domingo, 31 de maio de 2015

Hoje falei do silêncio

E de como gosto de o ouvir. Gosto dos momentos em que consigo não pensar e que estou só a sentir o silêncio. Em que ouço o vento ou os pássaros, ou só a vida à minha volta, o passar do tempo. Que também tem o seu som, a sua melodia própria. 

Mas gosto ainda mais do silêncio na escuridão. Gosto de apagar as luzes à noite e de estar acordada e de ouvir o silêncio no escuro. É aconchegante. Os momentos de estar sozinha comigo mesma sabem-me melhor assim. Sem fazer nada ou com uma pequena luz, para ler, ou a ver um filme. Gosto da penumbra.

Vejo mal, uso óculos. Mas movimento-me à noite como se sentisse as coisas, sem precisar de as ver. Os miúdos perguntam-me muitas vezes se vejo no escuro. Sei o sítio das coisas, o meu corpo sabe onde não bater, para onde estender as mãos para chegar às coisas. No escuro vejo bem sem ver. Porque sinto. Porque não dependo dos olhos. No escuro sou mais livre. No escuro e no silêncio. Estou livre e comigo.

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