domingo, 31 de maio de 2015

Hoje falei do silêncio

E de como gosto de o ouvir. Gosto dos momentos em que consigo não pensar e que estou só a sentir o silêncio. Em que ouço o vento ou os pássaros, ou só a vida à minha volta, o passar do tempo. Que também tem o seu som, a sua melodia própria. 

Mas gosto ainda mais do silêncio na escuridão. Gosto de apagar as luzes à noite e de estar acordada e de ouvir o silêncio no escuro. É aconchegante. Os momentos de estar sozinha comigo mesma sabem-me melhor assim. Sem fazer nada ou com uma pequena luz, para ler, ou a ver um filme. Gosto da penumbra.

Vejo mal, uso óculos. Mas movimento-me à noite como se sentisse as coisas, sem precisar de as ver. Os miúdos perguntam-me muitas vezes se vejo no escuro. Sei o sítio das coisas, o meu corpo sabe onde não bater, para onde estender as mãos para chegar às coisas. No escuro vejo bem sem ver. Porque sinto. Porque não dependo dos olhos. No escuro sou mais livre. No escuro e no silêncio. Estou livre e comigo.

O prometido é devido

Há dias, ela publicou uma foto duma praia, uma foto linda, para dizer ao mundo onde estava. Eu estava a trabalhar. (A inveja mata, às vezes momentaneamente. É uma ruindade que arruina o coração). Tive de a mandar passear. Não se atormenta o dia duma pessoa assim. Mas eu gosto dela. 

Ela tomou decisões que poucas teriam tomado, assumiu-as e agora vive o resultado de tudo o que plantou. Coisas boas, felizes, positivas. Que contagiam até quem a rodeia. Que facilmente se rói de inveja. Não pelas fotos, só. Pela boa forma física, pelo sorriso, pelas escolhas saudáveis que lhe saem tão facilmente, sem sacrifício. Pelo yoga, pelas corridas, pelo crossfit. Pelo creme de aveia que ela come à sobremesa (que nem sequer cai dentro da minha categoria de doces). 

Acho que olhando agora seremos poucos os que pensam que se calhar houve dias maus e difíceis. Eu não sei se os houve, mas imagino que sim. E por isso, ainda mais por isso, valem tanto os sorrisos e a boa disposição. E por isso não lhe sei ter inveja, só admiração.

sábado, 30 de maio de 2015

Às mães e pais das pessoas piqueninas

É sábado e eles ignoram isso, levantam-se até mais cedo do que nos dias de semana e chamam-nos. Chamam-nos muitas e tantas outras vezes. E nós levantamos-nos e vamos e fazemos. E fazemos os pequenos almoços, lavamos dentes, penteamos cabelos e saímos de casa com um objectivo: cansá-los. Está bom tempo, vamos para a rua queimar energia, por favor. E eles correm e gritam e caem e magoam-se, e nós gritamos e damos beijinhos e desesperamos.
E de repente a hora começa a aproximar-se e nós até começamos a respirar mais fundo. Vem aí a hora da sesta. Que espectáculo, a sesta. Que coisa tão bem inventada para promover a sanidade parental aos fins de semana. 
E de repente eles estão a dormir. E na nossa cabeça atropelam-se as melhores ideias para aproveitar aquela hora, hora e meia. Com sorte, mais a chegar às duas. Podíamos ler, ou aproveitar e ver um episódio da série que ficou a meio, ou sentarmo-nos no sofá a usufruir do silêncio. Ou enroscar-nos e estarmos juntos quietos no sofá. Tanta coisa boa para fazer e tão pouco tempo. Vamos então escolher o livro, ou a posição mais confortável para estarmos, ou..... 
Acabou-se o tempo. Já acordaram. 

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Não te iludas, que eu não me deixo iludir

A vida é o que é. 

Já escrevi este post dúzias de vezes e tantas vezes o apaguei. Interessa-me pouco dizer banalidades, porque de banalidades mascaradas de coisas importantes está este mundo cheio - a internet então nem se fala. 

