Avisos: este post contém calão. Este post é teu X.
Nunca senti o frio de uma arma apontada à cabeça. Felizmente, Nunca estive numa situação limite dessas. Mas não é preciso isso para sentir que tenho uma arma apontada à cabeça. A vida faz o favor de me fazer isso de vez em quando. Só para me mostrar quem manda. Ou para me mostrar a merda que fiz durante não sei quanto tempo e que fui ignorando. E que agora se transformou nesta linda situação onde me encontro e de onde não me posso mexer.
É mentira. É claro que me posso mexer. Não há arma. E a vida não tem propriamente um corpo. Portanto não vai disparar, bater-me ou correr atrás de mim. Posso sair daqui. É só dar um passo em frente. Aliás, há todo um coro de vozes das pessoas que dizem que gostam de mim e que se preocupam comigo que pedem para eu me mexer.
Fodasse, e para onde? Para onde é a saída que eu estou aqui a magicar há tempos infindos e ainda não a vi? Para onde é, digam lá almas iluminadas? Como é que eu saio deste filhadaputa de buraco que fui cavando, sem pá e sem deixar entulho (para onde foi o entulho? Um buraco deste tamanho só pode causar imenso entulho. Onde está o entulho que eu não o vejo porra)? Um buraco muito bonitinho, muito arranjadinho e limpinho (já perguntei onde está a merda do entulho??), mas um buraco, um buraco onde eu não quero estar, de onde eu queria tanto sair.
E quando eu tenho esta ideia vem a vida lembrar-me de todos os avisos que me foi fazendo, a cabra. Eu sei que me avisou. Eu sei. Não sei porque não a ouvi, mas agora ela passou-se dos cornos e deixou-me aqui, a mim, que me esforcei sempre e tanto para que tudo corresse bem, para que todos estivessem satisfeitos, para que não houvesse problema algum. E a vida foi-me avisando: olha para ti. Olha para ti. Olha para ti. E eu não olhei. Se tivesse olhado tinha de ter feito qualquer coisa. E não fiz. Havia já demasiado em jogo. Muita coisa a perder. Muita coisa difícil de ganhar. Muito mais luta, muito mais esforço. E tudo isto cansa. E cansa muito.
Ninguém tem forças sempre e para sempre e para tudo. Uma pessoa cansa-se. Quero cá saber da arma. Estou aqui e daqui não me vou mexer. Chamem-lhe comodismo ou maluquice. Quero cá saber. Falar é fácil. Cavei um buraco, é verdade. E depois? Adianta chorar sobre o leite derramado? Não. A vida não volta para trás por pena de nós. Pelo contrário, a puta até se põe a gozar connosco. Hás de aprender, nem que seja à força, é o que ela nos diz. Acreditem em mim e não confiem nela. a vida é do caralho e no fim, ganha sempre ela: nós morremos e ela continua.
É o meu buraco. Fui eu que o fiz. Deixa-mo cá gozar. Afinal, é fruto do meu trabalho.
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