segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

foi hoje

os últimos tempos têm sido profícuos em confrontos. com outros, comigo, com situações que me têm posto no limite das minhas forças físicas e emocionais. hoje ainda a vida consegue surpreender-me: pelo que me põe à frente e pela mão no ombro no momento certo (a segurar-me ou a empurrar-me para a frente).
ontem o confronto foi comigo. com as minhas lamechices. com as minhas cenas de discurso repetido, sem resultados visíveis. por isso, hoje foi o dia de arregaçar as mangas e comprometer-me com a minha ideia, comigo, com o meu futuro (e o da minha família).
hoje  comecei a prática de algo que anda cá dentro há algum tempo e que gostava que viesse a ver a luz do dia. porque é uma boa ideia, porque acredito mesmo que a posso por cá fora e, mais, que poderá ser uma ajuda real para muitas pessoas.
hoje obriguei-me. mas terei de continuar a obrigar-me, para poder transmitir de viva voz aos meus filhos que o importante é tentar, continuar a tentar, e tentar mais uma vez, até conseguir.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Memória olfactiva

com as primeiras chuvas do outono, as primeiras a sério, o mundo cheira mal. há um cheiro nauseabundo no ar. que se entranha no nariz e que me faz pensar que esta chuva está a lavar os males que o calor deixou, que nos está a limpar antes do mundo entrar na sua hibernação suposta, no seu momento de resguardo, no seu momento de pausa para que depois, quando o calor começar a dar lugar ao frio, nos possamos encontrar verdadeiramente recuperados para dar nova vida à vida. este cheiro faz-me pensar no que de mau há, no que de mau quero deixar para trás, no que de mau me aconteceu, no que de mau quero deixar de pensar, no que a chuva me pode ajudar a lavar.
as más coisas que trazemos dentro não se lavam com água, lavam-se com bons pensamentos,mas as coisas más que trazemos às costas lavam-se bem com uma boa chuvada, e assim se renova o mundo. não só quando coisas novas nascem, mas também quando se prepara o terreno, muito tempo antes de elas poderem sequer ser pensadas, limpando-o das ervas daninhas que não podem ocupar o espaço das coisas boas.

cheira mal mas eu gosto. gosto porque lava. e resolve. põe o teu coração nas mãos de quem o possa segurar e os pés no caminho que te mostrarem que deves percorrer. entrega a quem te possa orientar o que de mau tens, sentes e pensas, para que esse peso te possa ser retirado. dá o que receberes, reconhecendo as mãos que te ampararam mesmo quando não pediste. aceita sem sacrifício, porque há sentidos que não vemos, significados que só encontramos depois, mas que já lá podem estar escritos. e no fim, sorri.

Não me lembro de alguma vez ter chovido no meu dia de anos

Isto que está escrito no título não é inteiramente verdade. É uma meia verdade. Lembro-me que houve um ano que o dia terminou a chover. Acho que fazia 20 anos. Mas não tenho bem a certeza.

No meu dia de anos pode estar frio, e até pode ter chovido durante a noite. Mas em geral está um dia de outono invernal, com algum sol, naquela luz de dias frios que a mim me diz muita coisa. Gosto do outono (ou da réstia de outono que nos deixou esta maníaca alteração climática que está a tornar Portugal num país tropical). Gosto de sol com camisolas, daquele solinho bom que não chega para tirar o casaco mas nos põe as bochechas coradas. Gosto deste início de inverno, gosto do meu mês.

Passou quase uma semana. Tempo certo para olhar agora com calma para mais um fim/início, fazer balanços e planos. A idade nunca me assustou, muito provavelmente porque sempre me deram mais idade do que a que tinha o que me terá, se calhar, preparado para o momento em que essa idade chegaria.

Roubaram-me as lágrimas. A tranquilidade e o distanciamento que a idade me deu roubaram-me as lágrimas. E agora aqui estou, e estarei. Mesmo que magoada, mesmo que a sofrer, mesmo sem alternativas à vista. aqui estarei. A aceitar que a vida é assim, que existem momentos de agonia intensa que têm de ser vividos e em que outros contam connosco. E quando a loucura se instala, alguém tem de manter o sangue frio. E eu não choro (muito) e vivo em modo piloto automático, a manter as rédeas da situação (da forma que o cérebro e o coração me deixam, à beira da loucura interna, porque o sangue frio é só aparato exterior). Sei de tudo isto por mim. Mas também pelos outros que me dizem repetidas vezes que não aguentariam. E eu, que me sinto no limiar das forças penso, quando ouço a opinião alheia, que tem de ser. Que se as lágrimas não vêm por alguma razão é. Ora então aguentemos. Pior que está pode sempre ficar, mas ainda vou acreditando que isso não vai acontecer. Não por mim, porque eu sei que aguentaria. Bicho sem sangue, eu cá estarei. Para o que der e vier. Mas pelos outros que talvez mereçam mais que eu. Melhor que eu.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

I was there in your darkest nights

And I am still. But that changes people. From the inside. And to gather your tears you have to hide some of your smiles, or else you will not make it. And that changes people. And I am changed. From the inside.

And sometimes I am sorry. And afraid of the future. Because if there is no ability to smile there is no ability to live. I was there in your darkest nights. And still am. But something has changed. In my inner side.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Uns chamam-lhe maluquice

E eu estou inclinada para lhe chamar filhadeputice. Assim, tudo pegadinho, para se dizer depressa e ter o efeito desejado. Há merdas que são mais do que maldade, são atitudes filhas de putice, que se fazem para ofender, humilhar, magoar os outros. E o caralho para quem as sofre, que são mesmo para não serem esquecidas, são criadas mesmo para fazerem mossa, deixarem marca, roubar o sono. São feitas para matar de sofrimento.
E matam. Matam tanta coisa à sua volta... E não só dentro do alvo. À sua volta também. E quem morre das filhas de putice morre lentamente, a olhar para os outros e a pensar que raio tem a raça humana dentro do coração e da cabeça. E depois morre assim, em vida, morre-lhe o coração para as coisas boas e a cabeça para a sanidade. 

Pinto mais uma marca dentro de mim. 