A vida é o que é e manter-se-á nesse estado amorfo enquanto não lhe pusermos as mãos e a ajustarmos a nós. Já basta o que não controlamos para ainda abrirmos mão daquilo que podemos controlar. Adiantam de pouco as queixas, as lamúrias. A vida não nos ouve. Não quer saber, não se interessa. Porque a vida fala todos os dias connosco e nós fazemos muitas vezes, tantas vezes, ouvidos moucos. Podia estar a falar num sentido mais transcendente da questão, mas até nem estou. A vida fala connosco através de quem nos rodeia, das nossas reacções, dos desafios que ultrapassamos e dos que falhamos. A vida mostra-nos todos os dias onde investir em nós, o que mudar, o que continuar a fazer da mesma forma, porque já acertámos na receita. 

A vida fala e nós não a ouvimos. E portanto a vida continua a ser o que é, porque enquanto nós formos o que somos, ela também não há de mudar. Não tem essa necessidade, nós também não a temos.

Não te iludas, que eu também já não: queres que ela se preocupe contigo, preocupa-te tu primeiro com ela. E vais ver como a vossa relação muda automaticamente para melhor. Sem ilusões ou desilusões. Porque a vida há de continuar a ser o que é, mas se eu for o que sou quando o quero ser, também assim há de ser a vida.

domingo, 24 de maio de 2015

Reduzir palavras a números

Na maior parte das vezes, usamos as palavras para nos explicarmos. Para comunicar, para expressar ideias, transmitir informações. As palavras são mais ricas, a sua união torna possível a construção de uma rede infinita de frases que tentarão transmitir a riqueza do pensamento mais intrincado. Para que quem quer que as leia ou ouça consiga reproduzir na sua cabeça esse mesmo pensamento, admirá-lo pela sua beleza ou estranhá-lo na sua complexidade.
As palavras servem-nos todos os momentos do dia, porque sem discurso não há pensamento. As palavras amparam, acariciam, matam ou fazem matar. Li na net no outro dia uma frase que dizia mais ou menos isto: "digas o que disseres, da maneira que disseres, vai haver sempre alguém que compreende outra coisa completamente diferente da que disseste". E esta possibilidade é real, não é uma percentagem a descurar. E agora já estamos a falar de números. Que têm, em si, muito menos probabilidade de serem interpretados de diferentes formas.
Para um matemático apaixonado, os números têm tanta ou mais beleza que as palavras, e um matemático saberá acrescentar que os números estão em todo o lado, até mesmo nos momentos em que nos parecem mais longe. Os números criam a beleza natural, como desde a Antiguidade a matemática demonstrou, com a proporção áurea, não são uma exclusiva criação humana para ordenar o mundo desorganizado.
Em 40 minutos mudaram 8 anos e meio. E em menos de 10 minutos, quase 11 anos. Os primeiros criam um novo momento. Os últimos um momento final. É assim que a vida muda, muitas vezes sem muitas palavras e muitas vezes sem beleza alguma.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

As datas não importam

Porque não são as datas que marcam a tua falta em mim. Não sou de guardar o passado ou sequer de me lembrar de dias em particular. Fazes falta todos os dias, mesmo naqueles em que não me lembro de ti. Porque irás dentro de mim sempre, todos os segundos que passarem do tempo que cá hei de estar. Porque há uma parte de mim que és tu, que tu moldaste e construíste e que nunca perderá o teu toque.
Podia dizer muito mais coisas. Como me lembrei de ti quando casei ou quando fui mãe ou quando vejo pessoas parecidas contigo. Porque as há. Não eras única, ninguém é, nem eu pressuponho ser. Mas havia uma parte de ti que era minha, e isso sim, mais ninguém tem. E isso foi contigo e não há de voltar.
Hei de ter lágrimas nos olhos todos os dias em que me lembrar de ti assim, como quando estou a escrever estas palavras. Não me importa isso. É da falta que me fazes e vais fazer. E do cheiro que ainda sei sentir, quando me quero lembrar de ti.

terça-feira, 19 de maio de 2015

da violência que é o uso indevido do poder

O poder deveria ser reservado a quem não o quer. Porque, normalmente, quem o persegue não tem capacidade para o ter. Estas frases não são minhas, mas não tenho a certeza onde as ouvi. Mas não podia concordar mais.

