quinta-feira, 18 de junho de 2015

Acreditar em sinais

Tudo o que fazemos, vemos ou sentimos passa por um processo de interpretação - primeiro automático e inconsciente, um processo dos nossos órgãos dos sentidos e do cérebro. Depois um processo semi consciente, onde as nossas memórias ajudam a seleccionar quais as informações que são mais relevantes e têm mais impacto sobre nós. E depois um processo totalmente consciente, durante o qual reflectimos sobre a informação que nos rodeia, que nos chegou, e decidimos o que fazer com ela. 
Tudo é interpretação e por isso tudo é enviesado. Somos sempre parciais na nossa própria vida, o que realmente não importa, porque não há sequer outra forma das coisas acontecerem. 
Assim sendo, podemos livremente interpretar o que nos vai acontecendo e construir uma história que é a nossa, que também é o que geralmente fazemos. Nas coisas maiores, pelo menos. Tentamos encaixar as nossas escolhas num quadro amplo, que nos faça entender o passado e planear o futuro. 
E depois acontecem pequenas coisas. Coisas que poderíamos deixar passar em branco, sem lhes atenção, pouca ou muita, que podíamos deixar cair no esquecimento. Coisas que para outros parecem insignificantes. Mas que se as seleccionarmos, se lhes dermos um papel no nosso quadro, passam a ser peças fundamentais para a harmonia da imagem final.
Podemos pensar a vida como nos dá jeito. E, às vezes, por nos dar jeito, podemos interpretar acontecimentos aleatórios como sinais de que estamos no caminho certo. Que mal haverá nisto? Nenhum, parece-me. 
Hoje, fechei mais um pouco da porta, e fiquei um pouco mais tranquila.

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