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Aos solavancos é que vamos

Rabujo no meu melhor o extremo. Estou extremamente cansada, física, psicológica e emocionalmente, e o cansaço fica e perdura e não se afasta de mim. Sinto que sou cansada, mais feitio do que defeito, sou cansada porque sim, porque de tão cansada me falta a forca para o deixar de ser. Nem que fosse para passar apenas ao estar.
Falta-me o tempo. Que mentira, como me pode faltar algo que todos temos por igual, na maior distribuição igualitária do mundo. Todos temos direito a 24h. Todos. Condiciona-nos então apenas a pergunta do "o quê?". O que temos nós de fazer nas 24h, o quê? E aí tudo muda, de mim para mim, de mim para ti, de ti para o outro. Somos muito do que queremos fazer nestas 24h, e cabe-nos a nós o domínio da frustração fácil face ao que não vai ser feito. Sem ilusões: muitos milhares de coisas não são feitas nos 365 dias de cada ano. E já nem falo das maravilhosas e sempre pouco frutíferas decisões de ano novo. Propomo-nos sempre a mais, sempre fora de pé, porque achamos sempre que mais é melhor, esquecendo pelo caminho que na sua eterna sabedoria o Criador só nos deu duas mãos, já a alertar para a diminuta capacidade de gestão. Em equipa fazemos muito e melhor e em menos tempo. Com duas mãos, para fazer bem, há que fazer pouco. Porquê então? Qual a resposta para esta perseguição do impossível, do dificilmente alcançável? Para quê então passarmos por esta frustração auto-infligida do "muito é que é bom"?
Faço listas para me organizar, que perco ou que são interrompidas por assuntos sempre cada vez mais urgentes do que o anterior, que se arrastará para o dia a seguir ao seguinte, porque o seguinte também há de ser de apagar fogos, de cumprir e resolver imprevistos que evitam a resolução do proposto. Viva viva a improvisação que me acaba com os planos e me mergulha na ausência de controlo do meu quotidiano. Odeio-te.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Os deuses testam-nos mas não nos detestam

A brincar se diz o título. Até com piada. Eu por acaso gostei muito. Foi um trabalho a duas mãos. Ele disse o início e eu o fim. Porque pensei que o tempo me tinha dado a capacidade de não chorar, de persistir sem medos, sem medo de fraquejar, sem dúvidas porque com o coração ao alto tudo se decide sempre pelo melhor. Porque tenho de acreditar ainda hoje e mais uma vez que tudo o que está é passageiro, que é mais uma das tantas tempestades que durante a vida vivemos. Só mais uma, das tantas outras que ainda faltam vir.

Estamos no número 3. O da trindade, o da conta certa, o da perfeição divina. Estamos no três com um pé já no quatro e em todos os outros que se seguirão. Quero estar depois como estou hoje, uns dias melhor outros pior, outros ainda muito bem, como se não existisse melhor sítio do mundo onde estar.

E não há. Aqui há o que eu construí e se não o quero assim, é também aqui que o tenho de mudar. Aqui há o nosso amor, os nossos desamores, os nossos filhos e nós, os teimosos, a teimar sempre com a presença e a ausência do outro. Um mais um a serem um muito grande, igual a dois, melhor que quatro, a pensar se calhar no cinco.

O amor é assim. Real, sem pinturas, com chatices, beijos, nódoas, noites mal dormidas e muitas gargalhadas. Mais que ser assim o amor é aqui, na vida, no corpo e nas mãos, e por isso não é outra coisa que não a vida como ela é. O amor é isto, o amor és tu.

Com o meu amor eu sinto menos as lágrimas, vejo mais a tormenta como passageira, acredito mais que tudo vem e no mesmo caminho, ou noutro, há de ir. E nós havemos de continuar, não no mesmo sítio mas para sítios melhores. Agora que já entrámos nos 3 a contar que os dedos não nos chegarão para chegar ao fim.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Aos quinze meses

Amanhã são os 15. E já se corre, já se manifesta a frustração e a vontade de formas bastante expressivas - manda-se para o chão, é o que o palavreado bonito quer dizer. Há sempre sempre um sorriso, e já me viras as costas sem chorar quando chegas ao colégio. Começaste há 15 dias, às vezes odeio egoisticamente esta tua facilidade de estar e de te ambientares ao mundo que te rodeia. Ciúmes de mãe. Não falas nada, apontas muito. Ainda tomas AeroOm, por genética do teu pai. 
A tua irmã está a sentir agora que és uma pessoa e não um Nenuco, e também mostra a sua frustração e os seus ciúmes. Ciúmes de mana, que não sabe verbalizar e que não te dirige a ti, mas a nós. Está crescida e gosta de borboletas, brilhos, cor de rosa e não que lhe mexas nos brinquedos. Mas quer que vais dormir no quarto dela na casa nova, porque ela "deixa". Também se manda para o chão e agora faz uma marreca quando é contrariada. Isso ou porta-se mesmo mal, com direito a raspanete que já compreende quando é bem aplicado. Está uma crescida.
Amo-vos aos dois mais do que ontem e menos que amanhã. Todos os dias da minha vida.

Do amor

Este blog podia escolher mais temas para abordar. Coisas diferentes, casualidades, banalidades, actualidades. Raramente escolhe. Ou seja, raramente escrevo sobre outras coisas que não o amor ou o desamor. 
Tudo poderá ser resumido ao amor, se bem analisado, tudo na nossa vida gira em volta do amor. Que temos ou não temos pelas coisas que nos rodeiam. Que nos mora ou não no peito, que trazemos todos os dias junto a nós. Este blog não sabe falar de outra coisa, e só quer falar do que fala. E falamos do amor.
Hoje vi uma tristeza infinda nos olhos de alguém que não conheço. Fui eu quem a fui buscar para a ver. Fui buscá-la sem saber que a iria encontrar, guiada apenas por um instinto subtil, sorrateiro, que se me tinha posto cá dentro sem aviso. E quando lhe falei ao ouvido, ou directa ao coração, essa tristeza mostrou-se-me, e à pessoa que dela é dona, e soubemos naquele momento que foi aquela tristeza nunca antes nomeada que nos tinha juntado. Estamos juntas pelo desamor, e compete-nos encontrar o seu contrário. Compete-nos matar esta falta, ocupá-la com o amor, com ou sem objecto, mas o amor, pela sua beleza, o seu impacto, a sua presença. Pela sua força motriz, pela sua energia infindável, que move montanhas dentro dos peitos e das cabeças, dá caminho aos pés e trabalho às mãos.
Hoje descobri que me compete ajudar a preencher esta falha num peito que não é meu. E hoje este blog fala mais uma vez do que fala sempre e recorda uma frase sua: nada mais há no mundo que o amor.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Aos treze meses

Para ficar escrito, aqui vai:
Aos treze meses o João anda, trepa e tropeça. Tudo muitas vezes. Na praia anda pelo mar adentro até ter água pela cintura, que é quando se lembra que está fria e volta para para trás. Anda muitas vezes em círculos, e em dois dias passou a andar melhor em plano inclinado, que é como quem diz fazer o declive da areia até ao mar. Também gosta de piscina e de bóias, ri-se muito com tudo e com toda a gente.
Come bem e dorme pouco, mas se não dormir não come. Come de tudo e sofre com o calor, apesar de ter nascido no píncaro do calor no ano passado: bebe litros de água. Aprendeu a segurar o biberão mas ainda não percebe a inclinação necessária para beber. 
Não fala nada de português, só o seu próprio dialecto que ninguém percebe. É teimoso, muito. Persistente e com boa memória. 

Tem uma irmã. Que aos quase quatro anos me dá volta ao juízo. Tira qualquer santo do sério, apetece esganar. E no momento a seguir dá beijinhos e abraços e nós lá ganhamos ânimo para mais uns momentos. Adoram-se e espero que assim seja. Disseram-me no outro dia que provavelmente foi mesmo minha filha noutra vida. Se calhar. 
Esta fala tudo e até demasiado. Quer ser princesa cor de rosa com poderes na barriga, que a fazem dar 30 beijinhos e depois os poderes podem acabar. Quer ter um cavalo bebé e um crocodilo bebé e tudo o que lhe pudermos dar. Faz birras insanas de menina mimada e tem pouca tolerância à frustração. Isso irrita-me muito, é o que mais me irrita.

