quarta-feira, 15 de julho de 2015

o silêncio, deixa-me ileso...

assusta-te o futuro? não. pratica o desapego. aceita o que vem, o que está, porque com tombos e resvalos, toda a vida acaba por se encaixar, fazer sentido, progredir. basta que a aceitemos como ela se apresenta.

bonitas frases, bonito de dizer, difícil de pensar, difícil de sentir, difícil de fazer. a raiva. sabe-me muitas vezes a boca às raivas que calo, que tenho de calar. para não partir para a estupidez. tenho muitos momentos de cartoon na minha cabeça: de repente sou um boneco em desenhos animados que estou, qual Homer Simpson, lançada à garganta da criatura a quem estou a fazer saltar os olhos das órbitas. tenho muitos momentos assim. é o que me ajuda a voltar a respirar, é o que me permite o pequeno escape onde posso "fazer" o que eu queria: revoltar-me, gritar, estas coisas todas que aprendi a calar cá fora, ditas e postas fora do peito. a zanga personificada naquele momento cartoon dentro da minha cabeça: sou o Homer Simpson e aperto o pescoço às merdas que me põem no caminho.

aceitar o que vem e o que está é bonito e fácil quando isso não implica ter de aceitar uma besta qualquer a dizer umas quaisquer bestialidades sobre coisas verdadeiramente importantes. esta é a parte mais difícil. cala-te minha besta. cala-te, por favor. o silêncio é um bem tão precioso, porque não te calas tu?! porque será que o silêncio perdeu valor? agora escrevemos mais do que falamos, mas escrever também é falar. e falamos e opinamos mas não nos damos ao trabalho de ouvir o que estamos a dizer, nem de ver o dano que causamos com as nossas palavras. ou se calhar não o queremos ver: uma das formas mais fáceis de atenuarmos o nosso sofrimento pode ser criar uma onda de sofrimento geral. deixamos de estar sozinhos e o sofrimento é mais tolerável.

por isso há muitas bestas por aí, a dizer bestialidades. a causar o caos que sentem nas suas vidas nas vidas alheias. muitas muitas muitas.

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