sexta-feira, 10 de março de 2017

O dia da mulher ou do homem ou de quem for



Muito se diz e se escreve por estes dias. Das mulheres escravizadas, abusadas e silenciadas, de uma ou de outra forma. Dos comentários maldosos, depreciativos, da maldade entre mulheres.  Dos desafios que a actualidade trouxe à população feminina (parece-me que muitos deles mais nos países desenvolvidos do que nos outros) e das comparações culturais impossíveis entre o ocidente, o oriente e o médio oriente.


A minha opinião? Tudo isto é verdade mas, para mim, isto não deveria ser apresentado como necessidade de igualdade de género. Para mim isto induz em erro, um erro que na verdade nós mulheres também não queremos. Nós queremos igualdade de valor, pelo menos eu quero. Querem que olhem para o valor do que eu faço, e se eu for tão boa como um homem a fazê-lo, paguem-me como lhe pagam a ele, devem-me o mesmo crédito, o mesmo valor. Porque igual aos homens eu não quero ser. Quero ser mulher, como eles querem ser homens. 

Também se escreveu sobre o valor dos pais e das mães e das mães que são mãe e pai e dos pais que não querem saber dos filhos. E dos estereótipos que estão e que se mantêm. E hão de se manter, porque as mulheres e os homens fazem, tendencialmente, a parentalidade de forma diferente. As mães são diferentes dos pais, com o mesmo valor na sua diferença. Está tudo bem. O azul tem tanto valor como orada e não temos de trabalhar pra que haja só o amarelo ou o branco. Há mães más e mães boas, como há pais maus e bons. E nos divórcios há pessoas que se desinteressam dos filhos. E se a sociedade critica mais as mães, o que não deixa de ser verdade, o que seria fundamental defender era a avaliação do valor do que se faz e não associar, logo à partida, essa avaliação com o género da pessoa. Também nos casamentos ou ajuntamentos somos diferentes na parentalidade. Porque somos biologicamente seres distintos, com necessidades internas diferentes (esta cena de nos esquecermos do corpo também me incomoda, até parece que existimos só socialmente, o que está tremendamente provado que é mentira). Esta necessidade de uniformização radical, que elimina o que é realmente importante - o valor do que se faz - faz-me muita impressão. 

Muitas das pessoas que lutam sobre a igualdade de género são as mesmas que defendem poder decidir sozinhas sobre muitas coisas acerca dos seus filhos ou das suas gravidezes, ou inclusivamente se auto intitulam como super-heroínas pelo simples facto de serem mulheres. Podemos ser super-heroínas, mas pelo que fazemos. Nem todas somos super-heroínas. Na realidade, este termo tem um peso estúpido, porque acaba por nos exigir mais e mais e mais. Também há homens super-heróis. Ou não os há? Ou não há também a frase "os homens são todos iguais"? Eles não têm então direito aos mesmos direitos que se exigem? 

Há menos valor reconhecido às mulheres? Há, em muitas situações. Somos todos capazes de fazer as mesmas coisas? Não sei. Provavelmente, mas também quase de certeza de formas diferentes. Porque somos diferentes. Eu posso educar duas crianças baseadas na crença de que o seu valor é igual, porque vão poder ser duas excelentes pessoas. Não porque serão duas pessoas iguais.

No dia da Mulher, que se pensem nas pessoas, porque se há por aí muias pessoas do sexo masculino que nem no lixo mereciam estar, também as há do sexo oposto. Vamos lá lutar por ser reconhecidos, e não por estatutos que vêm com o pipi ou com a Polónia.

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