Penso que para o ano as férias vão ser mais fáceis, porque eles serão maiores e mais autónomos. Estou a enganar-me deliberadamente. Tudo bem.

sábado, 9 de agosto de 2014

Podia ser que não fizesse diferença. Mas faz.

O amor e a cumplicidade existem. Num momento inicial. Sem se saber muito bem porquê. O momento inicial pode perdurar. Naquilo que os anglo-saxónicos chamam infactuation. Depois disso, para não morrer o amor e a cumplicidade têm de ser cuidados, criados, cultivados.

Cultivar o amor tem várias formas, receitas, tarefas. Cultivar o amor tem tempos, exigênciaexigências e saber. É fácil fácil perder a colheita. Que eu não quero perder.

Amo-te muito.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Da insanidade mental que nos rodeia

Ora tenhamos em conta que "de são e de louco, todos temos um pouco". Verdade universal, como todos os provérbios portugueses.

Posto isto, há que reconhecer que as percentagens de são e de louco não são iguais para toda a gente. E em certos casos a balança apresenta um desequilíbrio notório. Para o lado menos positivo, entenda-se. E não estou a falar dos casos diagnosticados, mesmo que não acompanhados. Nem dos casos que, mesmo não diagnosticados são relativamente óbvios para todos. Está lá, à vista, mesmo que não tenha nome.

Os casos preocupantes são outros. São aqueles em que só os que convivem mais de perto com a pessoa percebem verdadeiramente a dimensão da insanidade. E de como lavra impune naquela vida e, de forma mais importante, na vida de quem rodeia aquela pessoa.

Tenho conhecido alguns. Se calhar alguns dizem o mesmo de mim. Mas eu às vezes também o digo de mim própria, e já pus em causa várias vezes a minha saúde mental. Ou a presença de doença.

Isto tudo para perguntar: o q c@#@/&* têm certas pessoas na cabeça? Como é que me dou/dei com pessoas assim?? Dass..

terça-feira, 22 de julho de 2014

Daydesigner

Sou desorganizada. Desmotivo-me facilmente porque de entre as mil coisas que quero fazer, só me organizo para iniciar 200 e acabo muito poucas, normalmente sob stress. Por causa da desorganização. Sei que conseguia fazer mais. Que ficava mais feliz e realizada se o fizesse.
Pedinchei um daydesigber ao meu cunhado. Que mo trouxe. A ver vamos se me ajuda. O objectivo agora é, até 31 de Julho, organizar mail e pc.
Desejem-me sorte (quero mesmo fazer isto).

Daydesigner

Sou desorganizada. Desmotivo-me facilmente porque de entre as mil coisas que quero fazer, só me organizo para iniciar 200 e acabo muito poucas, normalmente sob stress. Por causa da desorganização. Sei que conseguia fazer mais. Que ficava mais feliz e realizada se o fizesse.
Pedinchei um daydesigber ao meu cunhado. Que mo trouxe. A ver vamos se me ajuda. O objectivo agora é, até 31 de Julho, organizar mail e pc.
Desejem-me sorte (quero mesmo fazer isto).

segunda-feira, 14 de julho de 2014

tê-los no sítio quando não os temos

no ritmo louco do dia a dia é fácil esquecer-mo-nos do que realmente importa. de quem realmente importa. o conforto e o comodismo e o receio podem toldar-nos esse raciocínio. há uma colega minha que vai deixar a profissão dela. assim, sem outro sítio para onde ir. vai para perto do marido, assumindo o que para ela é importante. é claro que ela o pode fazer e é claro que o pôde fazer porque a vida deles reúne uma quantidade de condições que outras não reunirão. é verdade. mas mesmo assim não lhe retiro o valor. num mundo de competição, e ainda muito marcado pelas ideias e pela luta das mulheres que há poucas décadas atrás quiseram ganhar autonomia e sair da forçosa alçada dos homens, nem sempre é fácil sermos compreendidas num conjunto de decisões. que nada têm a ver com ideais feministas ou subjugação ao mundo masculino. são só valores próprios, ideias próprias, desejos e prioridades individuais.

faz hoje um mês que aqui estive pela última vez

quando andava na primária tinha uma colega chamada Inês. Lembro-me que era muito alta, tinha o cabelo muito encaracolado curtinho e costumava usar fitas no cabelo. vermelhas. é engraçado o que nos lembramos das pessoas. a Inês foi minha colega até ao 6º ano. não faço ideia do que lhe aconteceu, provavelmente passaria por ela sem a reconhecer. provavelmente já o fiz. lembro-me vagamente de onde fica a casa dela, porque lá fui uma vez, só não me lembro porquê nem como (não me lembro de ter autorização para sair da escola...).
a Inês vivia com a mãe e com o paizão. mas também tinha o pai dela. porque o paizão era o padrasto. que a Inês adorava profundamente, daí o nome: paizão. um pai muito grande ou um pai muito maior. lembro-me de contar isto em casa e de me terem alertado para as origens do amor: o coração e não o sangue. lembro-me bem disso, e agradeço que mo tenham mostrado, porque também foi por mo terem mostrado dessa forma que agora, tantos anos depois, a minha família aceitou e acolheu a minha Inês.
e agora sou madrasta. e agora percebo o peso deste papel, onde só há deveres reconhecidos, mas muito poucos direitos oficiais, só aqueles que com o coração conquistamos junto das crianças que ajudamos a criar. primeiro é o peso da outra pessoa. da ideia sempre presente que o nosso marido teve um passado e que ele é palpável: anda, fala, e de vez em quando faz birras de nos tirar do sério. depois é o peso dos olhos: somos observadas ao milímetro, sempre na suspeita constante que podemos tratar a criança de maneira diferente, menos calorosa, amorosa, sempre no receio de que possamos tratar a criança mal. é isto, sem rodeios. somos observadas ao milímetro sempre na expectativa que possamos tratar mal a criança. e quando surge outra criança, os olhos são ainda mais atentos. mantém a compostura, não resvales. afinal, és mesmo mais que mãe: não podes nunca falhar, estar cansada ou tomar más decisões - é sempre possível que vejam isso de outra forma. se falhares com os teus, tudo bem. mas não está tudo bem se falhares com os dos outros. que por acaso, mas só por acaso, são também um bocadinho teus, porque também lhes trocas as fraldas, limpas o vomitado, aturas as birras e acordas a desoras quando têm pesadelos. isso não interessa. escolher este papel significa escolher uma tonelada com mais de mil quilos de deveres. e sem qualquer tipo de garantias quanto a direitos. se te divorciares (bate na madeira muitas vezes), mesmo que tenhas a melhor relação do mundo com a criança, esquece possibilidade de visitas. a tua relação morreu naquele momento. se o teu casamento continuar, esquece estar presente em acontecimentos marcantes, ou ter um papel de relevo nos mesmos: mãe é mãe, e tu não és. és a madrasta.
na história das novas famílias, há muita gente a ter de morder a maçã envenenada da história da madrasta...  