O poder pode ser uma droga. Se a personalidade que o tem for semelhante à dos dependentes de substâncias, facilmente teremos um dependente de poder. E essa é uma ideia terrível. E pior do que "eu faço porque posso" é "eu faço-te porque posso". Esta é uma ideia ainda mais terrível. A manifestação do poder para influenciar deliberada e negativamente a vida de terceiros, consciente das consequências das nossas acções, dá ao poder o carácter mais negativo que ele pode ter. E o poder protege, de uma forma muito clara, quem manda. Quanto mais não seja porque quem não manda, e  é violentado na sua pessoa, seja em que contexto for, está abaixo na hierarquia e não tem forma, nem apoio, para ripostar na mesma moeda. Porque os custos de tal resposta podem ser muito altos e fora do alcance de quem desejava poder responder na mesma moeda.

O poder existe. E há pessoas que o querem. Algumas vezes desesperadamente. Porque só a mandar se sentem pessoas. Porque "não existem más pessoas, só pessoas pobres de espírito" esta posse de poder dá-lhes uma ilusão de riqueza, quando tudo o que têm é um peito cheio de nada e uma cabeça com coisa nenhuma. Muito se tem inscrito, também por causa da crise que se vive actualmente, sobre os chefes e os lideres, e de como um bom líder pode mudar o mundo de muitas pessoas de uma forma muito positiva, nomeadamente por conseguir mantê-las satisfeitas, interessadas e envolvidas no seu trabalho. Isto, tendo em conta que cada vez trabalhamos mais, durante mais horas, e cada vez o fazemos mais durante o nosso tempo familiar, pode ser muito importante. E podemos estar a descurar a importância de termos verdadeiros líderes à frente das equipas de trabalho e das empresas, pessoas que consigam dar de si, para envolver quem com eles trabalha. Pessoas com capacidade de domar o poder, e não serem domadas por ele.

As manifestações abusivas de poder incomodam-me. E ainda mais me incomoda a minha incapacidade de resposta na hora.

Adenda ao post anterior

Ora bem.... venha lá o 34º não é? Simmmmmm.... :) Benficaaaaaaaaaaaaa

E depois... Análise realista da questão: somos campeões antes de tempo (leia-se antes do final do campeonato) porque... os outros empataram. Que raio de fim. Tanto tempo e tantos jogos a marcar golos e os jogos que decidem o campeonato mais cedo são empates... Um bocadinho insípido não?

E depois... Que tipo de espírito demoníaco-animalesco tomou conta destas pessoas que se dizem amantes de desporto? O estádio do Guimarães, o armazém do Guimarães (aquelas pessoas pareciam estar numa Primark sem caixa de pagamento!), a porrada, os desacatos à porta do estádio do Sporting, supostos adeptos de outras equipas envolvidos em confrontos no Marquês de Pombal, uma suposta festa que termina com o pedido de um jogador à calma.

E depois... o que é isto pessoas? Quem são estas pessoas que vocês têm guardadas aí dentro que são capazes de fazer estas coisas? O que são estas coisas que vocês dizem, fazem e escrevem para toda a gente ver?

Sim. Foi o 34º. Mas por tudo, desta vez, não soube tão à Benfica.

domingo, 17 de maio de 2015

antes de coisas interessantes inteligentes e que promovam a introspecção....

VIVÓ BENFICA.

