou efusiva, sou intensa.

conhecer alguém há mais de dois dígitos, que não seja família, é para mim um marco importante. talvez porque tenha conservado poucas amizades do antigamente: fui (me) perdendo (d)as pessoas, que passadas não se fizeram presente. conhecer, aqui, não quer dizer conhecer, quer dizer conhecer, gostar, ser amiga. por isso, quando passo os dois dígitos com alguém estou a atingir um marco verdadeiramente importante.

dez anos é muito ano, muito dia, muita hora. dez anos é muito tempo. se a isso juntarmos que foram mesmo quase dez anos, porque houve muita hora de convivência diária. o tempo é ainda maior.
se a este facto juntarmos que nesta grande convivência foram vividos muitos e muitos e ainda mais momentos intensos, o tempo que já era muito, volta a esticar. se a estes dois factos juntarmos que em muitos desses momentos intensos, esta pessoa, que nós conhecemos há mais de dez anos foi o nosso apoio, o nosso escudo, a nossa crítica e o nosso ânimo, voltamos a esticar o tempo já esticado que já era grande.

às vezes paro, tenho parado e olhado para o que está e o que foi e o que há de ser. paro para pensar e penso que não há nada em que pensar. o que está a acontecer não é emoção só, é vida, é mais que nós e está para além de nós. ficam memórias e pedaços de coração agarrados uns aos outros.
um dia havias de cá estar. hoje é o dia.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Eu sou mãe e também vou às festas dos meus filhos

Mas vamos lá bem a ver pais/avós/tios deste país: para que são as cenas menos próprias de braços no ar, aos saltinhos, no meio do público, a chamar o vosso filho/neto/sobrinho???? Dizei-me pessoas, para quê? 
Quando eles são mais crescidos, até é um comportamento mais ou menos tolerável, mas corremos sempre o risco de os desconcentrar, e fazer com que se esqueçam do que têm de dizer ou de fazer. E nós estamos lá para os ver a eles. Não o contrário. Eu consigo acreditar que eles se lembram de vocês os terem deixado lá e de lhes terem dito que vão estar no público a filmar e tirar fotos e a ver. Eles sabem que vocês lá estão, gostam do vosso apoio, mas provavelmente estão nervosos e o melhor mesmo é não os chamarem. A sério.
Mas o pior é mesmo quando são mais pequenitos. Nestas idades eu sou um bocadinho contra as festas do colégio. As crianças têm dificuldade em gostar de estar a fazer aquilo, perdem-se nas coreografias e nunca na vida se irão lembrar que aos 18 meses fizeram uma figuraça na festa da escola. E provavelmente porque em todas as fotos estão a chorar porque vos viram a acenar, a atirar beijinhos e cenas parecidas e, como é óbvio, quiseram abandonar o palco. Movimento que foi contrariado pela educadora e, como é óbvio, resultou num coro brilhante e contagioso de gritos lancinantes e lágrimas gordas.
Podíamos ficar por aqui mas depois há o momento final, a cereja em cima do bolo: a devolução das crianças. Pais, calma. Elas não se perdem nos bastidores e as educadoras não querem ficar com elas. Portanto, mais segundo menos segundo, terão o vosso filho de volta. Mas para que isso aconteça, se calhar desimpedir o acesso à porta é boa ideia. Para que as outras crianças que não as vossas possam ser entregues aos pais. As educadoras chamam por vocês. Garanto-vos.
Posto isto, tirem fotos, filmem, batam muitas palmas no fim, sorriam, riam e babem de orgulho à medida que o petiz vai evoluindo. Mas tudo sem cenas macacas desnecessárias, há que manter o nível. As crianças agradecem.

Olhós namorados, primos e casados...

Eu sou do tempo em que se cantava isto aos amigos, para os irritar, quando uma rapariga sentava mais próxima dum rapaz. Tinha uma continuação, mas já não me lembro.

A intimidade não é amor. Não é sexo. Não é nudez. A intimidade é estarmos dispostos e à vontade para nós expormos, numa relação em que dois são um, naquele momento. A intimidade é boa e assustadora, porque acontece quando estamos mais vulneráveis, mas nos quisemos pôr assim. Naquele momento, quem connosco está podia tirar-nos tudo, de supetão, mas não o faz porque está exactamente na mesma situação. Pusemo-nos, despidos de tudo o que nos protege, nas mãos um do outro. E percebemos a força que assim se cria, na perfeita consciência um do outro, das nossas virtudes e defeitos, dos nossos limites e da perfeição da imperfeição humana. Encaixamos nas limitações do outro, quando ele encaixa nas nossas. Peças imperfeitas para criar uma máquina humana fantástica. A intimidade não acontece porque se cria, só. Tem também de acontecer por ela, naquelas magias únicas das relações humanas. Naquela delicadeza bonita dos actos de amor cuidados e profundos, puros, do dar porque sim, porque é o que faz sentido, porque o momento assim nos pede.

A intimidade é dizer é isto que sou e é disto que sou feita. Sabendo que vai existir um sorriso de compreensão nos outros olhos que também me estão a ver assim. A intimidade acontece no amor, na nudez, no sexo. A intimidade acontece quando contamos um segredo, ou ouvimos uma confissão. A intimidade exige uma proximidade que não é só física, é das almas que se tocam. 

Mais uma lição aprendida com humildade. Hoje. 

Tudo na vida é temporário, até a vida

Agora já se pode falar da coisa como ela é, sem disfarces, e sem meias palavras. 
Não foi um sítio fácil de atingir, e não o atingi sozinha. Passaram muitos momentos de incerteza, de pouca certeza e de desespero. Mas já cá estou e daqui não saio. Só para a frente, que para trás não há caminho. 
Quando comecei a falar na minha decisão, que estava há muito tomada e era uma certeza clara, senti, como já tinha acontecido noutros momentos da minha vida que nada seria como dantes. Não havia um retorno daquele ponto, o caminho que me tinha levado até ali tinha desaparecido: não havia como voltar atrás. Isso não me intimidou. Estava no sítio certo à hora certa, porque em mim, cá dentro, a decisão tomou o seu espaço e abriu-me os olhos. E eu vi claramente outras coisas que lá estavam e ainda não haviam sido vistas. E essa visão tranquilizou-me, o sentido construiu-se e tudo ficou bem dentro de mim. 
Tudo continua bem dentro de mim. Mas vou morrer de saudades vossas. E isso é algo inominável, que não tem tamanho nem peso, mas que me enche até eu ter de constantemente não pensar nisso, para não ter de me responder à pergunta como vou eu fazer sem vocês ao meu lado.
Estas são só palavras poucas. Sei que quando o momento chegar hei de ser capaz de escrever o que todos vocês merecem ouvir. De como são grandes e gigantes todos os dias, de como me orgulho de tudo e de todos. Sempre, mesmo nos dias maus. Porque somos. E vocês são e eu fui e sou convosco.