sábado, 14 de junho de 2014

O mar cá dentro

Tenho um mar dentro de mim. Feito de todas as lágrimas caladas, engolidas e escondidas, a afogar tristezas, muitas delas imensas como o mar.
Este meu mar profundo, feito de tudo o que não chorei, de tudo o que não deixei de mim sair, afoga. Criou-se do que quis afogar, mas agora, quando quer, pode por si afogar. Quando é intenso na sua calmaria torna-me navio à vela sem forma de navegar, parada na sua imobilidade, a ver o horizonte e sem o poder alcançar. Assola-me com a presença do seu silêncio imenso, faz-me ilha deserta sem sombra de paraíso. Quando é intenso nas suas tempestades, rebentam as suas ondas nos meus pilares, ressoando nos meus ouvidos, a lembrar-me o poder que ajudei a criar e agora não posso controlar. É mais que eu, maior que eu, sou eu na minha tristeza triste, sou eu quando me quedo muda sem chorar, impávida no sofrimento, temendo sempre as lágrimas por temer morrer afogada no que vou chorar.
O meu mar está cá dentro, por mim adentro, e  esta semana fui bote a remos na sua tormenta. Esta semana o meu mar profundo relembrou-me como me controla e como o posso controlar.
Chora mulher. Chora.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

If ice can burn

Mostro poucas vezes os dentes. Sou contida nas emoções. Quando gosto, tento mostrar com coisas feitas, com compreensão e maior tolerância a certas e determinadas atitudes. Ou seja, calo-me ainda mais. Atitude pouco sensata.

Tu fala mulher, fala, que calada ninguém te ouve e se já querem saber pouco do que pensas ou sentes, concentrados que estão no seu umbigo, ainda maior é a desculpa para te ignorarem.

Porra que a falta de auto monitorização do comportamento me irrita. E diria mais umas quantas asneiras pensando no provérbio "que bem prega Frei Tomás..."

Do concerto do Justino

Coisas boas: que emoção, que boa voz, bons movimentos e jasus que sedutor.

Coisas más: já não tenho idade para certas coisas... como estar de pé 5h seguidas, lembrar-me que estou 15 anos mais velha do que a média de idades das pessoas que me rodearam e ainda estão para montes de curvas, chegar a casa contente às 3h da manhã por ter feito um programa não mamã e acordar 4 vezes nas 4 horas que se dormiram porque ele tem o nariz entupido...

Quando o que nos magoava nos faz sorrir

Mesmo que seja um sorriso triste, a vida alcançou um ponto de viragem. Porque nós conseguimos dar a volta, desvalorizar o que nos magoava e quem, fazendo o que fazia, nos magoava. Passámos à frente, abanámos a cabeça e encolhemos os ombros. Com custo. Muito custo. Porque custa mais não chorar do que chorar. Porque isso quer dizer que cortámos uns fios da corda que nos ligava àquela pessoa e estamos um bocadinho mais longe de alguém que foi importante na nossa vida.

Não sei se somos mais fortes assim. Acho que não. Acho que somos mais tristes. Mas mais realistas. Porque a minha dor também existe e não é de agora, só a aprendi a calar há muito tempo, tanto que já faz mais parte de mim do que eu gostaria. Porque me marcaram para sempre e se esqueceram que para sempre é a minha vida toda. Sem me esquecer.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Quando o passado quer ser presente

O que vivemos molda-nos. Vivemos a maior parte das situações que vivemos porque escolhemos. Escolhemos na maior parte das vezes condicionados por muitas coisas. Por guerras que não queremos comprar, por saltos que temos de dar, pelas expectativas que nos rodeiam e pelos nossos próprios objectivos.
A nossa vida construí-mo-la. É a nossa obra. Às vezes não ficamos satisfeitos com o resultado. Podemos sempre reformular, reconstruir. Com o preço que há obviamente a pagar, pelo investimento anterior, pelo tempo a investir para ver até onde teremos de reformular, ou se podemos retocar sem deitar abaixo. Mas a alternativa existe. Está lá.

Mas é a nossa. Influencia a de outros mas não a deve condicionar. Foram as nossas escolhas, que não as de outros, que não têm de nos compreender ou fazer igual.

Às vezes é tão simples, tão simples. O passado trazê-mo-lo para a frente é certo mas não se resolve no presente nem na vida alheia. O passado é para resolver internamente, para guerrear de forma consciente, olhando-o de frente sem mentiras ou medos do que somos ou do que podemos encontrar.

Gosto da realidade da minha pessoa. Do que sei mal e do que posso melhorar. Sem vergonha do que não sei gerir e dos meus defeitos. Gosto de pensar no que me causou assim. E às vezes não gosto do que concluo. Nem do que tenho de fazer para mudar e do que tenho de comprar para o resolver.

É a minha cabeça.

domingo, 11 de maio de 2014

in my time, when something was broken, we'd fix it

a nossa vida muda porque o mundo está sempre a mudar. são-nos permitidas coisas actualmente impensáveis há um par de décadas, e à medida que a globalização nos torna num planeta cada vez mais pequeno também os nossos limites se vão esfumando. Transforma-mo-nos todos os dias em indivíduos mais capazes de atingir objectivos, também porque as possibilidades e os meios são mais e maiores e mais eficazes.
Gosto desta ideia. De o facto de sonhar e trabalhar nos poder levar efectivamente mais perto do que sonhámos e planeámos. Mas como tudo o que acontece, há uma parte menos boa, eu acho, de tudo isto. Como somos capazes de mais e melhor, é isso que queremos, sempre, e às vezes temo, a qualquer custo.
As relações humanas não são perfeitas, são cheias de coisas más, difíceis, que facilmente causam dor. No outro dia um jornal português publicou um artigo em que expunha uma nova categoria de solteiros, os que o era porque não queriam a monotonia, queriam o máximo das emoções sempre, todos os dias. Como? Não me quero apresentar velha do Restelo, porque não vejo qualquer interesse nos casamentos do antigamente, em que os anos passavam e se já desde quase o início havia pouco em comum, no final o casal era apenas duas pessoas juntas por comodismo, quando não existiam os mais que conhecidos casos de abuso, adultério, mentiras e outras situações que tal. Mas uma relação é uma construção. À vista, sem planos ou engenharia, sujeita a todos os tipo de intempérie, influenciada pelos ventos, temperaturas e movimentos alheios. Mas é possível. Não é sempre uma obra bonita, nenhuma obra é bonita sempre, mas é possível ver a sua beleza, nem que seja na capacidade de a construirmos. A quatro mãos sempre que possível, às vezes a duas, porque nem sempre as coisas nos correm de feição.
Há tempos ouvi a frase que deu título a este post. E percebi como me assusta esta sociedade de consumo imediato, em que a pasta de dentes pode ser causa para uma separação. Não sei se a minha relação vai durar para sempre, não sei o que é o sempre, sei também que não tolerarei tudo e que não a manterei a qualquer custo (que exemplo daria eu então às crianças). Sei que me quero esforçar para que resulte, com todos os maus momentos que dela resultam e que a acompanham, com todas as coisas boas que às vezes são só pequenos apontamentos. Como um sorriso ou uma festa no cabelo. Não é fácil, não somos todos os dias muito felizes, às vezes nem felizes somos. Mas podemos ser. E para isso há que trabalhar. Noutro sítio escrevi que a palavra relação em inglês explica muita coisa: relationship = relation + ship = um navio que é preciso levar a bom porto.
A companhia na idade adulta é tão precisa, o poder acreditar que se vive bem sozinho certas e determinadas fases da vida é uma ilusão que o meu trabalho me roubou há muito. A morte quando se anuncia, é tão mais fácil de receber se estivermos bem acompanhados. E esta é uma verdade inegável, sem rodeios e frontal. Somos animais sociais, mas nos maus momentos, o quente que o amor nos traz é insubstituível. E esse quente não vem porque a outra pessoa é a perfeita para nós. Será quem se melhor se adequa ao nosso lado, mas é também a que ficou, a que viveu connosco os altos e baixos e soube nos baixos lembrar-se dos altos e ajudar a relação a perdurar. Foi perfeita porque trabalhámos para isso, porque vimos objectivos comuns (às vezes, não sempre) e não desanimámos em demasia. Um não faz o que dois não querem, mas dois podem fazer o que se quer feito. Com maior ou menor dificuldade.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Toma lá