Tenho uma certa dificuldade entender esta fidelização a um clube de futebol. Eu nem sequer gosto de jogar à bola: uso óculos desde os 8 anos e posso garantir-vos que levar uma bolada na cara é doloroso (já me aconteceu) e que levar uma bolada na cara quando a bola bate primeiro nos óculos é muito mais doloroso (também já me aconteceu). Para além da dor, há sempre aquele momento fofinho em que tememos que, contra tudo o que o oculista nos disse sobre as nossas novas lentes XPTO, o vidro (que nem sequer é vidro) se estilhace em pedaços e nos cegue. Não é um momento a repetir. E se com uma bola de andebol é mau, com uma de futebol é bastante pior. Para além da razão dos óculos, nunca fui muito boa a jogar, não acerto um passo, e tenho fraca visão de jogo.

Por todas estas razões, não percebo honestamente esta cena clubística. Que eu tenho. Não fico doente quando o Benfica perde, não pago cotas, não sou sócia, não deixo de fazer coisas se o Benfica está a jogar. Não tenho quaisquer expectativas que os meus filhos venham a ser do Benfica - hão de torcer por quem quiserem - e não vou tomar atitudes nenhumas para que se interessem mais pelo Benfica do que por outro clube (o meu avô, que era do Sporting, quis oferecer-me uma Abelha Maia, daquelas que se punha a moedinha, para eu passar a ser do Sporting). Não me lembro de quando fui a última vez ao estádio e nem sequer tenho palavras para a quantidade de dinheiro e corrupção que uma coisa como o futebol movimenta.

Mas sou do Benfica. E gosto de ver jogos, quando jogam bem, gosto quando marcam golos e hoje, por razões óbvias, quero que o Benfica ganhe ao Guimarães. Mas porque quero que o Benfica ganhe, não porque quero que o Guimarães perca. E não, desculpem, não é a mesma coisa, porque o fundamento é diferente. Mesmo que, por razões óbvias, eu tenha perfeita consciência que o Benfica só ganha porque o Guimarães perde.

Vivó Benfica (e o Jesus, que sempre "acarditou" nos jogadores dele e nas suas capacidades, que não esmoreceu quando deixámos a "Xampionjs" e que tratou os problemas como "pinners" que eram).

quarta-feira, 13 de maio de 2015

não tenhas medo, o c@#al&%

assim, meio disfarçada (mas muito mal), está para ali uma asneirona no título.
ora bem....................... a vida deve ser aproveitada, como se não houvesse outra porque até para as pessoas que acreditam que há mais do que uma, cada uma é única e não se cruzam logo, há que viver cada uma como se fosse única. para tal, é importante que vivamos de acordo com o que sentimos e pensamos, tentando-nos adaptar à realidade, porque a vida não é sempre como nós queremos e, muitas vezes (às vezes mais vezes do que as que gostaríamos) há sapos que temos de engolir. uns mais fáceis do que outros, mas isso também faz parte do crescimento. reconhecemos as nossas forças e capacidades quando a situação não é favorável porque a expressão "a necessidade cria o engenho" existe na sabedoria popular porque é verdadeira. crescemos em confronto com a adversidade porque nos pomos à prova. se não houver desafio, não há como saber no que somos bons e no que somos bons onde não pensávamos que pudéssemos ser. este último ponto - o de nos adaptarmos ao que nos rodeia - não invalida que, em muitos momentos, possamos adaptar a realidade ao que sentimos e pensamos. e aí criamos mudança.
criamos mudança no que nos rodeia, em quem nos rodeia e em nós. porque os momentos de mudança são sempre momentos de desafio, de crise. porque cortamos com o que está passado para construir o que é presente e lançar escadas para o futuro. construímos grandes e pequenas coisas, mudamos muito e pequenas coisas, às vezes fundamentais. pomo-nos à prova e podemos ser mais felizes. porque mesmo que não experimentemos totalmente o sucesso, experimentamos pelo menos o sucesso de tentar, de fazer, de mostrar que somos capazes de nos pormos a mexer. e com sorte, arrastamos pessoas connosco, criamos movimento.
somos responsáveis por tudo isto. pelo viver em equilíbrio com o que há, o que queríamos que houvesse e o que podemos ter. não em termos de coisas palpáveis, mas em termos de vida. que vida quero eu para mim, como me satisfaço enquanto indivíduo, o que me motiva e me faz vibrar.

que palavras tão bonitinhas e tão bem encadeadas. e o medo porra? o medo do passo, do desconhecido, do falhanço? o medo que pode tantas vezes levar-nos a preferir o conforto dum sítio mau ao invés do desafio do inexplorado? as certezas do que nos deixa triste face à incertezas do que nos pode vir a fazer tão feliz. o medo é mau. mas também é meu. e não se deixa apagar como se de um simples fogareiro se tratasse. não tenhas medo. mas tenho. tenho muito medo.  

