Se Te olho sentada e sem baixar os olhos não duvides nunca da minha certeza de Ti. Nunca. Acredito sem medo nem dúvidas, mas com perguntas. Não por duvidar mas por querer saber de Ti. Não mais, porque o que Dás chega, mas por Te saber grande e querer aprender, pergunto para saber o sentido, para saber o quê e porquê. Num mundo que não acaba de decisões que tomas, misturadas que estão na liberdade que nos Dás para decidir sobre o que fazemos, pergunto muitas vezes para onde isto tudo vai. Para onde Deixas que tudo isto vá, para onde nos Deixas ir, e porquê.
Duvido do que fazemos com
a capacidade de visão que nos Deste, duvido da permanência do Amor que acredito ser a base do que Construíste, com todas as caras que acredito Teres escolhido tomar. Aqui e de todos os outros lados do mar, com uma ou muitas caras, com tantos nomes e em tantas línguas. Do Amor que temos de guardar aos outros, que não soubemos guardar dentro de nós para nos dar e aos outros. Amor que não está, que está esquecido, que deixámos algures para nos olharmos só, num espelho que não existe mas não nos deixa ver mais nada para além de nós. Para nos poupar das nossas inseguranças. Ganhou o medo, foi isto. A liberdade prendeu-nos no medo. E quando submersos no medo, há que manter as fronteiras seguras, há que concentrar energias e olhar apenas para o que se conhece, para o que conforta, para nada mais.
Levanto os olhos e pergunto-me o que Pensas, onde Sorris e se há a possibilidade de Chorares. Será que Deus chora? Será que Deus lamenta e sente arrependimento ou frustração? Como será que se vive o processo de desaprendizagem que toda uma Criação está a viver? Levanto os olhos e sereno porque sei que Estás. Mas não sei se Vais ficar. Será que Te conseguiremos perder? Quando nos perdermos, que Te acontecerá? A delicadeza da causa humana depende de nós, não de Ti. E estamos de olhos fechados a isso. E de olhos fechados nada se vê, nada se cria, nada existe. E de olhos fechados poderemos morrer de pé e sozinhos, todos juntos, como uma floresta de árvores secas, de galhos estendidos para cima, à espera duma resposta.
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