Toma a decisão.

Como se tomam decisões? Quando é que as nossas motivações nos empurram para além da linha que divide o pensamento da acção? Como é que o empurrão acontece e quando acontece?

Há os prós e os contras, e o preço que se tem obviamente de pagar por qualquer alteração de vida que se faça. E estás ou não disposto a pagar o preço...? E o preço paga-lo tu ou também quem te rodeia?

Friamente, qual será a posição adequada, a forma de estar? Onde está a coragem? Será esse o nome da coisa que falta?

Poderás ser bom numa coisa em que não queres ser bom, onde não queres investir, ao que só queres voltar as costas por cansaço, por desilusão? Fará sentido? E o que pensas que queres, se não fores bom nisso? Como farás? O que validas? O reconhecimento, teu e de terceiros, do que sabes que fazes bem e de onde poderás tirar frutos presentes e futuros ou a ideia concreta de que a vida são dois dias e que chegar ao fim com dúvidas é só estúpido? Mas a vida é para ser vivida ou pesada, pesada ou leve, fazes ou estás parado?

segunda-feira, 5 de maio de 2014

a propósito do dia da mãe

sim dia da mãe é todos os dias, como são os dias do pai, da mulher, dos filhos e de tudo e tudo e tudo o que somos e fazemos na vida. somos todos os dias o que somos, todos os dias. também somos mãe, no meio do resto. coleccionei mães ao longo da vida, a minha, as postiças da famílias, as postiças que se tornaram família, as que mantenho perto e as que a vida afastou, quando eu deixei. agora eu também sou mãe, e sei o que é já não ter apenas o papel de filha. sei o que é pensar todos os dias e todos os segundos no impacto que as minhas decisões e acções têm na vida de outras pessoas, mais pequeninas mas tão mais importantes.
este último ano tem sido um desafio. constante. já deixei de contar quantas vezes me apeteceu desistir (isto em mim quer dizer muito pouco, porque desisti de muito pouca coisa na vida, às vezes à custa de muitas cabeçadas). já perdi a conta das vezes em que achei que não era capaz, que nem sequer queria ser capaz. já lhes perdi a conta. às hormonas descontroladas que me tiram e dão o sono quando querem, em conjunto com as noites mal dormidas em que me apetece sair porta fora quando assim que me deito tenho de me levantar outra vez. já não saberia viver com a ideia de não ser mãe, mas às vezes é demasiada areia para a minha camioneta. tenho vestidos que ainda não estreei porque ainda não fui jantar fora e não sei quando irei, porque os dias metem.se uns nos outros e a meio da semana não dá e ao fim de semana se não é neste no outro já não dá e o tempo passou. mas a felicidade é grande, e é alcançada com um sorriso duma boca desdentada.

hoje ajudei, não voluntariamente, a magoar mais um coração de mãe. duma forma irreversível, tão profunda que não há fim para o buraco que se há de abrir naquele coração que eu ajudei a magoar, sentada, com palavras cordiais e pomposas. e agora estou a ver o Veronika decide morrer e a perceber lentamente tanta coisa na minha cabeça.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Nunca faças mais do mesmo

Passam por mim os dias. Assim. Vou vendo que passou o dia do sorriso, e o dos irmãos, e mais um aniversário, e mais um marco importante na vida das minhas crias. Vou vendo que os dias vêm e vão, rápidos que só eles, e eu que tinha as coisas para escrever e já passou o timing e o que era para ser dito já perdeu o sentido e já nem sequer me lembro o que era que queria escrever. Porra. A minha memória já não é o que era.
Ficar-me-ão gravados os sentimentos para memória futura? Espero que sim. Queria tanto que estes dias tantos não me passassem a todos os níveis da forma como me passam a nível da memória. Acabo por escrever os posts lúgubres que não queria escrever só, queria tanto conseguir intercalá-los com as histórias boas de como o meu puto fecha os olhos quando se ri, sempre de lágrima no canto do olho, ou como me recordo inúmeras vezes da explicação do amor - amor é quando amas sem saber porquê - ou de como a luz do sol no último fim de semana me alegrou. Queria, juro que queria. Queria não ser apenas este saco de cansaço ambulante. Mas sou. No final do dia, quando me sento ao computador, é isto que sou. Porque se me esgotaram as forças para escrever o que fui sendo durante o dia. E vou fazendo figas para que o bom se prenda e quando o cansaço passar, ainda lá esteja, à minha espera.

domingo, 13 de abril de 2014

Da curta vida do blog: o São Pedro é a pessoa mais referenciada aqui.

Produção em série

Terceiro post na última meia hora. Posso não ser regular mas sou intensa.

Os últimos tempos não têm sido fáceis. Mesmo. Por muitas razões, umas maiores outras menores outras a deixar mais no que pensar do que outras. Não tem sido fácil. Muito cansaço físico e emocional, muitas perguntas sem resposta a causar alguma insegurança à mistura com alguma insatisfação. Não gosto de chegar onde me sinto estar a chegar, que é ao ponto do encolher os ombros e continuar a fazer o que quer que se esteja a fazer, sem o pensar ou o sentir. Fazer apenas porque tem de ser feito.

Queixas queixas queixas. Alternativas procuram-se (eu sei que também se constroem, não me macem agora, que quero queixar-me).

Post comum

A felicidade (ou não) da relação que quem trabalha durante tem com o São Pedro expressa-se pelo tempo maravilhoso que faz durante a semana e o nevoeiro que acontece aos fins de semana. Parece que há uma conferência no TED sobre o que andamos a fazer mal no amor. 'Bora lá vê-la e fazer as pazes com o santo porteiro, que isto assim não tem piada nenhuma.

blog parado paradinho...