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Duas horas para se falar do que pode levar uma vida a alcançar

Aviso à navegação: este post já existiu. Entretanto eu, no auge da minha sabedoria informática, apaguei-o. E agora vou reescrevê-lo. E portanto, para que se saiba que eu o reconheço, este post não terá tanta qualidade como o post inicial. Para que se saiba também, já me chamei muitos nomes e disse todas as asneiras que conheço.
E depois fiz zen e cenas e vou voltar a escrever. Mas isto não tem metade da piada, ora que porra.

Ora bem. Fomos hoje (fomos porque não fui sozinha) ao primeiro encontro do Observador. Que foi sobre a felicidade. Seis pessoas para falar de felicidade. Três das quais psicólogos. Muito poderia escrever sobre este ponto. Uma das psicólogas falou sobre economia, e mais um tanto se poderia escrever sobre esse ponto também. Mas essas considerações acontecerão no futuro (porque já que estou a reescrever isto, posso definitivamente pensar melhor sobre o tema e depois partilhar aquilo que me aprouver, para me vingar - de mim própria note-se).

Este é um tema, o da felicidade, que me é muito caro. Cada vez mais. Gosto de ouvir o que os outros têm a dizer sobre o tema: o conceito é múltiplo e quase infinito, por isso acabamos sempre por concluir coisas novas até acerca do que nós próprios pensamos.

Ora para quem não foi, faço um pequeno resumo e convido-vos a pensar um bocadinho sobre o tema (e esta era a parte do post anterior em que eu, sem querer ou fazer esforço algum para isso, tinha feito um resumo em dez pontos, do mais fantástico que há. Porra para mim):

1. A felicidade não é um objectivo. É uma forma de estar na vida que tem consequências práticas sobre nós, sobre como vivemos e pensamos e nos comportamos
2. A felicidade está muito relacionada com o conceito de verdade, particularmente na forma como somos verdadeiros connosco próprios
3. Os dois pontos anteriores chamam a atenção para a noção de responsabilidade: somos responsáveis  por fazer a felicidade acontecer, não meros receptores de uma felicidade que por acaso nos acontece
4. A infelicidade é tão importante como a felicidade, porque na manifestação dos sentimentos negativos compreendemos a importância dos sentimentos positivos e os momentos de crise são, na maior parte das vezes, momentos "bons" roque nos desafiam e nos mostram o que temos cá dentro de melhor
5. A mera ideia de que podemos ser mais felizes amanhã do que fomos hoje pode ser suficiente para nos manter envolvidos na nossa própria vida: não é preciso experimentarmos a felicidade, a sua ideia pode ser o suficiente
6. E se a pergunta for "o que é preciso para me fazer infeliz"?
7. Existem dois tipos de factores preditores da felicidade: os externos (particularmente a satisfação com as nossas relações interpessoais) e os internos (nomeadamente a extroversão e o neuroticismo)
8. Os países mais ricos são mais felizes: porque são democracias há mais tempo, porque são mais organizados, porque há menos corrupção e as pessoas confiam mais nas instituições
9. Felicidade é pensar: porque é através do pensamento que nós criamos, desafiamos e somos livres
10. Os latinos vivem a felicidade mais na relação com os outros e os nórdicos mais na relação consigo e com o que acontece
11. Em Portugal está a fazer-se investigação científica nesta área que é única no mundo e que já conseguiu identificar que a felicidade causa alterações reais a nível psíquico e físico (inclusivamente a nível molecular

(Como é que escrevi mais um ponto?????? Que nervos que me faço!!!)

