sábado, 13 de junho de 2015

Somos muito mais e muito menos do que aquilo que pensamos ser


Cai-me muito cabelo. Há muito tempo. E agora caem-me os cabelos brancos. Porra. Agora vou ter de deixar algum tempo a pensar nisto. Não estou preparada para ter o cabelo todo branco. Mesmo. Não sei como vou reagir. E o tempo que é preciso no cabeleireiro para pintar o cabelo? Fico dormente. E como tenho de estar muito tempo sem óculos não consigo nem ler nem aproveitar de outra forma o tempo. E dói-me a cabeça. Enfim.

É o tempo a passar, a contar. Na minha necessária humildade de ser mais uma pessoa, no meio de tantas, cresce-me uma pressão dentro do peito. Passam os dias feitos anos e que tenho eu para amostra? As conversas últimas têm sido boas para pensar. Tento estar mais disponível para ouvir, para aprender e para mudar. Tento. Tento ver e ouvir para além do que acontece, ver a forma como o hoje se pode reflectir positivamente no futuro, se souber aceitar e viver o presente.

Ser mais uma pessoa, dentro de mais um corpo, com tudo o que a isso está associado devia lembrar-nos do nosso encaixe na ordem natural das coisas. Como eu há muitos mais. Não há problema. Mesmo. Foi assim que foi e é assim que há de ser, sempre. Acho que nos esquecemos muitas vezes desta nossa faceta incontornável: sermos humanos é sermos animais. E isto dá-nos à mercê da Natureza, sem alternativas. Somos capazes de criar a nossa liberdade até um certo ponto: até onde ela nos deixar. Vivo tranquila com essa ideia, da mesma forma que vivo tranquila que um dia o meu tempo deixará de contar, que acabará, vivo tranquila com a ideia de que hei de morrer. 

Não me assusta o fim. Assusta-me chegar ao fim sem nada para mostrar de relevante. Quero chegar e fazer balanços positivos, orgulhar-me da maior parte das coisas que fiz e da pessoa em que me tornei. Persegue-me esta inquietação. Vejo vidas que não entendo e aponta-me o dedo do preconceito: quem sou eu para julgar? Que percebo eu? A vida é todos os dias diferente e todos os dias igual - se a vida é aprendizagem, há de se repetir até aprendermos. Aprender é fazer diferente, e isso é ja fazer melhor: quebrar o ciclo, andar para a frente. Mesmo que seja depois para rever o percurso.

Penso muito nisto. Penso na M e na P e na A e em como me puseram num lugar privilegiado para observar a essência da vida, para me obrigarem a pensar, questionar, bater com a cabeça e voltar a bater, e fazer diferente e melhor. 

Aceitar os meus limites e reconhecer as minhas potencialidades e franzir o sobrolho enquanto me pergunto se não andamos todos às avessas: as minhas potencialidades humanas são infinitas na relação com o outro e não noutros sítios.

Penso muito nisto.

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