Eu já tinha avisado, e o receio afinal provou-se real. Isto de escrever aqui com frequência e regularidade é um objectivo quase sempre não cumprido. Enfim.

Mantenha-mo-nos no tópico dos sonhos. Eu não gosto de sonhar. Não que tenha voto na matéria (não é algo que se controle) mas eu não gosto de sonhar. Ou melhor, de me lembrar dos sonhos, porque a verdade é que sonhamos sempre, todas as noites, mesmo que de manhã não nos lembremos de qualquer sonho. Ora bem, retomando, eu não gosto de me lembrar dos meus sonhos. Porque na maior parte das vezes são pistas para eu me aperceber de coisas que estão a acontecer debaixo do meu nariz e que eu estou a deixar escapar. Na outra grande parte são pesadelos estúpidos, onde o passado, principalmente as pessoas do passado, vêm fazer-me uma visita nocturna não combinada e acabam por me atazanar o juízo com afirmações ridículas e perseguições paravas.

Quanto à primeira categoria dos sonhos que descrevi, posso parecer assim um bocado louca, mas a verdade é a que está escrita. De vez em quando, os sonhos são um "abre olhos" para o que me rodeia. Um aviso inconsciente para o que me está diante dos olhos abertos e que eu não consigo ver. Ao princípio duvidei da fiabilidade desta informação, mas depois ela foi-se impondo como fonte segura, porque tudo acabava por se confirmar, mais cedo do que tarde. Ora outro pormenor: normalmente a informação não é boa, positiva, e o mais comum é ficar horrorizada com ela. Não têm sido desta categoria os meus sonhos.

Os meus últimos sonhos têm sido da segunda categoria. E aqui deixo um apelo: a todos os que ficaram no passado e possam ter questões não resolvidas com a minha pessoa, o número de telemóvel ainda é o mesmo (é o mesmo desde que tenho telemóvel) e portanto liguem-me, mandem mensagem, whatever, o que vos deixar mais confortáveis. Mas por favor DEIXEM-ME DORMIR, que eu preciso muito das minhas horas de sono. Todas. Sem excepção.

terça-feira, 1 de abril de 2014

And suddenly

"But really life is deadly" (a letra não é assim, mas eu gosto muito mais dela assim do que da forma original).

A morte espero-a sempre. Estamos vivos, havemos de morrer. Uns com mais coisas ainda por fazer do que outros. Volto a parecer insensível eu sei. Mas é uma companheira calma a quem me habituei.

Mas tem dias em que a sua companhia pesa mais que outros.

Até sempre M.

sábado, 29 de março de 2014

Cá beijinho!

Maravilhoso maravilhoso são os beijinhos e abraços fofinhos e falsos que se distribuem continuamente e em especial nalgumas situações sociais.

Aiiii tantas saudades, que bom que é ver-te, que andas a fazer? Sorrisos grandes e dois segundos de atenção à resposta porque na verdade ninguém quer saber. Se não nos vimos nem nos falámos durante ninguém sabe quanto tempo é porque ninguém quer saber. E dois segundos depois estamos a pensar se o ferro ficou ligado ou o que raio vamos fazer para o jantar que estamos fartos de comer sempre a mesma coisa.

Mas os beijinhos e abraços fofinhos estão dados e hão de ficar para a posterior memória que também ninguém vai lembrar. A menos que se tirem fotografias que também ninguém há de ver. Tudo muito socialmente correcto. E fofinho.

O certo é que ninguém se importa. A menos que seja interessante para o próprio. Se não, à primeira oportunidade, os beijinhos tornam-se dentadas na jugular, e os abraços tentativas de estrangulamento. Tão fofinhos que dói.

E eu sem paciência para isto, capaz de morder melhor e mais rápido mas sem ver qualquer benefício nisso. Ai.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Vamos lá produzir

Penso muitas vezes nas voltas que a vida dá (já pensei mais, também é verdade, já não me dá muito para isso). Onde estive há tão pouco tempo mas onde neste momento não me via a voltar (pode ser que isto queira dizer que estou bem onde estou). Mas o caminho é para a frente, digo eu, voltar para trás nunca foi um objectivo meu (saudosismos não são comigo). E para a frente tem-me sido difícil olhar com clareza, mesmo com toda a atenção (se calhar porque ainda não tomei a decisão à séria do para onde olhar). As alternativas podiam ser muitas, ou essa só conversa de chacha, de encher chouriços, para nos convencermos que temos o futuro na mão (e eu que queria mesmo mesmo que isso fosse verdade). A verdade é que cada vez mais acredito que há alturas na vida em que fazemos o melhor que podemos com o que temos à mão, porque produzir alguma coisa é só difícil.

Não muito fã deste post.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Os condões de cada um

Todas as pessoas têm os seus dons. Uns bons. Uns muito bons. E outros muito eficazes. Mesmo sendo muito negativos.

Há pessoas que conseguem fazer da mais pequena coisa uma alegria ou uma felicidade para si e para os outros. É o seu dom. E há quem tenha o condão inverso. De tornar tudo o que os rodeia mau. Pequeno. Desagradável e desconfortável. Para si e para quem o rodeia. Ambos os condões importantes e com o seu impacto, mas o segundo com muito mais peso que o primeiro.

Porra.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Acordo cansada

Sonho muitas vezes que tenho uma casa. Não é sempre a mesma, mas têm todas as mesmas características. São grandes, velhas, a precisar de obras, muitas obras. São casas com histórias que não são minhas, casas com histórias de há muito tempo. Algumas são-me mais familiares do que outras - uma delas, por exemplo, era na terra da minha avó (que depois não era bem a terra da minha avó... como habitual nos sonhos). As minhas casas de sonho têm também outra característica: há sempre uma ou outra passagem secreta. Não uma passagem secreta para uma sala secreta também, ou para um tesouro. Passagens secretas que tornam o caminho dentro de casa mais curto, unindo salas que há partida não têm ligação entre si. A última era um prédio enorme. Os andares eram muitos e eu estava no último. Faltava parte do tecto e a parede que dava para a rua. Estava sol, e o céu muito azul. Não há mais história no sonho. Não me lembro de propósito ou objectivo meu no sonho, sei também que não é habitual estar sozinha.
Hoje fiz uma coisa que nunca tinha feito, consultei o Google. Deliciem-se comigo:

http://www.dreammoods.com/dreamthemes/house.htm

terça-feira, 18 de março de 2014

Hoje vi as pernas que queria ter

Não há nada como poder sonhar. enfim.

Há amores que não se explicam. Que estão em nós cá dentro, enraízados, e que não morrem.Também não sabemos como lá foram parar, nem como poderão ter ganho tanta força. Porque é que gostamos daquele clube e não de outro, mesmo quando o nosso perde há tanto tempo. Como se explica? Porque é que gostamos perdidamente de verde, e não de azul. Ou de ouvir a chuva. Como se explica? Explicações havê-las-á, até porque nós precisamos delas, portanto construímo-las à medida das necessidades. Mas porque é que lá está o amor?
Porque amamos este e não aquele? Porque ganhamos esta pessoa cá dentro e não a conseguimos nem queremos de cá tirar? Vem de onde este sentimento físico de propriedade e pertença? Está entranhado porquê? 
Não sei se queria as respostas as estas perguntas. Gosto do amor assim, rodeado do que não sei sobre ele, encanta-me ainda mais o mistério. Do que não me explica.

