domingo, 24 de maio de 2015

Reduzir palavras a números

Na maior parte das vezes, usamos as palavras para nos explicarmos. Para comunicar, para expressar ideias, transmitir informações. As palavras são mais ricas, a sua união torna possível a construção de uma rede infinita de frases que tentarão transmitir a riqueza do pensamento mais intrincado. Para que quem quer que as leia ou ouça consiga reproduzir na sua cabeça esse mesmo pensamento, admirá-lo pela sua beleza ou estranhá-lo na sua complexidade.
As palavras servem-nos todos os momentos do dia, porque sem discurso não há pensamento. As palavras amparam, acariciam, matam ou fazem matar. Li na net no outro dia uma frase que dizia mais ou menos isto: "digas o que disseres, da maneira que disseres, vai haver sempre alguém que compreende outra coisa completamente diferente da que disseste". E esta possibilidade é real, não é uma percentagem a descurar. E agora já estamos a falar de números. Que têm, em si, muito menos probabilidade de serem interpretados de diferentes formas.
Para um matemático apaixonado, os números têm tanta ou mais beleza que as palavras, e um matemático saberá acrescentar que os números estão em todo o lado, até mesmo nos momentos em que nos parecem mais longe. Os números criam a beleza natural, como desde a Antiguidade a matemática demonstrou, com a proporção áurea, não são uma exclusiva criação humana para ordenar o mundo desorganizado.
Em 40 minutos mudaram 8 anos e meio. E em menos de 10 minutos, quase 11 anos. Os primeiros criam um novo momento. Os últimos um momento final. É assim que a vida muda, muitas vezes sem muitas palavras e muitas vezes sem beleza alguma.

Sem comentários:

Enviar um comentário