Ora bem, depois deste momento pós criativo idiota.....

Os encontros do Observador vão continuar a acontecer, mantenham-se atentos. Este encheu, acredito que os próximos também. Como tinha escrito no outro post, o original bonito, só decorei a data de 19 de novembro, que há de ser o encontro sobre os sentidos, mas o próximo é sobre tecnologia e futuro, há de haver um sobre empreendedorismo e inovação e os outros olhem.... Façam-se à vida e procurem. Eu quero ir ao de novembro.

Vou voltar a escrever sobre isto. Isso é certo.

Durante as duas horas de palestra


Durante as duas horas em que estive sentada no chão frio duma sala do CCB - a idade está a chegar, estar sentada no chão, de saltos e de calças de ganga já foi um exercício mais fácil - tirei notas. Acreditei que precisava de me organizar e trazer coisas para casa e há muito pouca coisa que me oriente como a palavra escrita. Basta-me escrever as coisas para as saber, porque as memorizo mais facilmente, porque passam a fazer parte de mim. O segredo do sucesso dos meus apontamentos para os testes era esse mesmo: eram bons porque os fazia, não pela sua qualidade intrínseca. Depois de os escrever passava a saber a matéria. Ainda hoje funciono assim, até com as agendas: depois de marcar as tarefas não preciso voltar à agenda, já não me perco. 
Ora bem, retomando. Tirei notas. E à minha boa maneira fiz desenhos nas margens do texto que escrevi. Desenho habitualmente duas coisas: pessoas e formas geométricas. Mais vezes formas do que pessoas (as pessoas também são mais difíceis). Hoje desenhei estrelas. E hoje procurei a simetria nas estrelas, procurei fazê-las bonitinhas direitinhas. E a ultima que desenhei era uma estrela de seis pontas que, imediatamente antes de ser estrela passou a ser um grupo de seis setas. Direitinhas bonitinhas. 
Fui ver o que desenhar estrelas significa - busca constante de significado onde quer que ele possa ser construído. Desenhar estrelas significa ter ambição, ter energias para usar a atingir objectivo. E se as estrelas forem simétricas, significa que sabemos analisar situações, estamos seguros de nós e somos curiosos. Por outro lado, desenhar setas remete para alguma ideia fixa.
Ora tudo isto faz todo o sentido. Todo o sentido. Para mim, para o significado que quis construir para a minha vida e que quero por em prática. E é nestas pequenas coincidências que eu encontro o que me mantém fascinada pelo que me rodeia, atenta aos sinais que a vida me envia, porque tantas vezes me deixam de sorriso sincero.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

o medo do risco mata as boas ideias

há muitos muitos anos, quando eu ainda não era uma mãe de família com vida social nocturna praticamente inexistente, eu gostava de ir ao Bairro Alto. minto. eu só gostava de ir sair à noite ao Bairro Alto. gostava de estar lá, gostava de olhar à minha volta e ver as pessoas, todas as pessoas, gostava de quando o tempo bom chegava, as ruas se enchiam e passávamos apertadinhos naqueles banhos de multidão. gostava de poder olhar de perto para as pessoas nesses momentos, de ouvir os momentos de conversa assim, perdidos sem contexto. gostava de estar de copo na mão na rua. tenho saudades.
quando saía para o Bairro era raro, mesmo muito raro, voltar para casa de mãos a abanar. existiam, na altura, umas colecções de postais publicitários. uma delas até os tinha numerados. tive (e tenho, porque não os deitei fora e estão dentro duma caixa de madeira algures numa arrecadação) pilhas de postais. um deles, a fazer publicidade a uma escola, tinha escrita a frase do título (espero sinceramente que isto chegue para reconhecimento dos direitos de autor da frase).
já a disse noutras alturas, noutros contextos, e tenho-a repetido muitas vezes nos últimos tempos. esta semana, para a completar, uma pessoa disse-me: às vezes é preciso ousar.
a crise trouxe muita coisa má às nossas vidas, às vidas das pessoas que nos rodeiam. a crise trouxe muita coisa má a todos, e a uns mais do que a outros. as histórias más multiplicam-se e continuam a aparecer. isso tornou-nos não só cautelosos como receosos. a crise demonstrou-nos duas coisas: a universalidade das desgraças e a efemeridade das coisas que muitas vezes damos como garantidas. a crise trouxe-nos o medo. e é com este sentimento que a crise há de conseguir perdurar. porque o pouco que temos queremos manter e mais vale um pássaro na mão do que dois a voar.
mas temos de reconhecer que, por muito que às vezes seja difícil de a reconhecer, existe uma linha divisória entre a cautela e o medo. a cautela implica respeito e planeamento face a uma dada situação. mas não tem o impacto emocional que a palavra medo tem. que implica que nos sentimos diminuídos nas nossas capacidades para enfrentar o que temos pela frente. o medo afecta a nossa auto estima e faz-nos recuar, quando temos capacidade para avançar.
e as crises são momentos de mudança. que devem ser olhados como momentos de criação. de um eu diferente, de uma vida diferente, de novas oportunidades, de novos desejos e objectivos. quando devidamente acautelados face ao futuro, porque não arriscar?

