quarta-feira, 17 de maio de 2017

Há tanto tempo que não falamos disto

Vamos lá espernear sobre a maternidade.

Cá por casa a coisa corre melhor, fora o facto de nos apercebermos que a pré adolescência está agora a começar aos 6 anos. Felicidade, que felicidade. Só nos falta subir a uma cadeira e cantar o Aleleuia. Enfim. Passemos à frente.
O que melhorou a sério, mas mesmo a sério, para grande alegria da minha vida e do meu cérebro e da minha sanidade mental foram as noites. Agora dorme-se cá em casa. A noite INTEIRA. Sim, isto tem direito a CAPS LOCK. Sem qualquer sombra de dúvida. Durmo, logo sou mais feliz. Mas.... no outro dia, ou melhor, na outra noite sucedeu que, no exacto momento em que eu ia adormecer, mas mesmo mesmo no exacto momento em que eu me passava para as terras de Orfeu, há choro que me arranca do sono. Mães deste mundo e o sofrimento que isto provoca? Acordarem-nos exactamente no momento em que o sono está a instalar-se? Dor. Dor. Dor.
Levantei-me e fui serenar os ânimos. Nada demais, tudo tranquilo. Adormeceu. Volta para a cama. E aqui vou eu. Olhos fechados, corpo na posição certa a relaxar, respiração cada vez mais profunda e... barulho de passos. Esta m... não me está a acontecer. Ca#%$£€ pá. Não, não são passos, estás é a alucinar. São. Tu não querias, mas são. São passos que se dirigem à tua cama. Abre os olhos e nega o sono. Mais uma vez. Cena seguinte: deito as mãos ao telemóvel para ter luz e, sem óculos, vejo a melhor cena do mundo a acontecer no meu quarto. A criança está de frente para a parede, no canto do quarto, qual filme de terror. Enganou-se no caminho e está presa entre o roupeiro e o puff. Ri-te, mas dos nervos e levanta-te. Acalma o choro, dá colo e leva a criança para a cama. Cérebro em modo pudim, a mendigar sono.
Vai dormir. Que se lixe, adormece mesmo nesta cama que não é a tua. Muahahahaha não. Eu sei que queres. Eu sei que tens mesmo de dormir. Eu sei que estou feito num 8, que estás toda queimadinha das carochas, que estás mesmo a começar a alucinar do cansaço. Caguei. Agora não me apetece dormir. É isto que o filho da p... do meu cérebro diz, depois de lhe ter negado o sono. Faz birra. E não se apaga. Melhor, viaja. E eu quero não pensar nas merdas todas que aconteceram, vão acontecer ou que eu tenho de fazer e ele não deixa. Tento tudo o que sei: exercícios respiratórios, de relaxamento, de imagética mental. Tudo. E nada. Sinto que já não tenho cérebro dentro da caixa craniana, que me dói, à séria. Dor. Dor. Dor.
Não sei como adormeço, nem quando, na minha cama. Mas sei que o despertador tocou. Tito antes do que devia. Afinal não, são mesmo horas de levantar.

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