A vozinha que vive dentro da nossa cabeça (que muitos descrentes nestas coisas desvalorizam), para mim, está lá a representar o nosso instinto para as situações mais evoluídas, para as situações humanas, as que nos diferenciam do restante mundo animal. A famosa expressão do "eu bem sabia" existe por alguma razão. A vozinha fala e orienta-nos. E nós vamos muitas vezes contra ela. Acreditar no instinto é um movimento de fé. Fé em nós, nas nossas capacidades, na avaliação inconsciente que já fizemos da situação, mesmo ainda antes de pensarmos conscientemente sobre ela. Acreditar que a vozinha está certa é um risco. Porque muitas vezes também ela nos lança numa direcção inesperada, numa direcção em que não tínhamos pensado com cuidado, lança-nos em direcção a um desafio maior do que aquele a que, conscientemente, nos propomos.
Acho que é perceptível, a esta altura do blog, que me interessa como a nossa parte animal nos afecta a parte humana (isto como se os humanos pudessem não ser animais). Gosto da ideia de sermos unos, coesos, uma parte refém da outra e vice versa, gosto de como a nossa parte humana consegue forçar a nossa parte animal a ultrapassar os seus limites. Mas gosto de como a nossa parte animal nos condiciona e nos molda e como encontrou formas de se manifestar mesmo agora, que tentamos a todo o instante provar que não somos animais. E esta vozinha é sem sombra de dúvidas (minhas é claro) uma dessas formas.
É de confiar? O que é o instinto, a vozinha? Será que, por muitas vezes que possa ter estado certa no passado, está certa agora, desta vez? Porque nos puxa tantas vezes para o desconhecido, ou simplesmente afasta do conhecido? E quando nos diz "não vás por aí", que está a querer assinalar?
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