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Ajudar o Boris

Eu não sei quem é o Boris. Mas conheço quem o conheça. Por isso, esta tarefa hercúlea a que se propôs - trazer o pai de volta para Portugal - precisa do apoio e da atenção de todos os que possam de alguma forma ajudar.

domingo, 3 de maio de 2015

festejar o dia da Mãe e o dia do Pai

O dia da Mãe e o dia do Pai têm sido dedicados aos nossos pais e mães. faz sentido. por todas as razões, e mesmo que seja (quando em condições normais) importante lembrar estas duas pessoas todos os dias, é importante que, enquanto filhos, celebremos o que de bom esta relação tem, nos deu e nos dá, e que identifiquemos esses pontos positivos para que possam passar para o futuro.

ultimamente, pelo menos no ciclo das pessoas que mais me são próximas, temos aproveitado o dia da Mãe para nos apercebermos de quanto o amor pelos filhos nos modificou, de como crescemos enquanto pessoas por sermos mães e de como, contra tudo o que de mau pode acontecer no exercício da maternidade, não nos arrependemos nem um minuto, sabemos que a nossa vida mudou para melhor. espero que esta reflexão que fazemos para fora seja acompanhada por uma reflexão para dentro: que mãe sou eu, como melhoro e como me corrijo. como demonstro o meu amor de forma a que os meus filhos o sintam, todos os dias à sua volta, que os oriente e eduque também. penso como os meus defeitos enquanto pessoa os podem afectar, ao afectarem a maneira como exprimo o meu amor. que é real e maior do que a minha vida. a mãe nasce com cada filho, mas como qualquer pessoa, pode mudar, crescer e melhorar.

mas há mais. no outro dia vi, no telemóvel de um amigo, a foto que ele guarda da mulher e da filha. não sei se todas as mulheres gostariam de se rever naquela foto. e por isso fiz esse mesmo comentário. e ele respondeu-me: eu vejo muito mais do que aquilo que estás a dizer. pata na poça. mais: CORPO NA POÇA; COM CABEÇA DEBAIXO DE ÁGUA. assim mesmo, com as letras maiúsculas. remete-te à tua ignorância sem filtro, que mais valia teres estado caladinha. palavras a mais dá sempre nisto. sempre.
ora então, que vê então o meu amigo? vê a mulher, a filha e a mãe que ele escolheu para a filha dele. é isto que ele vê. e que reconhece como o mais importante.

escolher a maternidade ou a paternidade, quando o fazemos - a escolha, quero dizer - implica escolher quem está do outro lado. e depois disso implica construir uma maternidade com uma paternidade com um bebé que por si só é uma descoberta. implica portanto festejarmos o dia da mãe e o do pai com quem nós escolhemos que o fosse para o nosso filho. implica fazer o que o meu amigo faz, todos os dias, para que o resultado da escolha seja e se mantenha positivo.