Às vezes enche-se-me o peito de amor. Assim, subitamente. Da lembrança destes amores entranhados estranhos, que os quero tanto para mim como me quero deles. E nesses momentos só os queria poder apertar para os sentir ainda mais cá dentro, sempre perto do coração onde já moram e hão de morar. Eternamente, é o que espero poder dizer com certeza. 


quarta-feira, 12 de março de 2014

e o post anterior chamava-se os louva-a-Deus é que a sabem toda porque apesar de hoje ser quarta-feira conheci duas pessoas a quem me apeteceu arrancar a cabeça à dentada, num cenário que envolvesse muita dor, sangue, sofrimento existencial e o tormento eterno daquelas alminhas pobrezinhas.... pronto. os louva-a-Deus fazem isto (se calhar sem os requintes de malvadez que referi, mas arrancam cabeças, que é a parte importante).

e por ter escrito dois posts, um com o título certo e o conteúdo errado e outro com o conteúdo certo e a explicar o porquê, todos vocês são capazes de avaliar a bela desgraça que se desenrola na minha cabeça. tudo tranquilo.

os louva-a-Deus é que a sabem toda

hoje é quarta-feira. na minha vida, as coisas boas acontecem à quarta-feira. sem muitas excepções, as coisas boas acontecem à quarta-feira. aprovaram-me o crédito habitação numa quarta, o meu filho nasceu numa quarta, hoje foi quarta e aconteceu uma coisa muito boa no emprego. a quarta é o dia que prefiro, claro, por todas estas (e muitas outras) razões. é certo que é a meio da semana, e como estou a trabalhar, normalmente o entusiasmo é muito contido porque a azáfama é tanta que uma pessoa nem tem muito por onde se espraiar de alegria. enfim.

estou aqui sentada, numa quarta-feira, a pensar em tudo o que tenho dito e pensado que gostaria que a minha vida pudesse ser. em como penso muitas vezes no trânsito na quantidade de desafios que já encontrei, nos que ultrapassei melhor, nos que tropecei e deixaram marcas que algumas ainda estou a tentar cicatrizar. penso em como penso muitas vezes em tréguas, em respirar fundo e pensar "hoje a minha vida é exactamente como eu sempre quis que fosse" (se acharem que estou numa de coitadinha por favor leiam um post que escrevi atrás: explico-me por lá).

e depois penso nas quartas-feiras, e a esperança e o alento ressurgem. e hoje, mais uma peça pode cair no lugar onde pertence. mesmo que não caia, hoje é quarta-feira. sorriam.

este filme podia passar-se na sua vida

e quando a inspiração nos chega quando não podemos escrever logo no momento o que queremos e depois quando podemos não há inspiração que nos chegue?

sábado, 8 de março de 2014

Tenho barriga

Eu sei. Tenho de assumir, aliás porque ela é visível. Tenho barriga (mas podia ser pior, podia ser maior) (não interessa o tamanho, está lá).
Não faço uma alimentação assim tão desregrada, tenho quase sempre duas crianças a cargo, corro de um lado para o outro a fazer tudo, bebo menos água do que que deveria, mas não me entupo de doces ou de comidas supostamente proibidas (deixa lá, podia ser barriga e estômago) (a barriga basta para eu já me sentir incomodada, obrigada, nem quero pensar se tivesse estômago também). Já me incomodaram as pernas e a celulite, mas estou a conseguir dar cabo dela (que é como quem diz impor-lhe alguns limites dentro do aceitável, sem recorrer ao ginásio) (vês... Nem tudo é mau, só um bocadinho de barriga, mas umas pernas aceitáveis, nem te podes queixar) (eu não quero esta barriga). A resposta é simples: abdominais. Uma palavra de resposta e a resposta fica dada. Eu sei. É uma questão de compromisso (ou de cansaço, a que horas vais fazê-los?) (não posso pensar nisso, mais uns minutos de sono roubado) (estás a ver? Deixa-te disso, é uma barriga, hás de lhe dar a volta... Ou habituar-te a ela) (não! Não quero barriga! Quero um ventre liso, já nem peço o six pack) (e vais fazer abdominais dizes tu... Deixa-me adivinhar: ou logo de manhã ou quando os miúdos já estiverem a dormir.... Pois claro, claro...) (eu tenho de os fazer! A barriga.... Mas o cansaço.... Mas a barriga....)

Apresento-vos o meu raciocínio no que toca à minha gordura abdominal.

Às voltas e voltas e voltas. Com a paciência e com a imaginação para que não nos falte a primeira. Arre! Para quê tanta palavra gasta para quê tanta coisinha supérflua.
É como dizia a C. É da humidade. Está entranhada nos neurónios e causa curto circuito. Há dias em que só apetece matar. Não pessoas, mas a estupidez. A avarice sentimental. O egocentrismo infantil nos adultos.

Post publicado dias depois de ser escrito.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Mitos e factos reais

Facto: algumas cobras fazem parte do grupo dos animais mais perigosos do mundo.

Mito: há ataques de cobras sem que haja qualquer ameaça à sua integridade física.

Conclusão: quando provocadas é normal que morras.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Tentativas frustradas de mudar o presente

Ora bem, estamos um bocadinho fartos do frio e da chuva, mas temos a consciência de que ainda estamos só em fevereiro e que ainda falta um bocadinho para o sol e o calorzinho da Primavera. Temos de esperar ou então pressionar (chantagear) emocionalmente o São Pedro (ou viver em ilusão do controlo sobre a natureza). Como? Vestir uma das tshirts mais veraneantes da gaveta (com casaco de inverno por cima) e esperar por dias melhores...

Adivinhação

A vida é sempre difícil. Não me julguem mal, não me estou a queixar (muito) da minha vida. Sei perfeitamente que a vida me corre muito melhor que a muitos. E que existem vidas que são para lá de terríveis. Com histórias que de tão rocambolescas parecem mentira, obra de ficção fruto de uma qualquer mente perturbada.
A minha não é assim. Nem a de muitos que conheço, ou se calhar mesmo da maior parte das pessoas. Mas efectivamente a vida é difícil. Difícil porque os meandros dela são cada vez mais retorcidos pelas qualidades do quotidiano. Corremos por tudo e para tudo, porque queremos muito e ainda bem que não nos contentamos com menos.  Vemos o futuro e o presente e pensamos no passado, às vezes demais, queremos ter e dar os melhor de nós e dos outros, queremos sorrisos e aventura e felicidades mais ou menos duradouras. Queremos e muitas vezes trabalhamos para isso. Com mais ou menos empenho, com mais ou menos consciência do trabalho necessário e das consequências imediatas ou a longo prazo.
E é por isto que a vida é sempre difícil. Porque é muito para pensar e muito para sentir e muito para gerir. Connosco e com os que nos rodeiam. Com os nossos desejos, as necessidades alheias, os objectivos comuns.
A minha vida é difícil pelo tempo. Pela minha incapacidade de fazer o tempo esticar. Para fazer o que faço, o que queria fazer, para por planos em prática, para ser mulher, mãe e amiga com mais qualidade. Para não me por exigências por querer estar sempre em mais do que um sítio em simultâneo.

