A intimidade não é amor. Não é sexo. Não é nudez. A intimidade é estarmos dispostos e à vontade para nós expormos, numa relação em que dois são um, naquele momento. A intimidade é boa e assustadora, porque acontece quando estamos mais vulneráveis, mas nos quisemos pôr assim. Naquele momento, quem connosco está podia tirar-nos tudo, de supetão, mas não o faz porque está exactamente na mesma situação. Pusemo-nos, despidos de tudo o que nos protege, nas mãos um do outro. E percebemos a força que assim se cria, na perfeita consciência um do outro, das nossas virtudes e defeitos, dos nossos limites e da perfeição da imperfeição humana. Encaixamos nas limitações do outro, quando ele encaixa nas nossas. Peças imperfeitas para criar uma máquina humana fantástica. A intimidade não acontece porque se cria, só. Tem também de acontecer por ela, naquelas magias únicas das relações humanas. Naquela delicadeza bonita dos actos de amor cuidados e profundos, puros, do dar porque sim, porque é o que faz sentido, porque o momento assim nos pede.
A intimidade é dizer é isto que sou e é disto que sou feita. Sabendo que vai existir um sorriso de compreensão nos outros olhos que também me estão a ver assim. A intimidade acontece no amor, na nudez, no sexo. A intimidade acontece quando contamos um segredo, ou ouvimos uma confissão. A intimidade exige uma proximidade que não é só física, é das almas que se tocam.
Mais uma lição aprendida com humildade. Hoje.
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