Isto tudo para dizer que, tal como previsto, o blog há de estar parado semana sim semana não.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Se queres que não te diga

Muitas e muitas palavras têm sido escritas sobre o silêncio. O que o termina, contradizendo-o. Falar sobre o silêncio, que poucas vezes o é, porque haverá sempre pelo menos o ruído do pensamento. E estas são mais algumas linhas sobre esse espaço. O do silêncio.

Se as relações entre as pessoas se fazem de palavras, mantêm-se muitas vezes dos silêncios. Não sei se te diga o que queria porque não quero magoar-nos. Porque os meus sentimentos e os teus e os nossos e os cansaços e as ambições e as expectativas são todos palavras e pensamentos que nem sempre se encontram.

Então não tos digo para não os ouvir, porque também sei que não me queres dizer o que penso que podes ter pensado. E o silêncio vem e nele ficamos à espera de se tornar conforto. No espaço das palavras tantas vezes pensadas e poucas vezes ouvidas. Setas que se podem espetar facilmente onde caírem, sem compaixão. E eu não as quero ver nem sentir, e por isso não as digo. Nem as ouço. E não as calo, engulo-as, para desaparecerem. No meio das minhas e tuas e nossas, dos anos tantos e das horas poucas.

Em silêncio.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

E porque não o dia de São Valentim?

Eu percebo que é só mais um dia, que as relações devem ser mantidas diariamente e não apenas em datas festivas, que faz pouco sentido andar sempre à turra e à maça e depois gastar rios de dinheiro numa prenda XPTO e num jantar no sítio mais in e por isso mais esgotado deste dia. Especialmente este ano, que calhou numa sexta-feira.
A sério que percebo. Mas o Natal também é quando um Homem quiser e nós temos um dia para o festejar. E nesse dia passamos mais tempo com a família, dedicando essas horas a (supostamente) demonstrar como gostamos daquelas pessoas que são as mais importantes das nossas vidas. Porque é que não podemos passar este dia a pensar no porque é que esta pessoa que temos ao nosso lado é o nosso amor ou simplesmente com um sorriso tolo nos lábios por sabermos que gostamos e somos gostados? Que coisa é esta do "ai eu nunca dei importância", "ai para quê um dia dos namorados", "ai não preciso nada de uma prenda"?
O ano passado saímos. Jantámos fora, eu de vestido preto a esconder a barriga que se mostrou subtilmente na minha escolha da bebida: água. Este ano ficámos em casa. Óptimo jantar, óptimo vinho, óptima companhia. Já de aliança no dedo, mas ainda com direito ao São Valentim.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

As passadeiras em dias de chuva

Em Portugal chove no inverno. É algo que nos assiste. Todos os anos, mais ou menos, mas sem excepção. De há alguns anos para cá, chove muito no inverno. Agora até temos direito a tempestades com o nome de turista estrangeira, se calhar por ser chique. E sim, o anticiclone dos Açores parece que faleceu.
Ora bem, então esta chuva tem implicações em muita coisa. E tem implicações para quem anda a pé. E colocam-se duas perguntas: quem faz estradas em Portugal faz de propósito para que existam poças de água próximo de todas as passadeiras e paragens do autocarro? E a segunda pergunta é: os condutores portugueses nunca andaram a pé em dia de chuva? Ou não entendem a lei da física segundo a qual um pneu de automóvel a entrar dentro de uma poça de água pode causar o banho indesejado ao peão indefeso? É que já não bastam a chuva e o vento e os chapéus que se viram ou pingam para todo o lado, ainda há as esperas com pés dentro de poças para atravessar a rua e os chuveiros de água projectada que nos fazem desviar o chapéu de chuva da cabeça para os pés..

Tive de secar o rabo quando cheguei ao emprego. E escrevi este post na cabeça enquanto vinha de salta pocinhas.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

tenho patilhas

Tinha jurado a mim mesma que de hoje não passava. Tinha de ser. E pronto, aqui estou, sentada no sofá, a ver o Gravity e a escrever o meu primeiro post no quarto blog que tenho na vida. Dois só meus e um outro partilhado. De dizer que o segundo e o partilhado tiveram ambos uma vida curta e pouco famosa, enquanto que o primeiro viveu uns anos de boa saúde. Acho que vivia em mim uma pessoa que gostava de escrever. Como deixei de ter tempo para ela, ela mudou-se. Não sei se tinha jeito, mas davamo-nos bem. E eu gostava dela, mas as prioridades começaram a ser outras e ela foi-se embora. Tudo tranquilo, foi uma decisão inteligente da parte dela, pela pouca disponibilidade e atenção que lhe conseguia dar.

Enfim. Agora começa este outro, porque sim. Porque preciso de me organizar mentalmente e a escrita sempre me ajudou a fazê-lo. E porque tenho saudades. A boa vida do Are you crazy deixou sorrisos. Nunca foi um blogue da moda, nunca ganhei dinheiro nem fui a festas ou ganhei pares de sapatos. Com muita pena minha, que anseio neste momento da vida por uns momentos bons de dondoca estilosa. Mas ganhei comentários anónimos interessantes (que eu sabia de quem eram) e muitos posts que tenho guardados e que releio muitas vezes para me lembrar de mim. Como eu era e como me esqueço às vezes de como cheguei aqui.

Ora bem, agora a vida é diferente e o tempo não é como a vontade: é pouco. Portanto só acho pertinente comprometer-me a escrever semana sim semana não... e mesmo assim, já tenho dúvidas agora que o consiga (o que é terrível para o compromisso, mas tentaremos).

Postas todas as introduções necessárias, dei por mim, 7 meses depois de ser mãe, e um mês após o término de uma queda de cabelo assustadora (sublinhe-se o assustadora) com uma quantidade surpreendente de cabelo nova a crescer. Não corri propriamente o risco de ficar careca, Deus sabe que seria difícil que isso me acontecesse, mas que caiu caiu. E agora está a crescer e eu pareço o Elvis, porque o cabeço novo que está a nascer forma umas interessantes patilhas que são facilmente identificadas por qualquer pessoa na minha cara. Maravilhoso, é o que vos digo.

Escrevi este post várias vezes na minha cabeça. Lá tinha mais graça, havia mais piadas no meio do texto, eu estava mais solta e bem disposta. Mas pronto, uma estreia pode sempre dar buraco, e a maternidade teve o seu impacto sobre a minha capacidade de raciocínio, que vou lentamente recuperando (ou pelo menos é isso que me tento dizer).

O filme é bom. E irrita que o blogger não reconheça o início das frases e ponha automaticamente as maiúsculas onde é suposto que estejam.